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quinta-feira, 27 de maio de 2021

Câncer de ovário: definição, sintomas e tratamento

 Entenda o que é câncer de ovário, quais fatores de risco e formas de tratamento


Discreto, silencioso. É assim que os médicos se referem ao câncer de ovário, pois os sintomas só aparecem quando a doença já está instalada, e ainda podem ser confundidos com os de outras enfermidades. É o segundo tipo de câncer mais comum quando se fala de câncer ginecológico. A doença fica atrás apenas do câncer do colo do útero. O câncer de ovário também é a sétima maior causa de morte por câncer entre as mulheres. Os dados são do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O órgão aponta, ainda, que oito em cada dez casos são diagnosticados tardiamente, o que dificulta ainda mais as chances de sucesso do tratamento.

Os sintomas costumam aparecer somente na fase mais avançada, quando o tumor não está mais restrito ao aparelho reprodutor e se espalhou para as regiões pélvica e abdominal, para os pulmões, os ossos e o sistema nervoso central. Por isso é fundamental acompanhamento regular com o ginecologista. “Essa é a melhor forma de diagnosticar precocemente e conduzir o tratamento adequado o quanto antes”, afirma o ginecologista e obstetra com atuação na área de câncer ginecológico e diretor médico da Maternidade Brasília Evandro Oliveira.


Tipos de câncer de ovário

O câncer de ovário acontece quando há alteração na genética das células dessa região do corpo (neoplasia maligna). Porém, como há uma variedade de tipos de células nessa região, essa reprodução desordenada que caracteriza a neoplasia maligna pode ocorrer em três tipos diferentes de células.

- Tumores epiteliais – iniciam-se na fina camada de tecido que reveste os ovários. Cerca de 90% dos casos são tumores epiteliais.

- Tumores do estroma – começam no tecido do ovário que contém células produtoras de hormônios. Esses tumores normalmente são diagnosticados em fase precoce, diferenciando-se em relação aos outros tipos. Cerca de 7% dos tumores de ovário são do tipo estromal.

- Tumores de células germinativas – surgem nas células produtoras de óvulos. O tipo é raro e tem tendência a ocorrer em mulheres mais jovens. Eles representam de 3% a 5% de todos os tumores ovarianos e possuem grandes chances de cura.

A incidência do câncer de ovário está relacionada com fatores genéticos, hormonais e ambientais. O histórico familiar é um dos elementos mais relevantes nessa patologia. Estima-se que aproximadamente 10% das mulheres que desenvolvem câncer de ovário têm outros casos da doença na família. “O câncer de ovário pode acometer mulheres de todas as idades, porém, vale ressaltar que ele tem incidência mais frequente entre mulheres acima dos 40 anos”, complementa Evandro.

A doença não tem causa totalmente esclarecida e, ao contrário de outros tipos de neoplasia, não é precedida por lesões pré-malignas.

Além do histórico familiar e da faixa etária da mulher, há outros fatores que podem aumentar o risco de incidência de câncer de ovário.

• Fatores reprodutivos e hormonais – o risco é maior entre mulheres com infertilidade e menor nas que tomam pílula anticoncepcional ou que já tiveram filhos. Já as mulheres que não tiveram filhos têm mais chances de ter esse tipo de câncer.

• Primeira menstruação precoce – antes dos 12 anos – e menopausa tardia – depois dos 52 anos – podem estar associadas ao risco de câncer de ovário.

• Fatores genéticos – mutações em genes, como BRCA1 e BRCA2.

• Excesso de peso – amplia o risco de evolução da doença.


Sintomas do câncer de ovário

Na fase inicial, o câncer de ovário não causa sintomas peculiares. No entanto, à medida que o tumor cresce, pode provocar os seguintes sinais:

  • dor ou inchaço no abdome, na pelve, nas costas ou nas pernas;
  • náusea;
  • indigestão;
  • gases;
  • prisão de ventre ou diarreia;
  • cansaço constante;
  • perda de apetite e de peso.


Diagnóstico

“É importante salientar que o exame Papanicolau não é feito para detectar o câncer de ovário; ele é utilizado para rastreamento de câncer do colo do útero. No caso do câncer de ovário, tudo parte da investigação clínica. Caso se mostre necessário, seguimos para exames laboratoriais ou de imagem para auxiliar no diagnóstico”, explica o médico.


Tratamento

As formas de tratamento comumente usadas são a cirurgia ou a quimioterapia. A escolha por um tipo de terapêutica ou outra vai variar, sobretudo considerando o tipo histológico do tumor, a extensão da doença, a idade da paciente, as condições clínicas e a fase em que está o câncer. Mas tudo só começa depois da avaliação do especialista para confirmar o diagnóstico. Por isso, mantenha em dia suas consultas com o ginecologista e converse com seu médico sobre o assunto.


Como parar de fumar?

