Exames
laboratoriais, saúde metabólica e informações individuais ampliam o papel do
nutricionista na identificação de riscos e na promoção da saúde
Celebrado em 31 de agosto, o Dia do Nutricionista
chama atenção para uma mudança que vai além da elaboração de dietas. Segundo o
Vigitel 2024, do Ministério da Saúde, 62,6% dos adultos das capitais
brasileiras e do Distrito Federal têm excesso de peso e 25,7% vivem com
obesidade. Diante do avanço de fatores de risco associados às doenças crônicas,
a nutrição passa a ocupar um papel mais estratégico na prevenção, ao permitir
que alterações no metabolismo, na composição corporal, nos hábitos e em
indicadores laboratoriais sejam acompanhadas antes que o cuidado fique restrito
ao tratamento de um problema já instalado.
Bruna Makluf,
nutricionista e mestre em Saúde, diretora de Nutrição da WeFit,
healthtech brasileira especializada em saúde personalizada e nutrição de
precisão. A profissional defende que a prevenção nutricional começa pela
compreensão do indivíduo como um todo, e não apenas pela análise do que ele
coloca no prato. “A alimentação continua sendo central, mas a prevenção exige
uma leitura mais ampla. Precisamos entender exames, metabolismo, saúde
intestinal, composição corporal, sono, rotina e histórico do paciente para
identificar o que pode ser ajustado antes que determinadas alterações avancem”,
afirma a nutricionista e mestre em Saúde.
Os números ajudam a dimensionar o desafio. Entre
2006 e 2024, a proporção de adultos com excesso de peso nas capitais e no
Distrito Federal passou de 42,6% para 62,6%. No mesmo período, a obesidade
aumentou de 11,8% para 25,7%, segundo o Ministério da Saúde. Para Bruna, os
dados reforçam a necessidade de colocar a alimentação dentro de uma estratégia
contínua de promoção da saúde, e não apenas como resposta a uma meta de
emagrecimento.
Prevenção começa pela leitura
do organismo
Na prática, essa mudança amplia as informações
disponíveis ao nutricionista. Exames laboratoriais podem mostrar alterações em
marcadores metabólicos, enquanto a composição corporal ajuda a acompanhar
mudanças que a balança, isoladamente, não revela. Informações sobre hábitos,
sono e saúde intestinal completam essa avaliação.
Recursos como testes genéticos e análise da
microbiota também podem integrar esse processo quando houver indicação. O
ponto, segundo a diretora de Nutrição da WeFit, não é transformar esses exames
em respostas isoladas, mas utilizá-los dentro de uma interpretação clínica mais
ampla.
“Um teste genético não determina sozinho o que uma
pessoa deve comer, assim como um exame de microbiota não explica toda a saúde
daquele paciente. A ciência está justamente em cruzar essas informações com
exames laboratoriais, hábitos, histórico e objetivos para tomar decisões mais
individualizadas”, explica Bruna.
A própria produção de dados sobre saúde no Brasil
caminha nessa direção. Em julho, o IBGE iniciou a Pesquisa Nacional de Saúde 2026,
que deverá visitar cerca de 140 mil domicílios. Além de investigar hábitos e
acesso aos serviços, o levantamento prevê medidas de peso, altura e pressão
arterial, além da realização de exames de sangue e urina em parte dos
participantes.
Mais informação exige mais
interpretação
Para Bruna, o aumento da quantidade de dados
disponíveis não reduz a importância do nutricionista. O efeito é justamente o
contrário. “Ter mais informação não significa automaticamente cuidar melhor da
saúde. É preciso saber o que aquele dado representa, como ele se relaciona com
os demais e se realmente deve interferir na conduta. O nutricionista ganha
importância na prevenção porque transforma informação científica em uma
estratégia possível para a vida daquela pessoa”, ressalta a diretora de
Nutrição.
A evolução da nutrição desloca, assim, o foco
exclusivo da dieta e do emagrecimento. Ao acompanhar sinais metabólicos,
hábitos e características individuais ao longo do tempo, o nutricionista passa
a participar de forma mais ativa da prevenção de doenças e da manutenção da
saúde antes que o problema se torne o motivo da consulta.
Bruna Makluf - nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal, saúde intestinal, doenças crônicas e longevidade. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em 2008, possui especializações em Nutrição Clínica, Fitoterapia e Nutrição Comportamental, formação em Saúde Intestinal e mestrado em Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Com mais de 15 anos de experiência, atuou por nove anos na saúde pública, onde participou da implantação de equipes e políticas públicas voltadas à assistência nutricional. Posteriormente, integrou por seis anos a Clínica Seven, exercendo as funções de nutricionista e gestora da equipe de nutrição. Atualmente, lidera a área de Nutrição da WeFit, sendo responsável pelo desenvolvimento dos protocolos nutricionais personalizados da empresa. Sua atuação é baseada na individualização do cuidado, integrando evidências científicas, genética, saúde intestinal, exames laboratoriais e hábitos de vida para construir estratégias nutricionais adaptadas às necessidades de cada paciente. É fonte para temas relacionados ao emagrecimento, saúde intestinal, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, saúde metabólica e longevidade.
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Fontes de Pesquisa:
Ministério da Saúde
Vigitel Brasil 2006 a 2024
https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2006-2024.pdf
IBGE
Pesquisa Nacional de Saúde 2026
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/47518-ibge-inicia-coleta-em-todo-o-pais-da-pesquisa-nacional-de-saude-2026
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