60%
dos diabéticos acompanhados pela Alice têm a glicemia controlada com modelo
baseado em atenção primária, coordenação de cuidado e tecnologia
Todo ano, o Junho Vermelho mobiliza campanhas para ampliar o número de doadores de sangue no Brasil. A taxa atual, de cerca de 1,8% da população, está abaixo do mínimo recomendado pelo Ministério da Saúde, que é entre 3% e 5%. As campanhas costumam tratar o problema como falta de motivação. Mas há outro fator que raramente entra na conversa: a aptidão clínica e o quanto ela está ligada a informações que a maioria das pessoas não tem.
Diabetes é um exemplo comum. Uma parte significativa das pessoas com a condição acredita estar automaticamente impedida de doar. No entanto, a contraindicação não é o diagnóstico de diabetes, mas sim a glicemia fora de controle. Diabéticos com os valores dentro dos parâmetros e sem uso de insulina são, em geral, elegíveis para doação. O critério, na triagem, é o controle da doença.
"A maioria das pessoas com diabetes não sabe que pode ser elegível para doação. Boa parte das vezes porque nunca teve uma consulta que explicasse isso com clareza. Para afirmar ao paciente que ele está apto, o médico precisa conhecer sua glicemia, seu histórico, seu tratamento. Esse tipo de informação só existe quando há acompanhamento ao longo do tempo", explica Daniel Knupp, líder médico na Alice, plano de saúde para empresas que tem por missão tornar o mundo mais saudável.
Manter a glicemia dentro dos parâmetros não acontece por acaso. Exige acompanhamento regular, ajuste de tratamento e um profissional que conheça o histórico do paciente ao longo do tempo, o que a medicina de família chama de coordenação de cuidado. Quando esse modelo funciona, os ganhos vão além de qualquer critério isolado de elegibilidade: menos complicações, menos internações, melhor qualidade de vida.
Os dados do Health Report, levantamento da Alice realizado com quase 80 mil membros acompanhados ao longo de 2025, ajudam a dimensionar o potencial dessa conversa. Entre os membros com diabetes, 60% apresentam controle glicêmico adequado, acima dos 47% registrados nos Estados Unidos, uma das principais referências globais no tema. Os resultados clínicos observados vão além dos indicadores de controle. Entre os membros com diabetes, a taxa de internação foi de 37 por 100 mil pessoas, cerca de um terço da média observada em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Nenhum membro com hipertensão precisou retornar ao hospital em até 30 dias após uma internação, índice que chega a 11% nos Estados Unidos.
No modelo da Alice, cada membro conta com um Médico de Família e Comunidade que acompanha sua saúde ao longo do tempo, coordenando o cuidado com enfermeiros, especialistas e ferramentas digitais que integram dados clínicos em tempo real. É esse profissional que acompanha a glicemia e o uso de medicamentos, os mesmos parâmetros avaliados na triagem de doação.
"O acompanhamento contínuo não muda apenas o controle dos exames, mas também o que o paciente sabe sobre si mesmo. Quando alguém vive com diabetes há anos e nunca teve uma consulta que explicasse o que aqueles números significam na prática, existem perguntas que essa pessoa simplesmente não consegue responder, nem para si mesma, nem para um enfermeiro de triagem", diz Knupp.
O médico destaca ainda que quando uma doença crônica é acompanhada de forma consistente, o paciente entende melhor sua condição, adere mais ao tratamento e reduz o risco de complicações. “Isso tem consequências práticas que vão além da saúde individual: a pessoa amplia o que é capaz de fazer, o que pode oferecer. Para muitos diabéticos, descobrir que podem contribuir com um hemocentro é uma dessas consequências. Pequena, mas concreta", conclui o especialista.
O Dia
Mundial do Doador de Sangue é celebrado em 14 de junho. Pessoas com diabetes
que queiram verificar aptidão para doação podem buscar orientação com seu
médico ou comparecer a um hemocentro para triagem.
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