 Procurar ajuda médica e psicológica pode aumentar as chances de sucesso nessa empreitada 

 

A maioria das pessoas conhece os males do cigarro. A principal causa de morte evitável no mundo, o tabagismo está associado a inúmeras doenças, desde neoplasias, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e fibrose pulmonar, entre outras. A lista de problemas de saúde que podem ser provocados pelo consumo de tabaco (cigarro, cachimbo, charuto e até tabaco mascado) é enorme. Soma-se a isso os reflexos negativos na qualidade de vida, limitando, por exemplo, a capacidade de realizar atividades físicas, o desempenho sexual e até a sensibilidade para sabores e aromas. O tema é foco de várias campanhas realizadas no Dia Mundial sem Tabaco, celebrado todo ano no dia 31 de maio. 

As diversas iniciativas contra esse mal têm contribuído para um declínio consistente na prevalência de tabagismo no País. Mas, ainda assim, há uma parte da população (entre 12% e 14%) que segue fumando, engrossando estatísticas como a do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que aponta a morte de 428 pessoas a cada dia devido a doenças relacionadas ao uso do tabaco. Dentre os fumantes, há uma grande parcela que gostaria de parar de fumar, muitos dos quais já tentaram. E como então enfrentar esse desafio?

 

Uma doença a ser tratada

Mais do que um hábito, o tabagismo é uma doença causada pela dependência da nicotina presente nos produtos à base de tabaco. E, como doença, deve ser tratada com acompanhamento médico e psicológico em um programa de cessação do tabagismo. 

De acordo com o pneumologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Felipe Marques da Costa, para ter sucesso no tratamento é fundamental que o indivíduo queira, de fato, parar de fumar, pois esse é um processo contínuo, que requer adesão. Atualmente, as intervenções são baseadas quase sempre em duas frentes: terapia cognitiva comportamental conduzida por psicólogos ou psiquiatras e  tratamento farmacológico. 

“O tratamento deve ser personalizado, estruturado de acordo com as condições de saúde da pessoa, avaliação de doenças prévias, alergias, tipo e grau de dependência.  Também é importante que os especialistas saibam se ocorreram tentativas anteriores de parar de fumar, quais abordagens se mostraram vitoriosas na época e poderiam ser retomadas e quais os motivos de suas falhas, que devem ser contornados”, orienta o médico. 

Doença complexa, o tabagismo pode ter como principal fator a dependência química da nicotina, geralmente medida em uma escala de 0 a 10 por meio do Teste de Fagerström, baseado em um questionário sobre o hábito de fumar. Em alguns casos, a dependência de nicotina pode até ser baixa, mas a dependência psicológica é forte, ligada à ansiedade, que também necessita ser tratada, muitas vezes antes do início do tratamento medicamentoso. 

Os gatilhos mentais que levam o indivíduo a acender o cigarro também devem ser observados para serem rompidos ou substituídos, por exemplo, por uma atividade saudável e prazerosa, o que depende do perfil de cada pessoa. “A vontade de fumar que surge como escape de uma situação psicológica pode ser respondida com a ingestão, por exemplo, de um copo d’água, o consumo de uma bala, uma caminhada ou corrida”, orienta Felipe. 

Atualmente, o tratamento farmacológico pode ser baseado em três medicamentos, que podem ou não ser combinados, dependendo de cada caso: terapia de reposição de nicotina; bupropiona, um antidepressivo; e vareniclina, medicamento que age no receptor da nicotina, reduzindo o desejo de fumar e os sintomas da abstinência. 

Os especialistas também dão especial atenção às mudanças nos hábitos alimentares dos pacientes em tratamento. De um lado, há pessoas que substituem pela comida a compulsão pelo tabaco; de outro, alguns medicamentos ministrados, como os ansiolíticos e antidepressivos, podem de fato abrir o apetite. Frente a isso, médicos e psicólogos traçam conjuntamente estratégias para evitar impactos indesejados como o ganho de peso.

 “Uma pessoa é considerada ex-tabagista quando passa 12 meses longe do antigo hábito. É um trabalho contínuo, desenvolvido em conjunto pelo paciente e pelos especialistas que o acompanham, com possíveis readaptações de rota e sem tempo estimado de duração. Mas vencer essa batalha é distanciar-se dos riscos da infinidade de doenças associadas ao tabaco e ganhar troféus a cada dia em termos de saúde e qualidade de vida. Em resumo, é ganhar mais vida”, finaliza o pneumologista da BP.

 

 

BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo


7 Fatos sobre a Luz Intensa Pulsada para Doenças Oculares

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou duas tecnologias de luz intensa pulsada para tratamento de condições oculares, como a síndrome do olho seco, blefarite (inflamação crônica das pálpebras) e meibonite (inflamação das glândulas de Meibômio).

 
Porém, a luz intensa pulsada, usada para tratamentos de doenças nos olhos, não é a mesma usada em tratamentos estéticos. Além disso, precisa ser aplicada por um oftalmologista, especializado e treinado para usar o equipamento.
 
Com a ajuda da oftalmologista Dra. Tatiana Nahas, especialista em doenças das pálpebras e Chefe do Serviço de Plástica Ocular da Santa Casa de São Paulo, fizemos uma lista dos 5 fatos mais importantes sobre a luz intensa pulsada para tratamentos de patologias oculares.

 
1- Desenvolvimento e evidências científicas

A luz intensa pulsada tem sido amplamente utilizada na dermatologia para o tratamento de várias doenças de pele. E foi justamente a observação dos efeitos da tecnologia nessas patologias que permitiu expandi-la para a área oftalmológica.
 
