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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Doação de sangue é essencial para tratamento de bebês prematuros

Magnific
Especialistas da ONG Prematuridade.com alertam que recém-nascidos internados em UTIs neonatais frequentemente necessitam de transfusões sanguíneas durante a internação


Junho Vermelho, campanha dedicada à conscientização sobre a doação de sangue, chama atenção para um gesto simples que pode ser decisivo para a sobrevivência de bebês prematuros. Recém-nascidos internados em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIs Neonatais), especialmente os de extremo baixo peso, frequentemente precisam de transfusões sanguíneas ao longo da internação. Entre os principais motivos estão anemia, pois o bebê nasce antes de o corpo produzir glóbulos vermelhos suficientes; perda de sangue em função de exames, o que reduz o volume sanguíneo; dificuldade de produção de células sanguíneas, uma vez que a medula óssea ainda é imatura; além de complicações clínicas, como infecções ou cirurgias. 

Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou mais de 3,31 milhões de bolsas de sangue coletadas em 2024, um aumento de 1,9% em relação ao ano anterior. Apesar disso, apenas 1,6% da população brasileira realiza doação de sangue regularmente, índice considerado adequado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas ainda insuficiente para manter os estoques estáveis ao longo do ano. 

A doação regular é fundamental para garantir assistência rápida e adequada aos recém-nascidos que dependem desse suporte. Além das transfusões de hemácias, bebês prematuros também podem necessitar de plaquetas e plasma em diferentes fases do tratamento, conforme a evolução clínica. 

“A doação de sangue é um ato de solidariedade que impacta diretamente a vida de milhares de pessoas, incluindo prematuros internados em UTIs neonatais. Muitas famílias desconhecem essa relação, mas os estoques dos hemocentros são fundamentais para garantir o cuidado desses recém-nascidos”, destaca Denise Suguitani, diretora executiva da ONG Prematuridade.com. 

A pediatra e neonatologista Dra. Lilian Sadeck, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria e membro do Conselho Científico da ONG Prematuridade.com, reforça que bebês prematuros extremos podem necessitar de transfusões ao longo da internação hospitalar, principalmente devido à anemia da prematuridade e às condições clínicas associadas ao nascimento antecipado. “Cada bolsa de sangue doada pode ajudar diretamente no tratamento e recuperação desses bebês, que muitas vezes permanecem semanas ou meses internados. Por isso, campanhas como o Junho Vermelho são fundamentais para conscientizar a população sobre a importância de doar regularmente”, afirma a especialista. 

A doação de sangue e seu processamento são fundamentais para garantir a disponibilização de componentes sanguíneos para pacientes que necessitam de transfusões, como vítimas de acidentes, pessoas submetidas a cirurgias, pacientes em tratamento oncológico e recém-nascidos internados em UTIs neonatais. O sangue não possui substituto e, por isso, a doação voluntária é indispensável. Uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas. 

Para doar sangue, é necessário estar em boas condições de saúde, apresentar documento oficial com foto, ter entre 16 e 69 anos, sendo que menores de idade devem estar acompanhados por responsável legal e pesar no mínimo 50 quilos. Também é recomendado não estar em jejum, evitar alimentos gordurosos antes da doação, ter dormido ao menos seis horas na noite anterior e não ter consumido bebidas alcoólicas nas 12 horas que antecedem a coleta. 

Entre os impedimentos temporários para doação estão sintomas gripais ou febre, gestação e período de amamentação, realização recente de tatuagem ou piercing, além de algumas condições clínicas e situações de risco definidas durante a triagem. Já entre os impedimentos definitivos estão doenças como hepatites após os 11 anos de idade, doença de Chagas, infecção por HIV e uso de drogas injetáveis. 

Os intervalos entre as doações também devem ser respeitados: mulheres podem doar a cada 90 dias, com limite de três doações por ano, enquanto homens podem doar a cada 60 dias, com máximo de quatro doações anuais. 

O Ministério da Saúde reforça ainda que pessoas com sintomas ou diagnóstico recente de Covid-19 devem aguardar os prazos recomendados antes de doar sangue. As orientações seguem normas técnicas da pasta e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), garantindo segurança tanto para os doadores quanto para os pacientes que receberão as transfusões. 

“Além de beneficiar pacientes em situações de urgência, a doação de sangue também desempenha papel essencial na assistência neonatal, oferecendo uma chance de recuperação para recém-nascidos que chegam ao mundo antes do esperado”, conclui Dra. Lilian.


Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros – ONG Prematuridade.com


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