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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Quedas lideram hospitalizações de crianças e adolescentes no Brasil pelo décimo ano consecutivo, diz pesquisa da Aldeias Infantis SOS

Hospitalizações por acidentes cresceram 5,4% no último ano, passando de 121.933, em 2024, para 128.466 casos, em 2025; estudo da Organização também mostra que, em 2024, 3.341 crianças e adolescentes morreram em decorrência de acidentes evitáveis 

 

As quedas foram a principal causa de hospitalizações por acidentes entre crianças e adolescentes de até 14 anos no Brasil nos últimos dez anos. De 2016 a 2025, um total de 518.249 jovens nessa faixa etária foram internados no Brasil em decorrência de quedas – uma média de 51.825 internações por ano. É o que indica levantamento inédito realizado pelo Projeto Criança Segura, da Aldeias Infantis SOS, Organização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo.

O mesmo estudo, elaborado com dados do Ministério da Saúde, revela que, somente em 2025, foram 55.814 ocorrências de quedas, equivalentes a 43,4% de todas as hospitalizações do período decorrentes das categorias de lesões não intencionais (acidentes). Houve ainda um aumento recente da ocorrência de acidentes envolvendo crianças e adolescentes no país. Entre 2024 e 2025, o número de hospitalizações passou de 121.933 para 128.466 — um crescimento de 5,4%. O resultado representa uma média de 352 crianças e adolescentes internados por dia, ou cerca de 15 a cada hora. 

Além das quedas, o ranking de acidentes de 2025 também lista ocorrências de queimaduras (19,6% dos casos), sinistros de trânsito (9,9%), intoxicações (3,3%), sufocações (0,5%), afogamentos (0,2%), acidentes com armas de fogo (0,1%) e outros acidentes (23,1%). De acordo com o levantamento, os casos de intoxicações apresentaram o maior crescimento em relação a 2024, de 19,7%, seguidos por sufocações (10,8%) e queimaduras (7,4%). 

No que se refere às quedas, um dos principais desafios apontados pelo estudo é a qualidade do registro das ocorrências. Em 2025, 25.774 hospitalizações por essa causa não tiveram o tipo de acidente especificado, o equivalente a 46,2% dos registros. No decênio, as categorias não especificadas corresponderam a 48,1% das ocorrências. 

Para a Aldeias Infantis SOS, informações mais precisas nos boletins de atendimento e prontuários são fundamentais, tanto para o histórico de saúde das crianças quanto para orientar campanhas e políticas públicas de prevenção. A Organização ainda destaca que mais de 90% dos acidentes, independentemente de suas causas, são evitáveis.

“Os números mostram que não podemos naturalizar acidentes e sinistros que, em sua grande maioria, poderiam ser evitados. A persistência das quedas no decênio analisado, bem como o crescimento de ocorrências como intoxicações e a quantidade de registros de casos sem especificação revelam que precisamos combinar informação, ambientes mais seguros, supervisão adequada e políticas públicas capazes de atuar sobre os diferentes fatores de risco presentes em cada etapa da infância, apoiando as famílias para um cuidado eficaz”, afirma José Carlos Sturza de Moraes, Pesquisador e Ponto Focal do Projeto Criança Segura da Aldeias Infantis SOS.


Mortes

O estudo da Aldeias Infantis SOS também traz dados referentes a mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos no país em 2024. A soma das oito categorias analisadas revela que, naquele ano, foram registradas 3.341 mortes. No levantamento, as sufocações foram a principal causa, com 1.039 óbitos (ou 31,1% do total de casos registrados), seguidas por acidentes de trânsito, com 922 (27,6%), e afogamentos, com 850 (25,4%). Juntas, essas três causas responderam por, aproximadamente, 84,1% das mortes totais do período analisado. 

O perfil da mortalidade também muda conforme a idade. Crianças de 1 a 4 anos concentraram 1.095 mortes, ou 32,8% do total, enquanto os menores de 1 ano somaram 930 óbitos (27,8%). Entre as sufocações, 75% das mortes vitimaram bebês, enquanto os afogamentos concentraram vítimas de 1 a 4 anos. Já os acidentes de trânsito atingiram diferentes perfis, incluindo ocupantes de automóveis e caminhonetes, pedestres, motociclistas e ciclistas. 

Para Sturza, os dados reforçam, no conjunto, a necessidade de ampliar a prevenção e qualificar as informações sobre acidentes e riscos de morte. 

“A Aldeais Infantis SOS defende que famílias, profissionais de saúde, gestores públicos e demais atores envolvidos na proteção da infância atuem conjuntamente para engajar a sociedade em campanhas de conscientização e promover ambientes mais seguros e efetivamente protetores. O desafio, para todos nós, é fomentar uma cultura de cuidado e de responsabilidade coletiva sobre a segurança e o bem-estar de nossas crianças e nossos adolescentes, para que possam se desenvolver plenamente como indivíduos”, conclui o pesquisador.

O estudo completo da Aldeias Infantis SOS pode ser acessado aqui

  

Aldeias Infantis SOS
www.aldeiasinfantis.org.br


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