Momentos de grande ansiedade e adrenalina fazem o organismo descarregar a tensão física na musculatura profunda; o hábito involuntário de contrair o abdômen e a pelve agrava quadros de desconforto crônico.
Quem
acompanha futebol sabe que os 90 minutos de um jogo decisivo de Copa do Mundo
são um teste para os cardíacos. Mas a verdade é que o corpo inteiro sente o
impacto. Aquela explosão de adrenalina misturada com o nervosismo de um gol que
não sai faz a gente passar o jogo todo em estado de alerta. O resultado? No dia
seguinte, a conta chega na forma de ombros travados, pescoço rígido e aquela dor
incômoda na lombar. O que quase ninguém nota é que esse estresse todo costuma
se alojar bem no centro do nosso corpo.
A
fisioterapeuta pélvica e palestrante Flaviana Teixeira explica que o corpo
reage ao sofrimento da torcida enrijecendo os músculos sem que a gente perceba.
"Quando a gente entra em modo de defesa por causa do estresse, a tendência
natural é encolher. O torcedor passa horas na frente da TV prendendo a
respiração, encolhendo a barriga e travando a região do períneo. É o corpo
físico pagando a conta de uma tensão que começou na cabeça", afirma.
Esse
hábito de murchar o abdômen e travar o quadril nos lances mais tensos parece
inofensivo, mas é um perigo silencioso. Para quem já sofre com dores crônicas
nas costas ou na região pélvica, a época do mundial vira um prato cheio para
novas crises. Essa musculatura mais profunda, quando muito sobrecarregada,
simplesmente esquece como relaxar, criando um ciclo de rigidez que não passa
sozinho.
A boa
notícia é que dá para torcer sem terminar o campeonato travado na cama. A dica
de ouro é aproveitar o intervalo do jogo ou as paralisações do VAR para dar uma
checada no próprio corpo. Mudar de posição na cadeira, girar os ombros e, acima
de tudo, respirar fundo,deixando a barriga e as costelas se moverem, ajuda a
mandar um recado de calma para o cérebro.
"Ninguém precisa assistir ao jogo congelado. Dá para vibrar, gritar e torcer pela seleção mantendo o corpo solto. Prestar atenção na respiração e relaxar o quadril entre um ataque e outro evita que a festa do futebol vire uma ida ao consultório na segunda-feira", aconselha Flaviana.
Fonte: Flaviana Teixeira — Fisioterapeuta Pélvica | Palestrante
@flavianateixeirafisiopelvica
flavianafisiopelvica.com.br
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