Isso porque observou-se que a luz pulsada, aplicada em algumas doenças de pele, tinha como efeito secundário a melhora de sintomas do olho seco. A partir dessa observação, foram realizados estudos clínicos para analisar se isso se confirmava em pacientes com blefarite, meibonite e olho seco.
 
Um desses estudos, publicado em 2019, no Journal of Ophatalmology, apontou uma melhora significativa dos sintomas, em apenas três sessões de luz pulsada. Além disso, mostrou um ótimo perfil de segurança, sem efeitos adversos, com redução drástica de recorrência das crises de blefarite no grupo que recebeu o tratamento. 


2-Como funciona

A energia luminosa da luz intensa pulsada é transformada em energia térmica, que permite a coagulação e ablação de capilares, com redução dos fatores inflamatórios. Também atua na redução de ácaros e bactérias envolvidos na blefarite.
 
Por último, o efeito térmico ajuda a desentupir as glândulas de Meibômio, facilitando a saída da secreção. E isso também ajuda a melhorar o filme lacrimal. Esse aspecto é extremamente importante para a melhora do olho seco.


3- O que pode ser tratado

A luz pulsada pode ser aplicada para pacientes com olho seco, blefarite, meibonite. Observou-se também que há benefícios em pacientes com terçol e calázio de repetição.

 

4- Quem pode aplicar

A luz intensa pulsada usada em patologias oftalmológicas deve ser aplicada por meio de um aparelho específico para esse fim. Além disso, só pode ser aplicada por um médico oftalmologista que tenha passado pelo treinamento e tenha experiência em manusear o aparelho, com todos os protocolos de segurança exigidos.


5- Quantas sessões precisa fazer

A luz intensa pulsada para tratamento da blefarite, meibonite e suas complicações é realizada por meio de três sessões, com intervalos de 15 dias. Cada aplicação dura em torno de 3 a 5 minutos, sendo indolor.


6- Quanto tempo dura o efeito

Os resultados são imediatos e cumulativos. Recomenda-se fazer uma sessão de controle anualmente.  Um procedimento adicional pode ser aplicado no dia 75 dependendo da severidade dos sintomas.

 

7- Pós procedimento

A aplicação é indolor. Portanto, não necessita de nenhuma sedação. Não é necessário repouso. O paciente pode retomar suas atividades imediatamente após a aplicação.  

Teste do pezinho ampliado no SUS vai acelerar diagnóstico de doenças raras


·         Lei que implementa teste do pezinho ampliado no SUS foi sancionada pelo presidente. Antes, o exame só existia na rede particular;

 

·         Existem entre 6 e 8 mil doenças raras no mundo, entre elas as Mucopolissacaridoses (MPS), identificáveis pelo teste do pezinho ampliado;

 

·         Sem o teste do pezinho, o paciente percorre uma jornada em vários médicos até ser encaminhado ao geneticista e identificar a doença, o que pode levar anos. 

 

 


A disponibilidade do teste do pezinho ampliado no SUS, determinada a partir da lei 5043/2020, vai acelerar o diagnóstico de doenças raras, hoje realizado apenas na rede privada. O exame é feito a partir da coleta de sangue do calcanhar do bebê, entre o terceiro e quinto dia de vida, e é capaz de diagnosticar mais de 50 doenças.  

 

Especialistas destacam que a lei, sancionada pelo Presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira (26), é um avanço para identificar e iniciar precocemente o tratamento de uma série de doenças raras, como a Mucopolissacaridoses (MPS), cujo tipo mais comum no Brasil é conhecido como Síndrome de Hunter. 


Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que existem entre 6 e 8 mil doenças raras no mundo. Destas, apenas 4% contam com algum tipo de tratamento e 30% dos pacientes morrem antes dos cinco anos de idade, principalmente por conta do diagnóstico tardio, que acaba impedindo o tratamento adequado da doença para que ela não chegue ao seu estágio mais avançado.

 

No Brasil, estima-se que 13 milhões de pessoas tenham alguma doença rara. O teste do pezinho realizado atualmente no Sistema Único de Saúde (SUS) detecta apenas seis doenças, enquanto a versão ampliada chega a 53, incluindo as patologias raras, que podem influenciar o desenvolvimento neurológico, físico e motor da criança. 

 

Assim como nas demais doenças raras, as MPS são de difícil diagnóstico, uma vez que há múltiplos sintomas e muitos são comuns a outras patologias. Muitas vezes, os cuidadores passam de quatro a cinco médicos até receberem o diagnóstico e serem encaminhados para um especialista. 

 

A geneticista, professora da Unifesp e membro da Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM), Dra. Ana Maria Martins, explica que o objetivo do teste do pezinho é detectar doenças antes delas se manifestarem. 

 

“O teste do pezinho ampliado melhora muito a qualidade de vida do recém-nascido brasileiro, já que quanto mais precoce é o diagnóstico, mais cedo a criança começa a ser tratada de maneira adequada, permitindo menores chances de haver complicações graves", comenta Dra. Ana Maria. "Hoje, no Brasil todo, a grande maioria dos pacientes dessas doenças acabam morrendo sem diagnóstico. Este teste do pezinho ampliado vai evitar mortes prematuras e complicações irreversíveis”, complementa. 

