Condição é mais frequente na
adolescência e exige atendimento imediato; nas primeiras seis horas, a chance
de salvar o testículo pode chegar a 98%
Foto: Marieli Prestes
Hospital Pequeno Príncipe
Uma dor súbita e intensa nos testículos pode ser sinal de uma
emergência urológica com consequências que vão além da infância e da
adolescência. A torção testicular, que tem incidência estimada de um caso para
cada quatro mil homens, interrompe a circulação sanguínea no órgão e pode levar
à sua perda. Mesmo quando o testículo é preservado por cirurgia, o problema
pode deixar alterações que comprometem a fertilidade no futuro.
Diante desse cenário, o Hospital Pequeno Príncipe, maior e mais
completo hospital pediátrico do país, alerta para a importância de reconhecer
os sinais da torção testicular e buscar atendimento médico imediato. “É uma
emergência urológica importante, porque, quando o testículo fica sem receber
sangue, começa a sofrer. Com o passar do tempo, pode ficar necrótico, e a
criança perder o órgão”, explica Karin Schultz, cirurgiã pediátrica urológica
da instituição.
A torção testicular é mais frequente na adolescência,
especialmente entre os 12 e 18 anos, com pico de incidência entre os 13 e 14
anos. Mas, em casos raros, pode acontecer no período neonatal. A condição
ocorre quando o testículo gira em torno do cordão espermático, estrutura que o
conecta ao corpo e por onde passam os vasos sanguíneos.
O alerta ganha relevância durante o Novembrinho Azul, movimento
instituído pela Lei n.º 14.694/2023, que ampliou as campanhas de
conscientização sobre a saúde masculina para meninos de até 15 anos. A
iniciativa busca chamar atenção para os cuidados com a saúde sexual e
reprodutiva desde a infância.
Dor
repentina é o principal sinal de alerta
Em aproximadamente 99% dos casos, a torção testicular começa com
uma dor súbita. O menino geralmente consegue identificar o momento exato em que
o desconforto começou, mesmo que esteja parado ou realizando uma atividade
cotidiana.
A dor costuma ser intensa e pode vir acompanhada de outros sinais
de alerta:
- inchaço e vermelhidão na região;
- sensibilidade ao toque;
- alteração na posição do testículo;
- náuseas e vômitos.
As
primeiras seis horas fazem a diferença
O tempo entre o início da dor e a intervenção cirúrgica é
determinante para preservar o testículo. A possibilidade de salvar o órgão pode
chegar a 98% quando a cirurgia é realizada nas primeiras seis horas após o
início do quadro. Quando esse período chega a 24 horas, a chance cai para menos
de 60%. Depois de 24 a 48 horas, a possibilidade de preservação é praticamente
nula.
“É uma emergência vascular. Quanto mais tempo passar, maior será o
período em que o sangue deixa de chegar adequadamente ao testículo e maior a
chance de perdê-lo”, realça Karin Schultz.
A interrupção prolongada do fluxo sanguíneo pode provocar uma
isquemia irreversível, levando à perda do testículo. Contudo, as consequências
não se limitam a esses casos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia
(SBU), mesmo jovens que conseguem preservar o órgão após a cirurgia podem
apresentar alterações no espermograma e dificuldades reprodutivas no futuro.
Também pode ocorrer infecção local.
Não
é preciso esperar a dor passar
O diagnóstico é realizado a partir da avaliação médica e do exame físico. Quando há dúvidas, pode ser solicitada uma ultrassonografia com doppler, que permite verificar a presença de fluxo sanguíneo no testículo. O tratamento é cirúrgico e busca desfazer a torção e restabelecer a circulação sanguínea, na tentativa de preservar o órgão.
Diante de uma dor testicular aguda, especialmente em adolescentes, a orientação é procurar um serviço de saúde imediatamente. “A família não deve esperar até o dia seguinte nem tentar resolver o problema com automedicação. É preciso procurar atendimento o mais rápido possível, porque cada hora faz diferença na possibilidade de salvar o testículo”, reforça a cirurgiã pediátrica urológica do Pequeno Príncipe.
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