Com a aprovação da versão oral do Wegovy pela
Anvisa, médio alerta que trocar a injeção pelo comprimido não elimina efeitos
como náuseas, vômitos, constipação e alterações no funcionamento do estômago e
do intestino
A
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira
(4), o Wegovy em comprimidos, versão oral da semaglutida, medicamento utilizado
no tratamento da obesidade e do sobrepeso em condições específicas. A novidade
amplia as opções terapêuticas, mas levanta uma dúvida: trocar a injeção pelo
comprimido significa menos efeitos colaterais no estômago e no intestino?
Segundo
o cirurgião do aparelho digestivo Dr.
Rodrigo Barbosa, a mudança na
forma de administração não altera o principal mecanismo de ação do medicamento.
"A
semaglutida atua nos receptores de GLP-1, que participam do controle do
apetite, da saciedade e do esvaziamento gástrico. Por isso, mesmo em
comprimidos, pode provocar náuseas, vômitos, sensação de estômago cheio e
constipação intestinal", explica.
O
medicamento retarda o esvaziamento do estômago, fazendo com que os alimentos
permaneçam por mais tempo no órgão. Esse efeito contribui para a saciedade, mas
também pode causar desconforto abdominal, empachamento e refluxo em algumas
pessoas.
No
intestino, a redução da ingestão alimentar, mudanças na hidratação e alterações
da motilidade gastrointestinal podem favorecer a prisão de ventre.
"Alguns
pacientes passam a evacuar com menos frequência durante o tratamento.
Entretanto, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, distensão importante
ou dificuldade para eliminar gases e fezes não devem ser considerados efeitos
normais. Esses sintomas precisam de avaliação médica", alerta o
especialista.
Pessoas
com problemas digestivos preexistentes, especialmente gastroparesia, refluxo
importante ou constipação crônica, precisam de avaliação individualizada antes
de iniciar o tratamento.
O
médico também chama a atenção para possíveis complicações, como pancreatite e
problemas na vesícula biliar, que podem se manifestar com dor abdominal intensa
e persistente.
A versão oral é necessariamente mais segura para o aparelho digestivo?
De
acordo com Dr. Rodrigo, não é possível fazer essa afirmação apenas pela forma
de administração. As apresentações possuem diferenças de dose, absorção e
frequência de uso, mas ambas podem provocar efeitos gastrointestinais.
"A chegada do comprimido é um avanço porque oferece mais uma possibilidade de tratamento. Mas não significa que o medicamento possa ser utilizado sem acompanhamento. O estômago e o intestino continuam respondendo à ação da semaglutida, e os sinais do organismo precisam ser respeitados", conclui.
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