No Brasil, o tabagismo é responsável por um custo anual na saúde R$ 153,5
bilhões, de acordo com o Ministério da Saúde. A cada R$ 1 real de lucro da
indústria, o país gasta R$ 5 com doenças causadas pelos derivados do cigarro,
evidenciando que o produto continua sendo uma das maiores causas de adoecimento
evitável no país. Para o triênio de 2026 a 2028, as projeções oficiais do
Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o câncer de traqueia, brônquio
e pulmão figura na quarta posição entre os principais tipos câncer no país, e
com uma estimativa de mais de 35 mil novos diagnósticos anuais, mais de 18 mil
apenas entre os homens.
O Dr. Vitor Sardenberg, médico radiologista da clínica CDPI e do laboratório
Bronstein, explica que a detecção precoce das alterações pulmonares é o pode
contribuir para mudar o desfecho dessas estatísticas. É nessa janela de
oportunidade que a tomografia de tórax se consolida como principal exame na
medicina diagnóstica.
"A tomografia computadorizada consegue enxergar lesões milimétricas muito
antes de o paciente manifestar qualquer sintoma clínico ou de a alteração
aparecer em um raio-X simples. Para o fumante ou ex-fumante crônico, o rastreamento
por tomografia pode ser determinante entre um tratamento curativo e um
diagnóstico tardio", afirma Sardenberg.
O especialista lista as três doenças mais comuns causadas pelo hábito de fumar
e como a tomografia atua diretamente em cada diagnóstico:
- Câncer de pulmão
É uma das neoplasias mais agressivas e diretamente ligada ao tabagismo. O grande desafio é que ela costuma ser silenciosa em estágios iniciais. O rastreamento com tomografia computadorizada de tórax com baixa dose de radiação permite identificar nódulos pulmonares malignos ainda em fases iniciais. Descobrir o tumor nesse estágio aumenta as chances de sucesso no tratamento.
2. Enfisema pulmonar e DPOC
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) engloba também o diagnóstico de
enfisema e bronquite crônica, caracterizando-se pela destruição progressiva dos
alvéolos (as pequenas bolsas de ar do pulmão), o que causa falta de ar incapacitante.
A tomografia ajuda a quantificar a extensão do enfisema, mapeia as áreas
destruídas e auxilia a equipe médica a direcionar terapias de suporte
respiratório ou intervenções cirúrgicas para melhorar a qualidade de vida do
paciente.
3. Fibrose Pulmonar Idiopática e Doenças Intersticiais
O fumo atua como um gatilho para processos inflamatórios severos no tecido
pulmonar, substituindo a estrutura saudável por cicatrizes rígidas (fibrose)
que impedem o pulmão de se expandir.
O exame avalia o chamado "interstício" pulmonar. Padrões específicos
de imagem na tomografia, como o aspecto de "vidro fosco" (inflamação
ativa) ou "faveolamento" (fibrose estabelecida), guiam o diagnóstico
preciso sem a necessidade imediata de biópsias invasivas." O tabagismo lesiona
o pulmão de forma lenta e silenciosa. Quem fuma ou fumou por muitos anos deve
conversar com seu médico assistente sobre a indicação de um protocolo de
rastreamento por imagem", conclui o radiologista.
Nenhum comentário:
Postar um comentário