Grandes
consumidores de energia, data centers demandam transformadores de alto valor e
que exigem cuidados especiais no transporte
Data centers de IA demandam grandes equipamentos
de energia e logística completa
Magnific
O anúncio feito pelo governo federal de mais de R$ 2,3 bilhões
em investimentos em parques de supercomputadores para Inteligência Artificial
(IA) reforça os desafios logísticos com os equipamentos elétricos necessários
para essas estruturas, que são grandes consumidoras de energia. Os novos data
centers devem se localizar no Rio Grande do Norte — escolhido pelo potencial de
geração de energia renovável da região — e no Rio de Janeiro, desenvolvida com
empresas chinesas.
Para especialistas em logística de cargas sensíveis e de alto
valor – como transformadores de energia - viabilizar essas megaestruturas
depende de operações logísticas complexas, para evitar que esses equipamentos
sejam danificados por impactos ou vibrações no transporte de longa distância.
“Antes de qualquer supercomputador entrar em operação, é preciso
garantir que toda a cadeia de energia — transformadores, geradores, subestações
— chegue intacta ao seu destino, muitas vezes depois de milhares de quilômetros
de estrada. É um desafio logístico tão relevante quanto o tecnológico, e
negligenciá-lo pode significar atrasos, prejuízos financeiros e riscos
operacionais graves”, afirma Afonso Moreira, CEO da AHM Solution, empresa
especializada em gestão de danos em operações logísticas.
Transformadores com capacidade para atender grandes data centers
têm fabricação sob encomenda. Portanto, equipamentos danificados durante o
transporte podem gerar atrasos e prejuízos significativos.
“O problema é que avarias internas causadas por impactos ou
vibração durante o transporte muitas vezes não deixam marcas visíveis no
equipamento. Um transformador pode chegar ao destino aparentemente íntegro e,
mesmo assim, apresentar desalinhamentos internos que representam risco de
incêndio ou explosão quando energizado”, explica Moreira.
Em operações com esse grau de complexidade, são utilizadas
tecnologias que acompanham, em tempo real, as condições de transporte dos
equipamentos. Os dispositivos registram impactos, vibrações, inclinação e
pressão ao longo de toda a rota, gerando evidências sobre a integridade da
carga da origem ao destino.
Em um dos cases neste segmento, um fabricante de transformadores
passou a monitorar o transporte de seus equipamentos com registradores de
impacto e obteve dados detalhados sobre o momento, a direção e a intensidade de
eventuais choques durante o trajeto. “O resultado foi a geração de laudos
técnicos com evidência irrefutável para fins de seguro, além da possibilidade
de otimizar rotas e antecipar a necessidade de testes nos componentes internos
antes da energização do equipamento”, relata Moreira.
Escala continental
Segundo a AHM, o desafio se intensifica pela dimensão geográfica
do Brasil: rotas entre portos, fabricantes e os canteiros de obra no Rio Grande
do Norte e no Rio de Janeiro, por exemplo, podem envolver diversos modais e
longos trajetos, ampliando a exposição das cargas a impactos e outros riscos.
Para o executivo, o monitoramento contínuo dessas cargas deve ser tratado como parte do planejamento de projetos dessa envergadura desde a etapa de contratação do transporte, e não como uma resposta a problemas já ocorridos. “Rastreabilidade e evidência objetiva de manuseio não são apenas uma ferramenta de mitigação de risco, mas também um instrumento de gestão que permite corrigir rotas, fornecedores e processos logísticos ao longo de todo o programa de instalação dos parques tecnológicos”, completa.
AHM Solution do Brasil
https://www.ahmsolution.com.br/
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