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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Caneta emagrecedora virou comprimido: o estômago sente alguma diferença?

 

Com a aprovação da versão oral do Wegovy pela Anvisa, médio alerta que trocar a injeção pelo comprimido não elimina efeitos como náuseas, vômitos, constipação e alterações no funcionamento do estômago e do intestino
 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (4), o Wegovy em comprimidos, versão oral da semaglutida, medicamento utilizado no tratamento da obesidade e do sobrepeso em condições específicas. A novidade amplia as opções terapêuticas, mas levanta uma dúvida: trocar a injeção pelo comprimido significa menos efeitos colaterais no estômago e no intestino?

Segundo o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Rodrigo Barbosa, a mudança na forma de administração não altera o principal mecanismo de ação do medicamento.

"A semaglutida atua nos receptores de GLP-1, que participam do controle do apetite, da saciedade e do esvaziamento gástrico. Por isso, mesmo em comprimidos, pode provocar náuseas, vômitos, sensação de estômago cheio e constipação intestinal", explica.

O medicamento retarda o esvaziamento do estômago, fazendo com que os alimentos permaneçam por mais tempo no órgão. Esse efeito contribui para a saciedade, mas também pode causar desconforto abdominal, empachamento e refluxo em algumas pessoas.

No intestino, a redução da ingestão alimentar, mudanças na hidratação e alterações da motilidade gastrointestinal podem favorecer a prisão de ventre.

"Alguns pacientes passam a evacuar com menos frequência durante o tratamento. Entretanto, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, distensão importante ou dificuldade para eliminar gases e fezes não devem ser considerados efeitos normais. Esses sintomas precisam de avaliação médica", alerta o especialista.

Pessoas com problemas digestivos preexistentes, especialmente gastroparesia, refluxo importante ou constipação crônica, precisam de avaliação individualizada antes de iniciar o tratamento.

O médico também chama a atenção para possíveis complicações, como pancreatite e problemas na vesícula biliar, que podem se manifestar com dor abdominal intensa e persistente.
 

A versão oral é necessariamente mais segura para o aparelho digestivo?

De acordo com Dr. Rodrigo, não é possível fazer essa afirmação apenas pela forma de administração. As apresentações possuem diferenças de dose, absorção e frequência de uso, mas ambas podem provocar efeitos gastrointestinais.

"A chegada do comprimido é um avanço porque oferece mais uma possibilidade de tratamento. Mas não significa que o medicamento possa ser utilizado sem acompanhamento. O estômago e o intestino continuam respondendo à ação da semaglutida, e os sinais do organismo precisam ser respeitados", conclui. 


Dr Rodrigo Barbosa - cirurgião digestivo sub-especializado em cirurgia bariátrica e coloproctologia do corpo clínico dos hospitais Sírio Libanês e Nove de Julho. CEO do Instituto Medicina em Foco


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