Médico explica impacto da intervenção
sobre doenças crônicas e necessidade de complementos nutricionais, reforçando
que rotina simplificada é suficiente para a maioria dos pacientes
Muitas
pessoas que convivem com a obesidade fazem uso diário de diversos comprimidos,
a exemplo de medicamentos para controlar a pressão arterial, o diabetes, o
colesterol e outras comorbidades que podem estar associadas a essa condição de
saúde. Para quem recorre à cirurgia bariátrica, o resultado costuma ir além da
perda de peso, podendo levar à suspensão desses remédios. O procedimento traz
mais saúde e praticidade à rotina, mas também a prescrição médica de
suplementos alimentares, muitas vezes cercada de mitos.
O cirurgião bariátrico César De Fazzio, fundador do
Instituto de Cirurgia Digestiva (ICD), em Brasília, esclarece que o maior ganho
para o paciente operado não é apenas deixar de tomar vários comprimidos por
dia, mas mudar o foco do tratamento. “O verdadeiro benefício é que o paciente
obeso deixa de tratar as consequências das doenças e passa a tratar as causas.
Muitas questões de saúde resultam do descontrole hormonal e metabólico causado
pela obesidade. É como tentar apagar um incêndio colocando água apenas nas
chamas, enquanto o fogo continua queimando embaixo”, ilustra.
Diferentemente do tratamento medicamentoso que busca
controlar os sintomas e prevenir complicações a longo prazo, a cirurgia atua na
raiz do problema. Ao reequilibrar o funcionamento hormonal antes mesmo de
promover uma perda de peso expressiva, as doenças associadas podem entrar em
remissão, afirma De Fazzio. “O diabetes melhora porque a insulina volta a
funcionar. A pressão normaliza porque os vasos ficam saudáveis. Quando o metabolismo
é reprogramado, a tendência é haver redução ou até eliminação da necessidade de
suporte farmacológico contínuo”, destaca.
O papel dos suplementos alimentares
A cirurgia bariátrica altera a anatomia do sistema
digestivo. Apesar dos benefícios ao metabolismo, ela também provoca a redução
da absorção de nutrientes devido à diminuição da superfície de contato e outros
fatores, por isso a suplementação se torna indispensável, em muitas técnicas.
Na prática, a manutenção da saúde pós-operatória é simplificada e exige,
fundamentalmente, aporte proteico adequado e um polivitamínico diário, afirma o
especialista. Em alguns casos, pode haver necessidades adicionais, verificadas
por meio de exames.
O cirurgião alerta que, muitas vezes, a sensação de
excesso de comprimidos na suplementação pode ocorrer quando são incorporados à
rotina produtos sem comprovação clínica. “Vemos muito o uso de 'suplementos
perfumaria', que não trazem benefício real, com embasamento científico, e são
vendidos apenas para criar a impressão de que algo está sendo feito. Isso
confunde o paciente, gera gastos desnecessários e pode até prejudicar a adesão
ao que é realmente vital para o organismo”, ressalta De Fazzio.
Tanto a redução de fármacos de uso contínuo quanto a
adição de suplementos deve ser realizada com acompanhamento profissional,
visando a segurança e a manutenção da saúde. “Quando bem orientado, o paciente
bariátrico recupera a qualidade de vida, trocando uma farmácia de remédios pelo
essencial para manter o bom funcionamento do corpo”, resume o médico.
Nenhum comentário:
Postar um comentário