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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Endometriose: da cólica à infertilidade, veja 8 mitos e verdades

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Segundo a OMS, a doença afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva; ginecologista e pesquisador esclarece sintomas que podem ser confundidos com os de outros problemas e atrasar o diagnóstico

  

Cólicas fortes, dor durante a relação sexual e alterações intestinais. Esses são alguns dos sintomas que podem fazer parte da rotina de mulheres com endometriose. O problema é que, muitas vezes, eles são considerados comuns ou tratados isoladamente, o que pode atrasar o diagnóstico da doença. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo. 

A condição ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, camada que reveste o interior do útero, se desenvolve em outras regiões do corpo. A doença aparece principalmente na pelve, mas também pode atingir estruturas como o intestino e o diafragma e, em casos mais raros, o tórax. 

“É uma doença complexa e que pode se manifestar de diferentes formas. Por isso, é importante olhar para o conjunto de sintomas e não apenas para uma alteração isolada”, explica o ginecologista e pesquisador da endometriose Igor Chiminacio, fundador do Instituto de Pesquisa Woman’s Health Research. 

A seguir, o especialista esclarece alguns dos principais mitos e verdades sobre a condição.

 

1. “Cólica forte faz parte da menstruação” – MITO

Algum desconforto pode ocorrer durante a menstruação, mas dores intensas, frequentes ou que atrapalham a rotina não devem ser consideradas normais. A dismenorreia (dor menstrual) pode ter diferentes causas, entre elas a endometriose. 

Segundo Chiminacio, muitas pacientes apresentam sintomas desde as primeiras menstruações. Por isso, cólicas incapacitantes, que pioram com o tempo ou não melhoram com os tratamentos habituais, devem ser investigadas.

 

2. “Anticoncepcionais podem esconder os sintomas” – VERDADE

Anticoncepcionais hormonais podem reduzir cólicas, sangramentos e outros sintomas da endometriose. Com isso, os sinais podem ficar menos evidentes, o que, em alguns casos, pode retardar a investigação da causa. 

O DIU de cobre, por sua vez, pode aumentar o fluxo menstrual e as cólicas em algumas mulheres. A escolha do método contraceptivo deve considerar as características e as necessidades de cada paciente.

 

3. “Dor durante a relação sexual é normal” – MITO

A dor durante ou depois da relação sexual, chamada dispareunia, não deve ser considerada normal. O sintoma pode estar relacionado a alterações no assoalho pélvico, a neuropatias e também à endometriose. 

“Em caso de dor, a orientação é sempre procurar um médico especialista para investigar a causa”, explica Chiminacio.

 

4. “Endometriose pode dificultar a gravidez” – VERDADE

A doença pode estar relacionada à infertilidade, mas isso não significa que toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar. A inflamação e as alterações provocadas pela condição podem interferir no sistema reprodutivo. 

A fertilidade varia de acordo com cada caso. Para quem deseja engravidar, uma avaliação individualizada ajuda a definir o melhor acompanhamento.

 

5. “Se não há uma lesão visível, não há endometriose” – MITO

A endometriose não deve ser descartada apenas pela ausência de lesões identificáveis nos exames de imagem. “A doença pode envolver estruturas mais profundas, causando fibrose, retração dos tecidos e comprometimento de nervos”, afirma o especialista.

 

6. “Alterações intestinais durante a menstruação são normais” – MITO

Diarreia, prisão de ventre, dor para evacuar e outros desconfortos intestinais podem estar relacionados à endometriose, principalmente quando aparecem ou pioram de forma recorrente durante a menstruação. 

Isso pode ocorrer quando a doença compromete estruturas da região pélvica, inclusive sem atingir diretamente o intestino. Por isso, sintomas intestinais recorrentes associados ao ciclo menstrual devem ser investigados.

 

7. “A endometriose pode ter origem ainda durante a formação do organismo” – VERDADE

Embora a menstruação retrógrada seja uma das teorias mais difundidas, Chiminacio considera a hipótese embrionária mais plausível. Ela propõe que a doença possa se originar durante a formação dos ductos müllerianos, estruturas embrionárias que dão origem às trompas, ao útero e ao colo uterino. 

Nesse processo, células poderiam permanecer fora de sua localização habitual e, posteriormente, responder aos hormônios, formando lesões. Estudos em fetos humanos apoiam essa possibilidade. 

“Após mais de 22 anos operando endometriose, minha interpretação é clara: a doença tem origem embrionária. Identificamos e palpamos lesões em locais anatômicos previsíveis, cuja distribuição interpreto como relacionada ao desenvolvimento do sistema mülleriano”, afirma Chiminacio. 

Os ductos müllerianos são estruturas embrionárias que dão origem às trompas, ao útero e ao colo uterino. Na visão do cirurgião, remanescentes celulares desse desenvolvimento explicam a origem e a localização das lesões: “É essa organização anatômica, observada repetidamente nas cirurgias, que fundamenta minha defesa da origem embrionária”.

 

8. “A endometriose só aparece na região pélvica” – MITO

A pelve é o local mais comum da doença, mas a endometriose também pode atingir outras regiões, como o diafragma e o tórax. 

Dor no peito, falta de ar ou dor ao respirar que aparecem ou pioram durante a menstruação são sinais que merecem investigação. “A endometriose pode se manifestar de maneiras diferentes e nem sempre fica restrita à pelve”, afirma Chiminacio.

 

Dr. Igor Chiminacio - médico ginecologista e cirurgião, pesquisador da endometriose e especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva, com atuação em laparoscopia, cirurgia robótica e neuropelveologia. Graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, fez residência médica em ginecologia e videocirurgia na Universidade Federal do Paraná e possui formação complementar no Brasil e no exterior. É membro da AAGL desde 2018, mestrando pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e fundador do WHR (Woman’s Health Research). É também criador do projeto EndoAir, que leva equipes especializadas em endometriose a diferentes regiões do país.

 

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