 

Para entrar em vigor, a lei do teste do pezinho ampliado depende de regulamentação do Ministério da Saúde. 

 

Mucopolissacaridoses (MPS) - Por ter sintomas comuns em outras patologias, o diagnóstico das Mucopolissacaridoses (MPS) acaba sendo demorado e complexo. Crianças com a doença podem sofrer limitações articulares, perda auditiva, problemas respiratórios e cardíacos, aumento do fígado e do baço, além de déficit no desenvolvimento neurológico. 

 

Todas estas manifestações são provocadas pela falta ou deficiência de enzimas necessárias para atividades químicas importantes para o organismo. A doença possui 11 tipos diferentes, cada um relacionado à deficiência de uma enzima específica. No Brasil, o tipo mais comum é a MPS II, também conhecida como Síndrome de Hunter.

 

As MPS são doenças hereditárias e afetam 1,57 em cada 100 mil nascidos vivos (dados do período de 1994 a 2018). Números da Rede MPS, entidade que reúne centros de tratamento para pacientes com a Síndrome de Hunter, mostram que 493 casos foram registrados no Brasil entre 1982 e 2019, uma média de 13 novos pacientes por ano.

 

Sem tratamento adequado, o doente pode morrer antes de completar 20 anos. Já com o diagnóstico precoce e o devido acompanhamento médico, o paciente pode desacelerar o avanço da doença e aprender a conviver com ela, levando uma vida mais tranquila. “Se fizermos o diagnóstico precoce da MPS, o paciente terá uma resposta maior ao tratamento e ele e sua família terão uma qualidade de vida”, explica a geneticista Dra. Ana Maria Martins.

 

No caso das Mucopolissacaridoses (MPS), não há cura, mas com tratamento adequado é possível controlar a doença e aumentar a expectativa de vida do paciente. Hoje, os médicos recorrem à reposição de enzimas como intervenção terapêutica, que se mostrou eficiente. Estudos apontam que novas enzimas são capazes de cruzar a barreira sangue-cérebro,  permitindo tratar, inclusive, as manifestações neurológicas. 

 

Como recuperar o olfato depois da infecção por Covid-19?

Otorrino e farmacêutica explicam como se dá a perda desse sentido e quais são as etapas do tratamento


O novo coronavírus tem muitas peculiaridades dificilmente vistas antes na Medicina. A alta transmissibilidade e a forma como o vírus afeta as mais diversas partes do corpo são objetos de pesquisa mesmo após um ano de pandemia. Um sintoma que intrigou o mundo foi a perda de olfato. Essa manifestação do corpo indicava quase certeza de um diagnóstico de Covid-19.

O médico otorrinolaringologista, Márcio Nakanishi, explica que a perda de olfato acontece por causa da similaridade entre os nossos receptores de cheiro e os "espinhos" presentes no vírus. "No nosso sistema olfatório existem esses receptores chamados de ACE 2, e o Covid tem uma chave, as espículas, que se encaixam exatamente na fechadura do epitélio respiratório. Por isso o vírus entra tão facilmente na via respiratória", explica o otorrino.

Nakanishi explica que não existe uma forma de evitar o sintoma, por isso é preciso tomar as medidas necessárias para não se contaminar com o novo coronavírus. A falta de olfato é um sintoma que pode ser leve e durar poucos dias, ou pode perdurar por muito tempo, mesmo que o corpo esteja livre do vírus. Por isso a necessidade de ir em um médico especialista. "O ideal é procurar um otorrinolaringologista, pois ele vai avaliar a extensão da alteração do olfato e propor as medidas necessárias para correção do problema", explica Leandra Sá de Lima, farmacêutica e consultora da Farmacotécnica.

Leandra aponta que uma das formas de avaliação mais utilizadas no Brasil é a Connecticut, validada pela USP de Ribeirão Preto. "Essa avaliação consiste em duas etapas: uma qualitativa e outra quantitativa", acrescenta. A fase quantitativa avalia a capacidade do paciente em perceber o cheiro em concentrações diminutas de um produto padronizado. "O médico apresenta 7 frascos de diferentes diluições do produto contra um frasco contendo água. Então o paciente precisa relatar em quais frascos sente mais o cheiro", exemplifica a farmacêutica.

Já na segunda fase, a qualitativa, o paciente é apresentado a cheiros comuns para os brasileiros, como café, sabonete e paçoca. Ele precisa identificar corretamente o que é o cheiro que lhe é apresentado. "De acordo com o desempenho no teste, o médico diagnostica e propõe as ações de tratamento", fala Leandra.


Tratamento

Segundo o otorrino Nakanishi, o tratamento é feito em duas partes: uma não farmacológica e outra farmacológica. "A primeira etapa consiste em um treinamento olfatório, onde usamos essências e estimulamos a recuperação do olfato", explica.

