Nutricionista explica por que o consumo de proteínas e a prática de exercícios de força ganham importância com o envelhecimento e alerta que a suplementação exige avaliação individual
O número de brasileiros com 65 anos ou mais
aumentou 57,4% entre 2010 e 2022 e chegou a 22,2 milhões, segundo o Censo
Demográfico do IBGE. O envelhecimento da população amplia a atenção sobre a
sarcopenia — caracterizada pela perda progressiva de massa, força e função
muscular — e sobre a necessidade de adaptar a alimentação ao longo da vida para
preservar a mobilidade e a autonomia.
Às vésperas do Dia do Nutricionista, celebrado em
31 de agosto, a nutricionista Dra. Aline Maldonado, consultada pela SupraSoy,
explica que a prevenção não deve começar apenas na terceira idade. “A massa
muscular merece atenção a partir dos 30 anos, quando tem início um declínio
natural e gradual. Depois dos 60, essa perda pode acelerar e elevar os riscos
de quedas, redução da mobilidade e perda de independência”, afirma.
Proteína e massa muscular no
envelhecimento
A alimentação é parte desse cuidado, ao lado da
prática regular de exercícios físicos, especialmente os de força. Para pessoas
idosas saudáveis, a Diretriz da Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo
(ESPEN) recomenda de 1 a 1,2 grama de proteína por quilo
de peso corporal ao dia, com ajustes conforme o
estado nutricional, o nível de atividade física e as condições de saúde. Um
estudo brasileiro com 621 idosos, publicado em 2024 na Revista Brasileira de
Geriatria e Gerontologia, também associou a baixa ingestão de proteínas à maior
mortalidade.
Segundo Aline, o envelhecimento pode reduzir o
apetite, alterar o paladar e o olfato e trazer dificuldades para mastigar,
engolir, comprar ou preparar alimentos. O músculo também passa a responder
menos ao estímulo da proteína, fenômeno conhecido como resistência anabólica.
Por isso, além da quantidade total, é importante distribuir fontes proteicas
entre as refeições, em vez de concentrá-las apenas no almoço ou no jantar.
“O cardápio pode combinar ovos, leite e derivados,
carnes e peixes com fontes de proteína vegetal, como feijão, lentilha,
grão-de-bico, ervilha e soja. A união de leguminosas e cereais, como arroz e
feijão, contribui para complementar o perfil de aminoácidos. Para quem tem
pouco apetite ou dificuldade de mastigação, preparações macias e úmidas, como
carnes desfiadas, ovos mexidos, purês, cremes, feijão amassado, mingaus e
vitaminas, podem facilitar a ingestão”, orienta a nutricionista.
Proteína vegetal pode
complementar preparações do dia a dia
Alimentos em pó à base de proteína vegetal,
categoria em que atua a SupraSoy, podem ser acrescentados a vitaminas, mingaus,
iogurtes, sopas, purês, cremes e outras receitas. A estratégia permite aumentar
o aporte de proteína sem elevar significativamente o volume das preparações, o
que pode ser útil para pessoas idosas com redução do apetite, dificuldade de
mastigação ou menor aceitação de refeições muito volumosas.
“Produtos em pó feitos com proteína vegetal podem
ser incluídos na alimentação como forma de complementar a ingestão de
proteínas, sem necessariamente substituir uma refeição completa. Além da
proteína, uma alimentação equilibrada precisa fornecer carboidratos, gorduras,
fibras, vitaminas e minerais”, destaca a nutricionista, que também recomenda
observar, no rótulo, a quantidade de proteína, açúcar, sódio e outros
componentes, considerando as necessidades e restrições de cada pessoa.
Aumento do consumo de proteína
exige avaliação individual
Ter mais de 60 anos não significa precisar
automaticamente de suplementação proteica. Ela pode ser indicada quando a
alimentação não consegue atender às necessidades diárias, como em casos de
pouco apetite, dificuldade para mastigar ou engolir, perda involuntária de peso
ou massa muscular e durante a recuperação de doenças e cirurgias. A decisão
deve ser tomada após avaliação médica ou nutricional.
O cuidado é ainda mais importante para pessoas com
doença renal crônica, algumas doenças hepáticas ou submetidas a tratamentos que
exijam controle da ingestão proteica. Nesses casos, aumentar o consumo de
proteína por conta própria pode ser inadequado. O cálculo
também precisa considerar peso, estado nutricional,
nível de atividade física, ingestão total de energia e demais condições de
saúde.
Alguns sinais, como perda de peso involuntária,
redução da força, fraqueza, cansaço nas atividades do dia a dia e falta de
apetite, merecem atenção e podem indicar a necessidade de uma avaliação
profissional.
“A alimentação precisa acompanhar as mudanças do
organismo. Não existe uma quantidade ou uma estratégia única para todas as
pessoas idosas. O papel do nutricionista é avaliar as necessidades, as
condições de saúde e a rotina de cada indivíduo para encontrar formas seguras e
viáveis de preservar a massa muscular, a mobilidade e a autonomia”, conclui
Aline.

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