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sexta-feira, 12 de junho de 2026

C-Level unido, empresa forte: o desafio da liderança colaborativa

 

Toda empresa fala sobre colaboração entre os times, mas poucas conseguem aplicá-la de forma efetiva nos níveis mais altos da organização. Mesmo que tenham os melhores talentos do mercado em sua alta liderança, ainda assim, é muito comum que enfrentem dificuldades para crescer de forma sustentável - o que vem dependendo cada vez menos do desempenho individual dos executivos, e mais da capacidade do C-Level de atuar de forma integrada, compartilhando objetivos, responsabilidades e decisões em prol de um propósito maior comum. 

Em um ambiente de negócios cada vez mais complexo, quando cada executivo atua em função de suas próprias metas, prioridades ou interesses, a organização perde velocidade, eficiência e competitividade. Não há espaço para lideranças que operam de forma isolada, afinal, desafios complexos exigem respostas construídas coletivamente, e não soluções fragmentadas com base nas visões de cada um. 

Um exemplo clássico dessa lógica está no histórico da seleção brasileira masculina de vôlei comandada por Bernardinho. Ao longo dos anos, ele liderou equipes repletas de atletas talentosos, muitos deles considerados os melhores do mundo em suas posições. Ainda assim, o diferencial não estava apenas na qualidade individual de cada jogador, mas na capacidade de todos colocarem um objetivo coletivo acima de seus interesses pessoais: vencer como equipe. 

No mundo corporativo, o princípio é o mesmo. Quando o C-Level deixa que metas individuais prevaleçam sobre os objetivos estratégicos da organização como um todo, o resultado é a perda de alinhamento, a fragmentação das decisões e o enfraquecimento dos projetos. Afinal, assim como no esporte, nenhuma empresa conquista resultados excelentes quando cada um joga para si, mas sim quando todos trabalham para ganhar juntos. 

Uma pesquisa global da plataforma Mural, divulgada em 2025, comprova isso: apesar de 85% dos profissionais afirmarem que suas equipes colaboram bem, os mesmos admitem existir desalinhamentos frequentes nas metas e prioridades. Além disso, cerca de 90% afirmaram que a falta de colaboração impacta a retenção de clientes, conversões e lançamentos de produtos. 

O grande mérito de um bom gestor não é só atrair boas pessoas, mas engajá-las de forma que remem no mesmo sentido. Garantir o comprometimento do C-Level com a mesma visão e que concordem com o caminho a ser seguido não é algo simples, mas fundamental para assegurar a prosperidade corporativa – ao mesmo tempo que, no menor sinal de falta de harmonia entre esses pontos, cabe ao gestor trocar esses executivos, ou revisar o que é esperado pela empresa e por cada um ali dentro. 

Não há como ter a utopia de que divergências nunca acontecerão, especialmente quando falamos de executivos experientes, com visões fortes, histórico de resultados e, naturalmente, doses de ego e vaidade que fazem parte do ser humano. Por isso, cabe ao líder monitorar, constantemente, esses sinais que possam indicar um desalinhamento mais profundo, como a falta de boa vontade para colaborar, a redução da participação nas discussões, a ausência de energia para enfrentar desafios coletivos, ou comportamentos sutis como olhares de reprovação e resistência às decisões do grupo. 

O caminho é promover conversas abertas, transparentes e francas para compreender o que está por trás daquela atitude e, principalmente, encontrar formas de resgatar o comprometimento com o objetivo comum, antes que os interesses individuais passem a comprometer o desempenho de toda a organização. 

No final, criar um C-Level que jogue junto não é sobre eliminar diferenças, mas sobre construir alinhamento em torno de um propósito maior do que qualquer agenda individual. Empresas fortes são aquelas que conseguem transformar talentos distintos em um time coeso, capaz de debater, discordar e até mesmo confrontar ideias sem perder de vista o objetivo maior em comum. Em um mercado cada vez mais complexo e dinâmico, a vantagem competitiva não está apenas na qualidade dos executivos que ocupam o board, mas na capacidade de fazer com que atuem como uma verdadeira equipe. 

 


Ricardo Haag - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.

Wide
https://wide.works/


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