As essências podem ser vendidas em kits e é preciso que se faça um treinamento com a constância recomendada pelo médico para que se tenha resultados. "O paciente fará o treinamento duas vezes ao dia aspirando as essências e anotando em um relatório", exemplifica Leandra. Ela cita o ômega-3 e o ácido lipóico como essências que ajudam na recuperação do olfato, e cita as 4 essências presentes no kit da Farmacotécnica: rosas, eucalipto, cravo e limão.

A segunda fase do tratamento também é dividida, segundo o Dr. Nakanishi: uma para desinflamar a mucosa do nariz, e a outra para facilitar a regeneração do neuroepitélio olfatório. "Na segunda fase reduzimos a inflamação e depois ofertamos nutrientes e vitaminas que vão regenerar o neuroepitélio olfatório. Existem uma série de medicações que podemos usar", acrescenta o médico.

Nakanishi alerta que, assim como qualquer outra doença, a automedicação é fortemente contra-indicada. "É importante que o paciente procure um médico para que ele dê as orientações corretas e faça um bom acompanhamento do quadro", conclui.


Tratamentos biológicos inovadores para Asma Grave agora com acesso gratuito

De última geração, esses medicamentos substituem altas doses da terapia tradicional, reduzem crises e trazem qualidade de vida aos pacientes1,2

 

O mês de conscientização da Asma acontece em maio, e os brasileiros diagnosticados com Asma Grave têm motivos para comemorar a ampliação do acesso a terapias inovadoras de controle desta doença crônica.

A partir de 1 de abril de 2021, os tratamentos imunobiológicos para Asma Grave passaram a ter cobertura obrigatória dos planos de saúde, o que significa que para os pacientes que cumprirem os critérios de utilização do tratamento, estes medicamentos serão gratuitos.

Além disso, um novo tratamento imunobiológico avaliado pela CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS) teve recomendação favorável à incorporação no SUS, ou seja, em breve, mais opções estarão disponíveis de forma gratuita também na rede pública de saúde a todos os brasileiros .3,4

Outra conquista recente é a priorização dos pacientes com Asma Grave na vacinação contra a Covid-19 - iniciativa que serve também como alerta para quem subestima ou desconhece essa doença que, se não tratada adequadamente, não compromete apenas a saúde e a qualidade de vida do paciente, como pode levar a óbito.1,2,5 Também é importante lembrar que a vacinação anual contra influenza nos pacientes com asma moderada a grave de qualquer faixa etária, é medida importante para redução de crises da doença, especialmente em um cenário de saturação dos serviços de saúde em razão do aumento no número de casos de Covid-19.6,7

"A dificuldade de acesso ao tratamento era um dos entraves no controle da Asma Grave e limitava as nossas opções de indicação terapêutica. A ampliação da disponibilidade a medicamentos biológicos de última geração nas redes particular e pública representa um passo importante, que muda paradigmas no controle da doença, bem como significa mudanças essenciais na rotina dos pacientes", destaca a pneumologista Irma Godoy, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.

A executiva Sandra Humer, 51 anos, agora aposentada, convive com a Asma Grave há 8 anos. Hoje, a doença está controlada, mas Sandra sentiu na pele os afastamentos recorrentes do trabalho por conta da Asma Grave, além de internações hospitalares, chegando a ir para UTI (Unidade de Terapia Intensiva) algumas vezes. "Não conseguia tomar banho, andar com os colegas para almoçar ou arrumar a cama", conta. Atualmente, ela usa medicação imunobiológica e tem uma vida normal, viaja, caminha diariamente até 5 km, nada e dança sempre que pode. "Antes usava uma quantidade alta de corticoides e tinha quadros de pneumonia. Cheguei a engordar, ficar inchada. Felizmente meu marido sempre esteve ao meu lado durante essa jornada", lembra.

Para a presidente da ASBAG (Associação Brasileira de Asma Grave), Raissa Cipriano, "a falta de informação e o direcionamento tardio para um especialista são obstáculos na jornada do paciente com Asma Grave". Enquanto os adultos levam, em média, quatro anos entre os primeiros sintomas e o diagnóstico, as crianças demoram um ano.8

G., 8 anos, filha de Raissa, sofre dos sintomas desde os primeiros meses de vida, mas só teve o diagnóstico de Asma Grave aos 2 anos. "Passamos por vários médicos, inúmeras crises, 32 internações e a necessidade de uso constante de oxigênio. Foi


apenas com 4 anos que ela recebeu o tratamento adequado. Hoje, tem uma vida normal, corre, brinca, vai à escola, mas antes se cansava para falar, ir do sofá da sala ao banheiro e não conseguia alcançar a irmã mais nova nas brincadeiras", conta Raissa. "Estamos sempre em busca de tratamentos mais eficazes e a liberação dos imunobiológicos representam uma revolução no controle da doença, permitindo ao paciente ter melhor qualidade de vida e saúde, maior liberdade para realizar as atividades que desejam e traz maior conforto aos pais, afinal só quem têm crianças com Asma Grave sabe como os cuidados começam do raiar do dia e seguem muitas vezes pela madrugada", acrescentou a mãe.


