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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Violência contra pessoas idosas vai muito além da agressão física e exige cultura de cuidado, alertam especialistas

Campanha nacional da SBGG quer ampliar debate sobre autonomia, respeito, proteção e envelhecimento digno no Brasil

 

No Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, lembrado em 15 de junho, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) lança a Campanha de Enfrentamento à Violência Contra a Pessoa Idosa. A iniciativa nacional pretende ampliar o debate sobre cuidado, respeito, proteção e valorização do envelhecimento. 

Desenvolvida por um grupo de trabalho multidisciplinar da SBGG, formado por especialistas de diferentes áreas da geriatria e da gerontologia, a campanha reunirá ações educativas promovidas pelas seccionais da entidade em diferentes regiões do país, incluindo lives, podcasts, cursos, caminhadas e outras atividades de conscientização sobre situações de violência e violação de direitos no envelhecimento.
 

Violência vai muito além da agressão física e muitas vezes é invisível 

Embora a agressão física seja a forma mais facilmente reconhecida pela população, especialistas alertam que a violência contra pessoas idosas se manifesta de diferentes maneiras e muitas vezes permanece invisível. Entre as formas mais frequentes estão negligência, abandono, violência psicológica, controle financeiro, exclusão social, infantilização e desrespeito à autonomia. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), violência contra a pessoa idosa é definida como “qualquer ação ou omissão, única ou repetida, ocorrida em uma relação de confiança e que provoque dano, sofrimento ou angústia”. Na prática, significa que a violência pode ocorrer não apenas de forma física, mas também psicológica, patrimonial, institucional ou por negligência, o que contribui para sua subnotificação e naturalização. 

“Falar sobre violência contra a pessoa idosa também é falar sobre cuidado. Muitas vezes, a violência aparece justamente quando deixamos de reconhecer a autonomia, a história e o direito dessa pessoa de participar das próprias decisões”, afirma Maria Angélica Sanchez, assistente social, especialista em Gerontologia, membro do Conselho Consultivo Pleno da SBGG e uma das coordenadoras da campanha. 

Segundo a especialista, muitos comportamentos violentos ainda são naturalizados nas relações familiares e de cuidado, o que dificulta sua identificação. “Quando falamos em violência contra a pessoa idosa, muitas pessoas pensam apenas em agressões físicas. Mas ela também está presente na negligência, no abandono, no isolamento social, no controle financeiro e em situações em que a autonomia e a dignidade são desrespeitadas. Precisamos ampliar esse entendimento na sociedade”, destaca.
 

Violência estrutural, etarismo e o desafio de garantir direitos 

Outro aspecto que preocupa especialistas é a violência estrutural, caracterizada por mecanismos sociais, econômicos, políticos e institucionais que dificultam o acesso da população idosa a direitos, serviços e oportunidades. A discriminação por idade, a burocratização de direitos e a exclusão social também são formas de violência que comprometem a qualidade de vida e a cidadania dessa população. 

Para Vania Beatriz Herédia, professora, pesquisadora, socióloga, doutora em História, membro da Comissão de Normas da SBGG e também coordenadora da campanha, um dos principais desafios é o reconhecimento dessas violências. 

“Ainda é difícil identificar e discutir a violência contra pessoas idosas porque muitos preconceitos relacionados ao envelhecimento continuam profundamente presentes na nossa cultura. Precisamos superar a ideia de que determinadas situações são naturais do envelhecimento. Combater a violência também significa enfrentar o etarismo e valorizar a autonomia, a dignidade e os direitos da população idosa”, afirma. 

A campanha também chama atenção para o envelhecimento acelerado da população brasileira e para a necessidade de fortalecer redes de apoio, proteção e convivência intergeracional. 

“O enfrentamento da violência exige uma mudança cultural. Precisamos fortalecer redes de proteção social, qualificar profissionais, apoiar famílias e construir uma sociedade que enxergue o envelhecimento com mais respeito e responsabilidade coletiva. O cuidado com a pessoa idosa é uma responsabilidade de todos”, conclui Vania.
  
 

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG


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