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sábado, 29 de agosto de 2026

A evolução da Psicologia Organizacional: por que a saúde mental dos colaboradores virou pauta de conselho e diretoria

 No Mês do Psicólogo, Renata Livramento analisa a transição da gestão de pessoas e explica como o cuidado com o bem-estar mental deixou de ser "benefício extra" para se tornar estratégia de sobrevivência do negócio.

 

A saúde mental deixou de ser um assunto restrito aos setores de Recursos Humanos e passou a ocupar as reuniões de conselhos e diretorias. O avanço dos afastamentos, a alta rotatividade e a perda de produtividade fizeram com que o bem-estar dos profissionais se tornasse uma questão estratégica para a continuidade dos negócios.

Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais, aumento de aproximadamente 15% em relação ao ano anterior, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Ansiedade e depressão estiveram entre as principais causas das licenças concedidas.

Para a psicóloga, doutora em Administração e especialista em Gestão de Saúde Corporativa Renata Livramento, essa transformação representa uma evolução da própria Psicologia Organizacional. “Durante muito tempo, o psicólogo dentro das empresas esteve associado principalmente ao recrutamento e à seleção. Hoje, seu trabalho também envolve compreender como a liderança, as metas, os processos e a cultura organizacional afetam a saúde e o desempenho das pessoas”, explica.

Diante desse cenário, muitas empresas passaram a investir em palestras, rodas de conversa, campanhas e treinamentos sobre saúde mental. Essas iniciativas são importantes para ampliar o conhecimento, reduzir preconceitos e ajudar os profissionais a reconhecer sinais de sofrimento. No entanto, ações pontuais não conseguem compensar uma rotina marcada por sobrecarga, assédio, falta de autonomia e cobranças desproporcionais.

“Uma palestra pode abrir o diálogo, mas ela perde credibilidade quando, no dia seguinte, o trabalhador retorna para uma liderança abusiva, metas inalcançáveis e um ambiente no qual não se sente seguro para falar. O discurso encontra a prática quando a empresa utiliza esse aprendizado para rever a maneira como o trabalho está organizado”, afirma Renata Livramento.

A especialista destaca que o compromisso deve começar na alta liderança. Cabe à diretoria acompanhar indicadores como afastamentos, rotatividade, conflitos, denúncias, horas extras e pesquisas de clima. Esses dados ajudam a identificar setores sobrecarregados, lideranças despreparadas e processos que podem estar contribuindo para o adoecimento.

A inclusão expressa dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, prevista pela Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), reforçou essa responsabilidade. Além de promover ações educativas, as organizações precisam mapear os fatores de risco relacionados ao trabalho, adotar medidas preventivas e acompanhar se as mudanças implementadas estão produzindo resultados.

“O cuidado verdadeiro aparece nas decisões: na definição de metas possíveis, na preparação dos gestores, no dimensionamento das equipes, na resposta às denúncias e na proteção contra retaliações. Saúde mental não é oferecer benefícios para que o profissional suporte um ambiente adoecedor, mas transformar as condições que produzem esse sofrimento”, destaca.

No Mês do Psicólogo, Renata Livramento reforça que empresas maduras tratam o tema de forma contínua. “Quando a saúde mental entra na estratégia, ela deixa de depender apenas de campanhas e passa a orientar decisões. Isso protege os profissionais, reduz riscos e contribui para uma organização mais saudável, produtiva e sustentável”, conclui. 



Fonte: Renata Livramento — Psicóloga. Doutora em Administração. Especialista em Gestão de Saúde Corporativa.
renatalivramento.com.br
@renata.livramento

 

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