Sobre a Asma Grave

Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2019, 262 milhões de pessoas no mundo viviam com Asma, sendo que de 5% a 10% desses pacientes têm Asma do tipo Grave.8,9 No total, ocorreram mais de 46 mil mortes relacionadas à doença globalmente.9,10 No Brasil, cerca de 20 milhões de pessoas convivem com diferentes formas desta doença respiratória, inflamatória e de origem alérgica.9 A Asma é a terceira ou quarta causa de hospitalizações pelo SUS, conforme o grupo etário, tendo em média

• internações anualmente.10 Uma das principais medidas para o controle da Asma é o tratamento adequado de acordo com a gravidade da doença e a adesão do paciente ao tratamento.11

Existem diferentes tipos de Asma e tratamentos.12,13 Segundo Dra. Irma, o diagnóstico de Asma Grave leva em consideração a quantidade de medicação que deve ser administrada diariamente (corticoides) e outras terapias de apoio, em dosagens elevadas, o que pode ter como consequência o agravamento ou desenvolvimento de comorbidades, como diabetes e obesidade".10,11,12

A médica ainda complementa: "os pacientes com a Asma Grave têm maior número de exarcebações, crises que os fazem procurar a emergência frequentemente, e envolve ainda internações hospitalares com regularidade, chegando a precisar de cuidados em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva)".11,12,13

Os imunobiológicos mudaram o manejo de várias doenças autoimunes, caso da Asma Grave.1,2 De última geração, esses medicamentos biológicos são indicados para tratar os casos da doença que não respondem ao tratamento convencional.11 "Com esse tipo de terapia mais acessível, o tratamento torna-se mais preciso e personalizado, levando em conta as necessidades de cada paciente", enumera a presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).

Indicado, em geral, como tratamento complementar de manutenção da Asma Grave, em pacientes adultos, adolescentes e crianças a partir dos 6 anos de idade, os imunobiológicos reduzem as internações hospitalares e as visitas aos prontos-socorros, causadas pelos episódios de crises.2,12,13.14,15

 

 

Referências:

• ANTONICELLI, L., et al. Asthma severity and medical resource utilization. European Respiratory Journal 23- 34: 723-729, 2004.

• CHUNG, KF. et al.International ERS/ATS guidelines on definition, evaluation and treatment of severe asthma. Eur Respir J; 43(2):343-73, 2014

• Resolução Normativa - RN 465, de 24 de fevereiro de 2021. Disponível em:

<https://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&task=TextoLei&format=raw&id=NDAzMw>. Acesso em: maio de 2021.

• COMISSÃO NACIONAL DE INCORPORAÇÃO DE TECNOLOGIAS NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE 97ª Reunião da Conitec. Disponível em:


<
https://conitec.gov.br/images/Reuniao_Conitec/2021/20210505_Pauta_97_PosReuniao.pdf>. Acesso em: 11 maio 2021.

• BRASIL. Ministério da Saúde. Plano Nacional de Vacinação Covid-19, 23 de março de 2021. Disponível em:

https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2021/marco/23/plano-nacional-de-vacinacao-covid-19-de-2021>. Acesso em maio de 2021.

• ESTADÃO. Disponível em: https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,pandemia-pressiona-sus-e-rede- privada-hospitais-tem-ate-13-dos-leitos-so-com-pacientes-de-covid,70003257283 . Acesso em: maio de 2021

• MINISTÉRIO DA SAÚDE. Campanha da Vacina da Gripe. Disponível em: < https://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/vacinacaogripe/>. Acesso em: maio de 2021.

• Jornal O Estado de São Paulo. Disponível em: https://emais.estadao.com.br/noticias/bem-estar,diagnostico- de-asma-grave-demora-em-media-4-anos-indica-pesquisa,70003301764 . Acesso em: maio de 2021

• Word Health Organization. Global Initiative For Asthma (GINA). Pocket Guide For Asthma Management and Prevention. Disponível em: https://ginasthma.org/wp-content/uploads/2020/04/Main-pocket- guide_2020_04_03-final-wms.pdf . Acesso em: maio de 2021.

• World Health Organization. Global burden of 369 diseases and injuries in 204 countries and territories, 1990- 2019: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2019. Lancet. 2020;396(10258):1204-22

• SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA. Disponível em:

https://sbpt.org.br/portal/espaco-saude-respiratoria- asma/#:~:text=Estima%2Dse%20que%20no%20Brasil,em%20m%C3%A9dia%2C%20350.000%20interna% C3%A7%C3%B5es%20anualmente . Acesso em: maio de 2021.

• AMERICAN LUNG ASSOCIATION. Disponível em: <https://https://www.lung.org/lung-health-diseases/lung-disease- lookup/asthma/learn-about-asthma/severe-asthma>. Acesso em: maio de 2021.

• BRITISH SOCIETY OF IMMUNOLOGY. Disponível em: <https://https://www.immunology.org/public- information/bitesized-immunology/immune-dysfunction/autoimmunity-introduction>. Acesso em: maio de 2021.

• KHURANA, S. et al. Long term safety and clinical benefit of mepolizumab in patients with the most severe eosinophilic asthma: the COSMEX study. Clini Ther, 41: 2041-56, 2019.

• TAILLÉ, C et al. Mepolizumab in a population with severe eosinophilic asthma and corticosteroid dependence: results from a French early access programme. Eur Respir J, 55(6): 1902345, 2020.

