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sexta-feira, 12 de junho de 2026

Copa do Mundo estimula desenvolvimento da fala e da linguagem em crianças

Interação familiar durante os jogos amplia vocabulário infantil, mas fonoaudióloga alerta para cuidados com a rouquidão e o excesso de gritos


A Copa do Mundo costuma unir famílias inteiras diante da televisão, mas além da torcida e da emoção dos jogos, o evento também pode se transformar em uma importante ferramenta para o desenvolvimento infantil. Segundo Adriana Fiore Fonoaudióloga Infantil, o clima de interação, conversa e participação coletiva favorece a ampliação do vocabulário, o desenvolvimento da fala e das habilidades de comunicação das crianças.

A especialista explica que a linguagem se desenvolve principalmente em situações reais e compartilhadas. Durante a Copa, as crianças entram em contato com palavras novas, músicas, bandeiras, nomes de países, jogadores e expressões que passam a fazer parte das conversas do dia a dia.

"A linguagem cresce quando a criança participa das interações. A Copa oferece exatamente isso: emoção, repetição, significado e troca afetiva. Quando os adultos comentam o jogo, fazem perguntas e conversam sobre o que está acontecendo, transformam aquele momento de lazer em uma experiência rica para o desenvolvimento da comunicação", afirma Adriana.

Palavras como "gol", "torcida", "campeão", "juiz", "passe", "falta" e "defesa" passam a ser repetidas naturalmente durante as transmissões, nas brincadeiras e nas conversas familiares. Para a especialista, essa repetição tem papel fundamental no aprendizado infantil.

"A repetição ajuda a criança a aprender, mas ela precisa vir acompanhada de interação. A criança aprende quando alguém conversa com ela, espera sua resposta, responde ao que ela tentou dizer e amplia sua fala. Não é apenas assistir ao jogo, é participar dele socialmente", destaca.

Além do vocabulário, outras habilidades importantes também são estimuladas. Entre elas estão a atenção compartilhada, a compreensão verbal, a memória auditiva, a organização do pensamento, a capacidade de fazer perguntas, responder, narrar acontecimentos e expressar emoções.

"Quando a família pergunta quem fez o gol, qual time está ganhando ou o que aconteceu em determinada jogada, a criança começa a organizar ideias, construir frases e compreender melhor o funcionamento das conversas. São habilidades fundamentais para a comunicação e para a aprendizagem futura", explica.

A Copa também pode beneficiar crianças ainda muito pequenas. Segundo Adriana, mesmo os bebês participam dessas experiências por meio da observação das expressões faciais, das músicas, dos sons e das reações emocionais dos adultos.

Nos primeiros anos de vida, especialmente entre 0 e 6 anos, período considerado decisivo para a construção da linguagem, essas experiências compartilhadas ganham ainda mais importância.

"Não existe uma idade ideal para aproveitar esse estímulo. O que muda é a forma de interação. Com os menores, podemos explorar músicas, gestos, apontar objetos e nomear situações. Com os maiores, podemos estimular conversas, perguntas, opiniões e até atividades envolvendo leitura, escrita, bandeiras e tabelas dos jogos", orienta.

Para os pais que desejam aproveitar o momento de forma educativa, a recomendação é simples: conversar mais e usar o evento como ponto de partida para brincadeiras e trocas.

Narrar as jogadas, perguntar para quem a criança está torcendo, cantar músicas da torcida, desenhar bandeiras, brincar de narrador esportivo ou montar uma tabela dos jogos são algumas das atividades sugeridas pela especialista.

"O segredo é transformar a criança em participante da experiência. Quanto mais ela fala, pergunta, responde, canta e compartilha o momento com a família, maiores são os ganhos para o desenvolvimento da linguagem", afirma.
 

Atenção à voz durante a torcida

Se por um lado a Copa estimula a comunicação, por outro exige alguns cuidados com a saúde vocal das crianças. Gritos excessivos, cantorias prolongadas e a tentativa de competir com o volume alto da televisão podem provocar esforço vocal e rouquidão.

"Torcer faz parte da infância e das memórias afetivas da família, mas a voz da criança também precisa ser preservada. Ela pode vibrar, cantar, bater palmas e comemorar sem precisar gritar o tempo todo", alerta Adriana.

A especialista recomenda manter a hidratação ao longo dos jogos, evitar ambientes muito barulhentos e incentivar pausas após momentos de maior empolgação.

Outro ponto de atenção é a rouquidão persistente. "Se a criança fica rouca após um jogo e a voz melhora rapidamente, geralmente não há motivo para preocupação. Mas, quando a rouquidão dura vários dias, acontece com frequência ou a criança demonstra esforço para falar, é importante buscar avaliação especializada", explica.

Segundo Adriana, um dos erros mais comuns é considerar normal a criança viver rouca. "Rouquidão frequente não deve ser encarada como característica da criança. Muitas vezes é um sinal de abuso vocal ou até de alterações nas pregas vocais que precisam ser investigadas", finaliza.
 

Dra. Adriana Fiore - Fonoaudióloga -- CRFa 2-12078. Mestre em Distúrbios da Comunicação (PUC-SP); Pós-graduada em Processamento Auditivo Central; Especialista em Voz pelo CEV -- Centro de Estudos da Voz; Idealizadora e Diretora da AplusKids


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