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sexta-feira, 12 de junho de 2026

A PRESSA NO EMAGRECIMENTO PODE CUSTAR CARO: OS IMPACTOS DA FALTA DE ACOMPANHAMENTO

A busca pelo emagrecimento rápido ganhou ainda mais força nos últimos anos. Impulsionado pela cultura do imediatismo e por promessas milagrosas de transformação em poucas semanas, o emagrecimento acelerado virou a meta de milhares de pessoas. No entanto, a medicina e a psicologia acendem um alerta crucial: a velocidade isolada não é sinônimo de sucesso. Quando o processo foca apenas na perda rápida de peso sem o devido acompanhamento multidisciplinar, as consequências para o corpo e para a mente podem ser significativas.

O perigo não está nas ferramentas médicas disponíveis hoje, que são grandes aliadas da saúde, mas sim na ilusão de que uma intervenção isolada, sem mudança de comportamento e reeducação, seja capaz de sustentar o bem-estar a longo prazo. A perda de peso acelerada, principalmente quando baseada em restrições severas ou conduzida sem orientação profissional, pode trazer consequências como carências nutricionais, fadiga, perda de massa muscular e dificuldade de manter a rotina, o que torna a manutenção do novo peso uma tarefa biologicamente muito mais difícil. Mais do que reduzir números na balança, o emagrecimento exige adaptação do organismo e mudanças sustentáveis na alimentação e no estilo de vida, algo que costuma demandar tempo e acompanhamento individualizado. 

É aí que mora o maior risco de focar apenas no ponteiro da balança: o efeito sanfona, comum em quem busca soluções imediatistas. Dados de um estudo de Wilding et al., publicado em 2022 pela Diabetes, Obesity and Metabolism, apontam que, após a interrupção de tratamentos para perda de peso quando realizados sem uma reeducação de hábitos consolidada, os pacientes recuperaram, em média, dois terços (67%) do peso eliminado em apenas um ano. Esse reganho acontece porque qualquer estímulo clínico ou metabólico atua diretamente no controle temporário do apetite, mas não muda a relação profunda do indivíduo com a comida. Sem o acompanhamento de um nutricionista para desenhar uma transição alimentar sustentável, o corpo reage aumentando os hormônios da fome, gerando o rebote.

"As medicações modernas são ferramentas extraordinárias para o tratamento da obesidade, mas não fazem o trabalho sozinhas. O medicamento ajuda a controlar a fome e facilita a perda de peso, mas a preservação da massa muscular, a qualidade da alimentação e a construção de novos hábitos dependem de um acompanhamento adequado. Sem essa base, o risco de recuperar parte do peso perdido após a suspensão do tratamento é significativamente maior", explica a Dra. Karla Bandeira*, médica endocrinologista e consultora da Voy, empresa de gestão de saúde que oferece uma jornada de emagrecimento prática, segura e personalizada.

O impacto dessa pressa também pode ser emocional. Expectativas elevadas, metas rígidas e a pressão por resultados rápidos podem gerar ansiedade e frustração ao longo do tratamento, especialmente quando a evolução não acompanha o ritmo esperado. De acordo com dados da Associação Brasileira de Psiquiatria, os transtornos alimentares, como a compulsão alimentar, afetam mais de 70 milhões de pessoas e estão diretamente ligados à ansiedade e à busca por metas estéticas inflexíveis.

"A cabeça não emagrece na mesma velocidade do corpo. Tratar a obesidade exige olhar para os gatilhos emocionais, para o comer compassivo e o estresse. Sem o suporte para ressignificar a relação com a comida, o paciente fica vulnerável a crises de frustração e ao abandono do tratamento", complementa a endocrinologista.

É nesse contexto que o acompanhamento multidisciplinar ganha relevância. A orientação nutricional ajuda a garantir que a perda de peso aconteça de forma equilibrada, com foco na saúde e na manutenção da massa muscular, enquanto o suporte psicológico contribui para fortalecer a adesão ao tratamento e apoiar mudanças que precisam se sustentar ao longo do tempo.

Com a obesidade cada vez mais tratada como uma condição complexa e multifatorial, cresce também a percepção de que resultados consistentes dependem de uma abordagem mais ampla do que apenas a busca pelo emagrecimento imediato. Mais do que perder peso rapidamente, o desafio está em construir uma jornada possível de ser mantida, com segurança, acolhimento e foco na saúde de longo prazo.

 

Dra. Karla Bandeira - médica endocrinologista e metabologista, especialista em obesidade e saúde metabólica. CRM-SP: 159406. RQE-64373.


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