• BAGNASCO D, et al. Pulmonary pharmacology & therapeutics 58 (2019): 101836

• AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Nota técnica nº 3/2021/GEAS/GGRAS/DIRAD- DIPRO/DIPRO. Disponível em: https://www.ans.gov.br/images/NOTA_T%C3%89CNICA_N%C2%BA_3_E_ANEXOS.pdf. Acesso em: 17 maio 2021.


O desafio de combater a mortalidade materna, em cenário de pandemia

Covid-19 coloca-se como mais um obstáculo à redução de mortes de gestantes e puérperas em decorrência de complicações evitáveis

 

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) alerta para a necessidade de atenção à saúde da gestante para além da pandemia de Covid-19. Ao lado das perdas decorrentes da infecção pelo novo coronavírus, a cada cinco horas*, uma mulher morre devido a outras complicações gestacionais – sobretudo, eclampsia, hemorragia e infecção puerperal. A Febrasgo aponta que parte considerável desses casos de mortalidade materna (morte de uma mulher durante a gestação ou puerpério – período de 42 dias após o parto) é evitável por meio de cuidadoso acompanhamento obstétrico antes, durante e após a gestação. 

 

O obstetra Dr. Marcos Nakamura Pereira, presidente da Comissão Nacional Especializada em Mortalidade Materna da Febrasgo, aponta que o planejamento da gestação e o pré-natal têm papel primordial para a identificação de eventuais adversidades que possam evoluir para complicações. “Existem algumas formas bem estabelecidas para a prevenção de óbitos de gestantes e puérperas. Uma mulher que planeja engravidar pode identificar e controlar doenças pré-existentes (como hipertensão e diabetes) antes da concepção. Caso isso não ocorra, os riscos elevam-se bastante”. O especialista acrescenta que por meio de pré-natal adequado, é possível acompanhar a evolução da gestante e buscar controlar as intercorrências de saúde que inspirem maior cuidado. 

 

Causas de Óbitos


Segundo dados do Ministério da Saúde, de 2015 a 2019, anualmente, a mortalidade materna vitimou cerca de 1650 mulheres em média. As causas mais recorrentes foram eclampsia (14%), hipertensão gestacional com proteinúria significativa (10,6%), hemorragia pós parto (10%) e infecção puerperal (5,8%).

 

Os desafios de combater a mortalidade materna perpassam, contudo, outros âmbitos que impactam a saúde da mulher. De acordo com pesquisa DataFolha, realizada antes da pandemia, 13% das brasileiras afirmou não realizar consultas ginecológicas. Dentre as que a buscam atendimento, a idade média da primeira consulta era de 20 anos, geralmente por suspeita ou quadro de gravidez. Essa faixa etária (10 a 19 anos) corresponde por 12,8% do total de óbitos maternos registrados pelo Ministério da Saúde. Na outra ponta, gestantes com mais de 35 anos – a chamada gestação tardia – apresentam-se mais suscetíveis a quadros de hipertensão arterial, diabetes, obesidade e outros fatores de risco para complicações que as tornam o grupo com maior potencial de vulnerabilidade.

 

Covid-19


A infecção decorrente do novo coronavírus tornou-se a principal razão de óbitos de gestantes em 2020 e caminha para repetir semelhante quadro em 2021. Ao longo dos 14 meses de pandemia, 1149 gestantes e puérperas faleceram em decorrência da Covid-19 (695 delas, somente neste ano), segundo dados do Observatório Obstétrico Brasileiro COVID-19 (OOBr Covid-19).

 

Paralelamente ao receio de se contaminarem, os adiamentos de consultas, menor acesso a opções contraceptivas e eventual redução de atendimentos ambulatoriais para acompanhamento de comorbidades contribuíram para esse cenário. “Ao lado dessas perdas, a Covid-19 reflete também um grau de prematuridade dos bebês que pode afetar a vida da criança e da família toda”, comenta a obstetra Dra. Rosiane Mattar, presidente da Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da Febrasgo. 

 

A complexidade da situação, associada à necessidade de atualização contínua de informações para orientação técnica, levou a Febrasgo a organizar uma Comissão Nacional Especializada Temporária para constante acompanhamento de pesquisas, estudos e políticas públicas para a construção de recomendações médicas para nortear o trabalho de ginecologistas e obstetras de todo o país. “Ao todo, são 18 especialistas que têm dialogado diariamente para orientar e capacitar a população e o tocoginecologista para lidarem não somente com a Covid-19, mas também sua relação com outras doenças e condições de saúde”, explica a Dra. Rosiane que também preside essa Comissão.

 

Live

Para ampliar a discussão sobre os desafios para a redução da mortalidade materna, no próximo dia 28, a Febrasgo realiza o evento online ‘II Encontro Nacional pela Saúde da Mulher e Redução da Mortalidade Materna’. A transmissão ocorrerá, às 13h, nos canais da federação no Facebook e Youtube.

