Campanha nacional da SBGG quer ampliar debate sobre autonomia, respeito, proteção e envelhecimento digno no Brasil
No Dia Mundial de Conscientização da Violência
contra a Pessoa Idosa, lembrado em 15 de junho, a Sociedade Brasileira de
Geriatria e Gerontologia (SBGG) lança a Campanha de Enfrentamento à Violência Contra
a Pessoa Idosa. A iniciativa nacional pretende ampliar o debate sobre cuidado,
respeito, proteção e valorização do envelhecimento.
Desenvolvida por um grupo de trabalho
multidisciplinar da SBGG, formado por especialistas de diferentes áreas da geriatria
e da gerontologia, a campanha reunirá ações educativas promovidas pelas
seccionais da entidade em diferentes regiões do país, incluindo lives,
podcasts, cursos, caminhadas e outras atividades de conscientização sobre
situações de violência e violação de direitos no envelhecimento.
Violência vai muito além da agressão física e
muitas vezes é invisível
Embora a agressão física seja a forma mais
facilmente reconhecida pela população, especialistas alertam que a violência
contra pessoas idosas se manifesta de diferentes maneiras e muitas vezes
permanece invisível. Entre as formas mais frequentes estão negligência,
abandono, violência psicológica, controle financeiro, exclusão social,
infantilização e desrespeito à autonomia.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS),
violência contra a pessoa idosa é definida como “qualquer ação ou omissão,
única ou repetida, ocorrida em uma relação de confiança e que provoque dano,
sofrimento ou angústia”. Na prática, significa que a violência pode ocorrer não
apenas de forma física, mas também psicológica, patrimonial, institucional ou
por negligência, o que contribui para sua subnotificação e naturalização.
“Falar sobre violência contra a pessoa idosa também
é falar sobre cuidado. Muitas vezes, a violência aparece justamente quando
deixamos de reconhecer a autonomia, a história e o direito dessa pessoa de
participar das próprias decisões”, afirma Maria Angélica Sanchez, assistente
social, especialista em Gerontologia, membro do Conselho Consultivo Pleno da
SBGG e uma das coordenadoras da campanha.
Segundo a especialista, muitos comportamentos
violentos ainda são naturalizados nas relações familiares e de cuidado, o que
dificulta sua identificação. “Quando falamos em violência contra a pessoa
idosa, muitas pessoas pensam apenas em agressões físicas. Mas ela também está
presente na negligência, no abandono, no isolamento social, no controle
financeiro e em situações em que a autonomia e a dignidade são desrespeitadas.
Precisamos ampliar esse entendimento na sociedade”, destaca.
Violência estrutural, etarismo e o desafio de
garantir direitos
Outro aspecto que preocupa especialistas é a
violência estrutural, caracterizada por mecanismos sociais, econômicos,
políticos e institucionais que dificultam o acesso da população idosa a
direitos, serviços e oportunidades. A discriminação por idade, a burocratização
de direitos e a exclusão social também são formas de violência que comprometem
a qualidade de vida e a cidadania dessa população.
Para Vania Beatriz Herédia, professora,
pesquisadora, socióloga, doutora em História, membro da Comissão de Normas da
SBGG e também coordenadora da campanha, um dos principais desafios é o
reconhecimento dessas violências.
“Ainda é difícil identificar e discutir a violência
contra pessoas idosas porque muitos preconceitos relacionados ao envelhecimento
continuam profundamente presentes na nossa cultura. Precisamos superar a ideia
de que determinadas situações são naturais do envelhecimento. Combater a
violência também significa enfrentar o etarismo e valorizar a autonomia, a
dignidade e os direitos da população idosa”, afirma.
A campanha também chama atenção para o
envelhecimento acelerado da população brasileira e para a necessidade de
fortalecer redes de apoio, proteção e convivência intergeracional.
“O enfrentamento da violência exige uma mudança cultural.
Precisamos fortalecer redes de proteção social, qualificar profissionais,
apoiar famílias e construir uma sociedade que enxergue o envelhecimento com
mais respeito e responsabilidade coletiva. O cuidado com a pessoa idosa é uma
responsabilidade de todos”, conclui Vania.
Sociedade
Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG
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