Toda empresa fala sobre colaboração entre os times,
mas poucas conseguem aplicá-la de forma efetiva nos níveis mais altos da
organização. Mesmo que tenham os melhores talentos do mercado em sua alta
liderança, ainda assim, é muito comum que enfrentem dificuldades para
crescer de forma sustentável - o que vem dependendo cada vez menos do
desempenho individual dos executivos, e mais da capacidade
do C-Level de atuar de forma integrada, compartilhando
objetivos, responsabilidades e decisões em prol de um propósito maior comum.
Em um ambiente de negócios cada vez mais complexo,
quando cada executivo atua em função de suas próprias metas, prioridades ou
interesses, a organização perde velocidade, eficiência e competitividade. Não
há espaço para lideranças que operam de forma isolada, afinal, desafios
complexos exigem respostas construídas coletivamente, e não soluções
fragmentadas com base nas visões de cada um.
Um exemplo clássico dessa lógica está no histórico
da seleção brasileira masculina de vôlei comandada por Bernardinho. Ao longo
dos anos, ele liderou equipes repletas de atletas talentosos, muitos deles
considerados os melhores do mundo em suas posições. Ainda assim, o diferencial
não estava apenas na qualidade individual de cada jogador, mas na capacidade de
todos colocarem um objetivo coletivo acima de seus interesses pessoais: vencer
como equipe.
No mundo corporativo, o princípio é o mesmo. Quando
o C-Level deixa que metas individuais prevaleçam sobre os objetivos
estratégicos da organização como um todo, o resultado é a perda de alinhamento,
a fragmentação das decisões e o enfraquecimento dos projetos. Afinal, assim
como no esporte, nenhuma empresa conquista resultados
excelentes quando cada um joga para si, mas sim quando todos
trabalham para ganhar juntos.
Uma pesquisa global da plataforma Mural, divulgada
em 2025, comprova isso: apesar de 85% dos profissionais afirmarem que suas
equipes colaboram bem, os mesmos admitem existir desalinhamentos
frequentes nas metas e prioridades. Além disso, cerca de 90% afirmaram que a
falta de colaboração impacta a retenção de clientes, conversões e lançamentos
de produtos.
O grande mérito de um bom gestor não é só atrair boas
pessoas, mas engajá-las de forma que remem no mesmo sentido. Garantir o
comprometimento do C-Level com a mesma visão e que concordem com o caminho
a ser seguido não é algo simples, mas fundamental para assegurar a prosperidade
corporativa – ao mesmo tempo que, no menor sinal de falta de harmonia entre
esses pontos, cabe ao gestor trocar esses executivos, ou revisar o que é
esperado pela empresa e por cada um ali dentro.
Não há como ter a utopia de que divergências nunca
acontecerão, especialmente
quando falamos de executivos experientes, com visões fortes, histórico de
resultados e, naturalmente, doses de ego e vaidade que fazem parte do ser
humano. Por isso, cabe ao líder monitorar, constantemente, esses sinais
que possam indicar um desalinhamento mais profundo, como a falta de boa vontade
para colaborar, a redução da participação nas discussões, a ausência de energia
para enfrentar desafios coletivos, ou comportamentos sutis como olhares de
reprovação e resistência às decisões do grupo.
O caminho é promover conversas abertas,
transparentes e francas para compreender o que está por trás daquela atitude e,
principalmente, encontrar formas de resgatar o comprometimento com o objetivo
comum, antes que os interesses individuais passem a comprometer o desempenho de
toda a organização.
No final, criar um C-Level que jogue junto não
é sobre eliminar diferenças, mas sobre construir alinhamento em torno de um
propósito maior do que qualquer agenda individual. Empresas fortes são aquelas
que conseguem transformar talentos distintos em um time coeso, capaz de
debater, discordar e até mesmo confrontar ideias sem perder de vista o objetivo
maior em comum. Em um mercado cada vez mais complexo e dinâmico, a
vantagem competitiva não está apenas na qualidade dos executivos que ocupam o
board, mas na capacidade de fazer com que atuem como uma verdadeira equipe.
Ricardo Haag - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.
Wide
https://wide.works/
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