 

*Fonte: MS/SVS/CGIAE - Sistema de Informações sobre Mortalidade – SIM


31 de maio de 2021

 

Dia Mundial Sem Tabaco: 34% dos fumantes no Brasil declararam ter aumentado o número de cigarros fumados durante a pandemia


“Já cigarro eletrônico está associado a danos irreparáveis ao pulmão e a um pior prognóstico nos pacientes que contraem COVID-19”, alerta oncologista

 

Desde final de 2019, o mundo vive um dos momentos mais dramáticos da sua história com o surgimento e explosão do Sars CoV-2. Já foram mais de 400 mil mortes no Brasil por COVID-19 desde o início da pandemia e 3,48 milhões de mortes no mundo. Mas, ainda assim, é importante lembrar de outra pandemia, que atravessa séculos, e que mata – sozinha – mais de 7,5 milhões de pessoas ao ano: o tabagismo. No próximo 31 de maio, é celebrado o Dia Mundial Sem Tabaco e um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontou que 34% dos fumantes no Brasil declararam ter aumentado o número de cigarros fumados durante a pandemia, um crescimento associado à deterioração da saúde mental dos tabagistas em meio ao isolamento social. “Além da ansiedade de ter que ficar em casa, a forma de comprar e obter o cigarro foi ainda mais facilitada na pandemia. As pessoas podem solicitar o cigarro por meio de aplicativos de entregas, tendo produto em minutos em casa e, na maioria das vezes, sem a verificação da idade do comprador”, alerta o afirma o oncologista, Vinícius Corrêa da Conceição, sócio do Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia.

 

Segundo o oncologista, o cigarro é, ainda, o principal fator relacionado a doenças respiratórias como asma, bronquite e enfisema pulmonar. E nesse caso, não tem como dissociar o cigarro da COVID-19.  “É inegável que a pandemia do cigarro agrava a COVID-19. Logo no início da pandemia, em 2020, a Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT/OMS) informou que pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, em Wuhan, na China, haviam constatado que as chances de progressão da doença e de óbitos entre fumantes eram 14 vezes maiores do que em não fumante.  O cigarro provoca uma inflamação crônica nos pulmões, causando distúrbios pulmonares graves, além de sabidamente reduzir a imunidade de quem fuma.  Portanto, uma parcela das pessoas que morreram em decorrência da COVID-19, indiretamente são vítimas do cigarro”, explica.

 

De acordo com boletim informativo do Ministério da Saúde, desde a primeira contaminação notificada no Brasil até a 53ª semana epidemiológica, período que compreendeu de 27 de dezembro de 2020 a 2 de janeiro de 2021, 191.552 óbitos em decorrência da COVID-19 haviam sido registrados, sendo que 42% das vítimas eram cardiopatas (lembrando que o cigarro é a segunda maior causa de doenças cardiovasculares) e 6% tinham problemas crônicos pulmonares. “Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Stanford, na primeira fase da pandemia, mostrou que jovens que usam cigarros eletrônicos tinham de 5 a 7 vezes mais risco de terem COVID-19, provavelmente em razão dos danos pregressos das vias aéreas”, conta Dr. Vinicius.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) espera para 2021, algo próximo de 8 milhões de mortes em todo mundo por doenças causadas pelo hábito de fumar. Só no Brasil são cerca de 430 mortes ao dia relacionadas ao tabagismo, cerca de 160 mil mortes ao ano.

 

Câncer de pulmão e cigarro


Recentemente, a cantora Rita Lee, anunciou por meio de sua assessoria de imprensa, que está com câncer de pulmão e rapidamente a notícia teve grande repercussão, causando comoção entre os fãs da artista de 73 anos. Segundo Dr. Vinicius, o cigarro é disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer e está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância para as neoplasias de pulmão, cabeça e pescoço, bexiga e trato gastrointestinal. “Dentre todos os tumores, o de pulmão é o de maior incidência. 15% de quem fuma deverá desenvolver esse tipo de câncer em algum momento da vida; além disso, 80 a 90% de quem tem o diagnóstico de neoplasia pulmonar é tabagista. Ainda, cerca de 80% dos tumores de pulmão são descobertos em fases avançadas, com metástases, quando o câncer já se espalhou pelo corpo e a chance de cura é muito baixa. São 1,8 milhões de casos novos de câncer de pulmão diagnosticados todos os anos no mundo, com 1,6 milhões de mortes”, explica  o oncologista.

 

Vinícius Corrêa da Conceição - médico oncologista graduado pela Unicamp, com residência médica em Clínica Médica e Oncologia pela Unicamp. Tem título de especialista em Cancerologia e Oncologia Clínica pela Sociedade Brasileira de Oncologia. Foi visiting fellow no Serviço de Oncologia do Instituto Português de Oncologia (IPO), no Porto. Membro titular da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), da Sociedade Europeia de Oncologia (ESMO), da International Association for the Study of Lung Cancer (IASLC), do Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM), da Sociedade Brasileira de Oncologia (SBOC) e da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC), Vinícius é sócio do Grupo SOnHe e atua na Oncologia do Instituto do Radium, do Hospital Madre Theodora, do Hospital Santa Tereza e atua e é responsável técnico da Oncologia da  Santa Casa de Valinhos.

 


Grupo SOnHe - Sasse Oncologia e Hematologia

www.sonhe.med.br 

@gruposonhe.


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