Relatório
aponta mudança no perfil dos roubos, com avanço para áreas urbanas, maior
seletividade e foco em cargas de alto valor
- RJ consolida
liderança: estado do Rio de Janeiro
concentra 44% do prejuízo nacional e puxa a alta do Sudeste, que voltou a
dominar o mapa do risco;
- Foco em alto valor: roubo de medicamentos salta de 1,7% no primeiro tri de 2025 para
22,3% em 2026, indicando migração das quadrilhas para alvos de maior liquidez;
- Risco urbano na última
milha: ocorrências em trechos urbanos mais que
dobraram, saltando de 18,9% para 38,5% do total de perdas do país;
No primeiro trimestre de 2026, o
cenário de roubo de cargas no Brasil confirmou uma transformação profunda que
já estava sendo vista nos últimos meses: o risco deixou de ser apenas
concentrado e previsível para se tornar dinâmico, seletivo e focado no valor e
na liquidez da carga. O Sudeste voltou a intensificar sua
concentração histórica de roubos, saltando de 61%, no primeiro trimestre de
2025, para 78,2% dos prejuízos nacionais no mesmo período de 2026.
O grande responsável por essa alta foi
o estado do Rio de Janeiro, que ampliou sua liderança e atingiu 44% dos
prejuízos, contra 16,4% no 1°tri de 2025 e 17,5% no de 2024. Em
contrapartida, a região Norte, que havia chegado a 20,2% no mesmo período de
2025, zerou suas ocorrências em 2026, enquanto o Nordeste cresceu para
20,2%, com destaque para a Bahia (que explodiu de 0,7% para 9,2%).
Os números são do relatório “Report nstech de Roubo
de Cargas”, elaborado pela nstech, maior empresa de software para supply
chain da América Latina e uma das 5 maiores SaaS do Brasil. O estudo é baseado
nas informações apuradas pelas gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech,
que integram o ecossistema da companhia.
Perfil dos roubos e a transição para
cargas de alto valor
A principal mudança estrutural
evidenciada foi o salto expressivo dos prejuízos envolvendo medicamentos,
que saíram de 1,7% no 1T25 para 22,3% no 1T26. O levantamento ainda mostra
que o crime passou a operar com uma lógica de portfólio focada em valor:
40,4% dos prejuízos do trimestre envolveram cargas avaliadas em mais de R$ 1
milhão, sendo quase metade dessas perdas (44,4%) do setor farmacêutico.
As cargas fracionadas seguem como a
base do risco e lideram o ranking geral com 36,6%, crescendo 8,2% comparado com
o 1T25. Por outro lado, houve uma inversão notável no roubo de cigarros,
que despencou de 34,1% para apenas 3,7%, quando comparado o primeiro
trimestre de 2025 e 2026.
O Rio de Janeiro, epicentro do
risco, concentrou 51,9% de todo o prejuízo do estado, sendo 60,7% dos
roubos fluminenses em trechos urbanos. Em nível nacional, a incidência nessas
áreas saltou de 18,9% para 38,5%, indicando que o crime está migrando dos
corredores logísticos para a "última milha" de distribuição.
“Diante dos dados, fica claro que o
foco dos criminosos não é mais o volume e sim o valor da carga e sua liquidez.
Essa migração tem implicações diretas para a segurança logística no Brasil. O
risco se aproxima da última milha, se infiltra em operações urbanas e exige uma
resposta cada vez mais baseada em inteligência, integração de dados,
colaboração logística e capacidade de adaptação”, analisa Cristiano Tanganelli,
VP de Inteligência de Mercado da nstech.
Estudo também detalha o novo calendário
do crime e rotas críticas
O calendário da criminalidade mudou de
forma relevante. A quinta-feira disparou e assumiu a liderança, concentrando
30% dos prejuízos, seguida pelas segundas (20,7%) e terças-feiras (16,5%).
O domingo, que representava mais de 10% nos anos anteriores, caiu
drasticamente para 1,4%.
Na análise de horários, a manhã
(28,6%) e a madrugada (28%) foram os períodos mais críticos, com o segundo
apresentando uma alta em relação ao primeiro trimestre de 2025 (quando tinha
apenas 12,4%), sugerindo uma tática de exploração de janelas de menor
fiscalização. Entre as rodovias, a BR-101 (21,6%) e a BR-116 (13%) voltaram
ao radar com força e lideraram os prejuízos nacionais rodoviários.
Tecnologia como chave para mitigação de
prejuízos
Apesar do ambiente de risco mais
dinâmico e inteligente, os investimentos em tecnologia preditiva e rastreamento
avançado demonstraram resultados expressivos. Entre janeiro e março de 2026, as
gerenciadoras do ecossistema nstech evitaram mais de R$ 72 milhões em
prejuízos.
Mesmo com um aumento de 13% no volume
de mercadorias gerenciadas — ultrapassando R$ 550 bilhões no período —, a
sinistralidade foi reduzida e o volume de cargas recuperadas cresceu 9%.
"A antecipação e a prevenção
exigem inteligência aplicada, integração e uso intensivo de dados para
identificar padrões e agir antes que o risco se concretize. O objetivo fica
claro: transformar informação em estratégia e, depois, em ação é chave para a
maior segurança nas estradas", aponta o especialista.
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