Especialista alerta para os impactos do
bruxismo na saúde integral e apontam como a rotina de cuidados preventivos e
reparadores minimiza danos estruturais aos dentes e tecidos moles
Magnific
O ritmo acelerado da vida contemporânea tem cobrado um preço
alto da saúde mental, mas os reflexos mais severos desse cenário costumam se
manifestar de forma física e silenciosa. O bruxismo, caracterizado pelo hábito
involuntário de ranger ou apertar os dentes, consolidou-se como um dos
principais sintomas do estresse e da ansiedade na atualidade. Longe de ser apenas
um problema dentário isolado, a condição afeta a saúde integral do indivíduo e
exige diagnóstico precoce para evitar o comprometimento severo da qualidade de
vida, desencadeando desde dores crônicas até a perda da estrutura dentária.
A disfunção pode ocorrer tanto durante o dia, conhecido como
bruxismo de vigília, quanto à noite, no período do sono. A pressão constante
exercida pela mandíbula gera uma sobrecarga mecânica na articulação
temporomandibular (ATM), estrutura responsável pelos movimentos da boca. O
resultado desse atrito contínuo vai muito além do desgaste estético: ele
provoca microfissuras nos dentes, destruição progressiva do esmalte e quadros
frequentes de dores de cabeça, cervicais e faciais, que muitas vezes são
negligenciados ou confundidos com outras patologias.
O reflexo da mente na estrutura bucal
A forte correlação entre o esgotamento mental e a
manifestação física do distúrbio foi chancelada por um estudo epidemiológico
nacional publicado na revista científica Brazilian Journal of Pain (BrJP).
A pesquisa apontou que 76% dos voluntários relataram o início ou o agravamento
do hábito de ranger e apertar os dentes em períodos de maior estresse e
nervosismo. Esse gatilho psicológico ajuda a explicar por que o problema se
tornou tão prevalente no país: de acordo com a literatura odontológica e
estudos clínicos nacionais, estimase que o bruxismo já afete cerca de 40% da
população brasileira, superando as médias históricas globais que costumam
variar entre 8% e 31%.
“Na prática, o corpo utiliza a musculatura mastigatória como
uma válvula de escape para as tensões cotidianas. Quando o nível de cortisol, o
hormônio do estresse, permanece elevado, o sistema nervoso central estimula a
atividade muscular involuntária. O grande desafio reside no fato de que muitos
pacientes sofrem com o problema por anos sem notar a fricção, despertando
apenas com os sintomas secundários, como cansaço na mandíbula ao acordar ou
hipersensibilidade aguda a alimentos frios e quentes, decorrente da perda da
barreira natural do dente”, explica Dra. Brunna Bastos, da GUM, mestre e
cirurgiã-dentista pela Faculdade de Odontologia da USP.
Além do comprometimento ósseo e dentário, o tecido mole da
boca também se torna uma vítima frequente. Dentes fraturados ou com pontas desgastadas
criam arestas cortantes que lesionam continuamente a mucosa bucal, provocando
aftas, feridas e inflamações dolorosas na parte interna das bochechas e da
língua, o que prejudica tarefas simples como falar e mastigar.
Prevenção e reparação integral do sorriso
Para conter o avanço dos danos, a abordagem clínica exige
uma mudança de comportamento e o uso de ferramentas adequadas de proteção. É
neste cenário de cuidado preventivo e alívio de danos que marcas especializadas
em higiene oral, como a GUM, ganham protagonismo. A recomendação médica inclui
o fortalecimento da rotina de higiene com produtos desenvolvidos
especificamente para bocas fragilizadas pela fricção constante.
“Para os dentes que já apresentam sensibilidade devido à
exposição da dentina, o uso de escovas com cerdas ultramacias e específicas é
fundamental para realizar a limpeza sem intensificar o desgaste mecânico.
Paralelamente, para mitigar o desconforto gerado pelas lesões na mucosa, o uso
de ceras de proteção ortodôntica e barreira surge como uma alternativa
essencial, isolando as áreas pontiagudas dos dentes e permitindo a regeneração
natural dos tecidos moles. Cuidar do bruxismo, portanto, exige olhar para o
organismo de forma holística, unindo o gerenciamento do estresse à preservação da
integridade do sorriso”, conclui a doutora.
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