Mesmo que não haja intenção imediata de
engravidar, recomenda-se que a mulher avalie fatores de risco que possam
comprometer sua fertilidade, como o estoque de óvulos, para que consiga definir
seus próximos passos com segurança e suporte médico adequado
Magnific
A avaliação da fertilidade ainda costuma ocorrer apenas quando
surgem dificuldades para engravidar. No entanto, a mulher deve se preocupar com
a saúde reprodutiva independentemente de haver planos de ter filhos no curto
prazo. A consulta médica especializada com exames periódicos é uma aliada
indispensável, que permite monitorar as transformações do organismo ao longo
dos anos, identificar alterações hormonais em fases iniciais e nortear cada
etapa da vida fértil.
A mulher já nasce com todos os óvulos que terá ao
longo da vida, ou seja, o estoque é finito e não se renova. Com o passar do
tempo e o processo natural de envelhecimento, estas células reprodutivas diminuem
progressivamente em número e qualidade, com uma queda mais acentuada a partir
dos 35 anos.
“O recomendável é que a mulher faça uma investigação
preventiva abaixo dessa idade, período em que os óvulos mantêm maior qualidade
genética e a resposta a eventuais tratamentos é significativamente superior.
Com o mapeamento da reserva ovariana, ela deixa de ser pega de surpresa e
consegue definir seus próximos passos com tranquilidade e suporte médico
adequado, desde a manutenção do monitoramento periódico e investigação de
doenças associadas até o planejamento de uma gestação imediata ou o
congelamento dos óvulos para preservar a fertilidade”, explica Dr. Oscar
Duarte, diretor médico do Fertgroup, maior rede de clínicas de reprodução
assistida do país.
O acompanhamento com ginecologista ou especialista em medicina
reprodutiva também auxilia no diagnóstico de doenças silenciosas que podem
comprometer a reserva ovariana e a fertilidade como um todo, a exemplo da
endometriose, da síndrome ovariana metabólica poliendócrina (antiga síndrome
dos ovários policísticos) e da insuficiência ovariana prematura (conhecida como
menopausa precoce).
Como funciona um check-up inicial de fertilidade
Durante a consulta médica, a paciente será questionada em detalhes sobre sua saúde, incluindo regularidade do ciclo menstrual, cirurgias prévias, histórico de doenças na família e estilo de vida.
“Estes dados são cruzados com avaliação clínica e os resultados de dois exames específicos para investigar a reserva ovariana: o ultrassom transvaginal para contagem dos folículos antrais e a dosagem do Hormônio Antimülleriano (AMH) no sangue. Os folículos são bolsas de líquido localizadas nos ovários que abrigam e nutrem os óvulos em desenvolvimento, sendo também os responsáveis por secretar o AMH. Os exames são complementares: enquanto o ultrassom transvaginal faz a contagem visual dos folículos, os níveis de AMH no sangue fornecem uma estimativa confiável de quantas destas pequenas estruturas restam nos ovários”, detalha Duarte.
Conforme a avaliação inicial e o perfil de cada paciente, o especialista pode solicitar exames adicionais para investigar outros fatores essenciais para a gestação, como a integridade do útero, a permeabilidade das tubas uterinas e a fertilidade do parceiro.
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