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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Muito além da dieta: a nutrição entra na era da prevenção

Exames laboratoriais, saúde metabólica e informações individuais ampliam o papel do nutricionista na identificação de riscos e na promoção da saúde 

 

Celebrado em 31 de agosto, o Dia do Nutricionista chama atenção para uma mudança que vai além da elaboração de dietas. Segundo o Vigitel 2024, do Ministério da Saúde, 62,6% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal têm excesso de peso e 25,7% vivem com obesidade. Diante do avanço de fatores de risco associados às doenças crônicas, a nutrição passa a ocupar um papel mais estratégico na prevenção, ao permitir que alterações no metabolismo, na composição corporal, nos hábitos e em indicadores laboratoriais sejam acompanhadas antes que o cuidado fique restrito ao tratamento de um problema já instalado.

Bruna Makluf, nutricionista e mestre em Saúde, diretora de Nutrição da WeFit, healthtech brasileira especializada em saúde personalizada e nutrição de precisão. A profissional defende que a prevenção nutricional começa pela compreensão do indivíduo como um todo, e não apenas pela análise do que ele coloca no prato. “A alimentação continua sendo central, mas a prevenção exige uma leitura mais ampla. Precisamos entender exames, metabolismo, saúde intestinal, composição corporal, sono, rotina e histórico do paciente para identificar o que pode ser ajustado antes que determinadas alterações avancem”, afirma a nutricionista e mestre em Saúde.

Os números ajudam a dimensionar o desafio. Entre 2006 e 2024, a proporção de adultos com excesso de peso nas capitais e no Distrito Federal passou de 42,6% para 62,6%. No mesmo período, a obesidade aumentou de 11,8% para 25,7%, segundo o Ministério da Saúde. Para Bruna, os dados reforçam a necessidade de colocar a alimentação dentro de uma estratégia contínua de promoção da saúde, e não apenas como resposta a uma meta de emagrecimento.


Prevenção começa pela leitura do organismo

Na prática, essa mudança amplia as informações disponíveis ao nutricionista. Exames laboratoriais podem mostrar alterações em marcadores metabólicos, enquanto a composição corporal ajuda a acompanhar mudanças que a balança, isoladamente, não revela. Informações sobre hábitos, sono e saúde intestinal completam essa avaliação.

Recursos como testes genéticos e análise da microbiota também podem integrar esse processo quando houver indicação. O ponto, segundo a diretora de Nutrição da WeFit, não é transformar esses exames em respostas isoladas, mas utilizá-los dentro de uma interpretação clínica mais ampla.

“Um teste genético não determina sozinho o que uma pessoa deve comer, assim como um exame de microbiota não explica toda a saúde daquele paciente. A ciência está justamente em cruzar essas informações com exames laboratoriais, hábitos, histórico e objetivos para tomar decisões mais individualizadas”, explica Bruna.

A própria produção de dados sobre saúde no Brasil caminha nessa direção. Em julho, o IBGE iniciou a Pesquisa Nacional de Saúde 2026, que deverá visitar cerca de 140 mil domicílios. Além de investigar hábitos e acesso aos serviços, o levantamento prevê medidas de peso, altura e pressão arterial, além da realização de exames de sangue e urina em parte dos participantes.


Mais informação exige mais interpretação

Para Bruna, o aumento da quantidade de dados disponíveis não reduz a importância do nutricionista. O efeito é justamente o contrário. “Ter mais informação não significa automaticamente cuidar melhor da saúde. É preciso saber o que aquele dado representa, como ele se relaciona com os demais e se realmente deve interferir na conduta. O nutricionista ganha importância na prevenção porque transforma informação científica em uma estratégia possível para a vida daquela pessoa”, ressalta a diretora de Nutrição.

A evolução da nutrição desloca, assim, o foco exclusivo da dieta e do emagrecimento. Ao acompanhar sinais metabólicos, hábitos e características individuais ao longo do tempo, o nutricionista passa a participar de forma mais ativa da prevenção de doenças e da manutenção da saúde antes que o problema se torne o motivo da consulta.

  



Bruna Makluf - nutricionista, diretora de Nutrição da WeFit e especialista em emagrecimento, saúde metabólica, composição corporal, saúde intestinal, doenças crônicas e longevidade. Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal) em 2008, possui especializações em Nutrição Clínica, Fitoterapia e Nutrição Comportamental, formação em Saúde Intestinal e mestrado em Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Com mais de 15 anos de experiência, atuou por nove anos na saúde pública, onde participou da implantação de equipes e políticas públicas voltadas à assistência nutricional. Posteriormente, integrou por seis anos a Clínica Seven, exercendo as funções de nutricionista e gestora da equipe de nutrição. Atualmente, lidera a área de Nutrição da WeFit, sendo responsável pelo desenvolvimento dos protocolos nutricionais personalizados da empresa. Sua atuação é baseada na individualização do cuidado, integrando evidências científicas, genética, saúde intestinal, exames laboratoriais e hábitos de vida para construir estratégias nutricionais adaptadas às necessidades de cada paciente. É fonte para temas relacionados ao emagrecimento, saúde intestinal, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares, saúde metabólica e longevidade.
Para mais informações, acesse: Linkedin e Instagram.

 

WeFit
Site Oficial WeFit I Instagram WeFit

 


Fontes de Pesquisa:

Ministério da Saúde

Vigitel Brasil 2006 a 2024
https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2006-2024.pdf

IBGE

Pesquisa Nacional de Saúde 2026
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/47518-ibge-inicia-coleta-em-todo-o-pais-da-pesquisa-nacional-de-saude-2026

 

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