Amigo de longa data da apresentadora Janaína Barbosa, o farmacêutico Jamar Tejada explica como reconhecer os primeiros sinais da anafilaxia, quais substâncias podem desencadear a reação e por que o atendimento imediato é decisivo para salvar vidas
A
morte da apresentadora Janaína Barbosa, atribuída a um choque anafilático,
chama a atenção para uma emergência médica que pode evoluir rapidamente e
colocar a vida em risco. A anafilaxia é uma reação alérgica grave e
potencialmente fatal, capaz de comprometer a respiração e a circulação sanguínea
em questão de minutos.
Amigo
pessoal da apresentadora, o farmacêutico homeopata Jamar
Tejada destaca a importância de ampliar o conhecimento da
população sobre os sinais de uma reação alérgica grave. Embora muitas pessoas
associem alergias apenas a coceiras, espirros ou manchas na pele, algumas
reações podem desencadear alterações intensas no organismo, exigindo
atendimento de emergência.
O
choque anafilático é a manifestação circulatória grave da anafilaxia,
caracterizada por queda importante da pressão arterial e comprometimento da
circulação. Nem toda anafilaxia evolui para choque, mas todas as suspeitas de
anafilaxia exigem ação imediata.
O que acontece no corpo durante um choque anafilático?
Segundo
Jamar Tejada, a anafilaxia ocorre quando o sistema imunológico desencadeia uma
resposta exagerada a determinada substância. Durante essa reação, células do
organismo liberam mediadores químicos, como a histamina, que provocam
alterações nos vasos sanguíneos, nas vias respiratórias e em outros órgãos.
Os
vasos podem se dilatar e permitir a saída de líquidos para os tecidos,
provocando inchaço e queda da pressão arterial. Ao mesmo tempo, pode ocorrer
estreitamento dos brônquios, dificultando a passagem do ar.
Essa
combinação explica por que uma reação inicialmente percebida como uma alergia
pode evoluir para dificuldade respiratória, perda de consciência e parada
cardiorrespiratória.
Quais são os primeiros sinais de alerta?
Um
dos maiores perigos da anafilaxia é a rapidez com que os sintomas podem surgir.
Em muitos casos, a reação começa poucos minutos após o contato com a substância
desencadeante.
Entre
os principais sinais estão:
- Coceira intensa, vermelhidão e placas na pele;
- Inchaço nos lábios, língua, rosto ou garganta;
- Sensação de garganta fechando ou dificuldade para engolir;
- Falta de ar, chiado no peito e tosse persistente;
- Tontura, fraqueza intensa e desmaio;
- Náuseas, vômitos, cólicas e diarreia;
- Queda acentuada da pressão arterial.
Um
detalhe importante é que nem toda anafilaxia provoca manchas na pele. Em
algumas situações, os primeiros sinais podem ser respiratórios ou
circulatórios, o que dificulta o reconhecimento da gravidade.
Medicamentos, alimentos e picadas: o que pode provocar anafilaxia?
A
reação pode ser desencadeada por diferentes substâncias, e nem sempre a pessoa
sabe previamente que apresenta sensibilidade a determinado agente.
Entre
os desencadeantes mais conhecidos estão medicamentos, como alguns antibióticos
e anti-inflamatórios; alimentos, incluindo amendoim, castanhas, leite, ovos,
peixes e frutos do mar; além de picadas de insetos, especialmente abelhas e
vespas.
O
látex e determinadas substâncias utilizadas em procedimentos médicos também
podem provocar reações graves.
Jamar
ressalta que o risco não depende necessariamente da quantidade de substância à
qual a pessoa foi exposta. Em indivíduos sensibilizados, pequenas quantidades
podem ser suficientes para desencadear uma reação importante.
Também
é possível desenvolver uma alergia mesmo depois de contatos anteriores aparentemente
seguros com determinada substância.
Por que não se deve esperar para ver se a reação melhora?
Um
dos erros mais perigosos diante de uma suspeita de anafilaxia é acreditar que
os sintomas desaparecerão espontaneamente ou que um antialérgico comum será
suficiente.
A
adrenalina intramuscular é o tratamento de primeira linha para a anafilaxia.
Quando administrada prontamente, conforme os protocolos médicos, ela ajuda a
reverter alterações potencialmente fatais, como a queda da pressão arterial e o
comprometimento das vias respiratórias.
Os
anti-histamínicos podem aliviar manifestações cutâneas, como coceira e
urticária, mas não substituem a adrenalina nem tratam adequadamente o
comprometimento respiratório e circulatório.
Diante
de sinais compatíveis com anafilaxia, é fundamental acionar imediatamente o
SAMU, pelo número 192, e informar a suspeita de reação alérgica grave. Pessoas
que possuem autoinjetor de adrenalina prescrito devem utilizá-lo sem demora,
conforme orientação médica.
Enquanto
o socorro não chega, a pessoa deve permanecer preferencialmente deitada, com as
pernas elevadas, se tolerado. Em caso de dificuldade respiratória, pode ser
necessário manter uma posição que facilite a respiração, evitando que ela fique
em pé ou caminhe. Se estiver inconsciente, mas respirando, deve ser colocada em
posição lateral de segurança. Em caso de parada cardiorrespiratória, é
necessário iniciar manobras de reanimação.
Mesmo
quando os sintomas melhoram após o tratamento, a avaliação hospitalar é
indispensável, pois algumas pessoas podem apresentar recorrência da reação
horas depois.
Quem já teve uma reação alérgica leve pode sofrer um choque anafilático?
Sim.
A gravidade de uma reação anterior não permite prever com segurança a intensidade
de uma exposição futura.
Pessoas
com histórico de anafilaxia precisam de avaliação com alergista ou imunologista
para investigar o desencadeante, receber orientações preventivas e, quando
indicado, ter acesso à adrenalina autoinjetável.
A
identificação correta da substância responsável é especialmente importante para
evitar novas exposições. Isso não significa, entretanto, que toda pessoa com
alergia apresentará anafilaxia.
Reconhecer os sinais pode salvar vidas
A
morte de Janaína Barbosa traz visibilidade a uma condição que muitas vezes é
subestimada por quem nunca presenciou uma reação alérgica grave.
Para
Jamar Tejada, que mantinha uma relação pessoal de amizade com a apresentadora,
o episódio também representa uma oportunidade de conscientização sobre a
importância de reconhecer os sinais de emergência e buscar socorro
imediatamente. O farmacêutico reforça que conhecer os sintomas, informar
profissionais de saúde sobre alergias conhecidas e não se automedicar diante de
manifestações graves são medidas fundamentais de segurança.
Jamar Tejada - Farmacêutico graduado pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica pela Universidade Luterana do Brasil, RS (ULBRA), Pós-Graduação em Gestão em Comunicação Estratégica Organizacional e Relações Públicas pela USP (Universidade de São Paulo), Pós-Graduação em Medicina Esportiva pela (FAPES), Pós-Graduação em Comunicação com o Mercado pela ESPM, Pós-Graduação em Formação para Dirigentes Industriais com Ênfase em Qualidade Total - Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul-(UFRGS) e Pós-Graduação em Ciências Homeopáticas pelas Faculdades Associadas de Ciências da Saúde. Proprietário e Farmacêutico Responsável da ANJO DA GUARDA Farmácia de manipulação e homeopatia desde agosto 2008. tejard
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