Estratégias de Fabiano de Abreu, reunidas em estudo científico publicado internacionalmente, ajudam a compreender como o cérebro aprende e retém informações. Caio Temponi está entre os estudantes que adotam essas práticas.
Com as
provas do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) marcadas para os dias 8 e 15 de
novembro, o neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela, Pós-PhD em
Neurociências e diretor científico do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito
(CPAH), apresenta dez estratégias para melhorar a memorização e organizar os
estudos na reta final de preparação.
As
orientações estão relacionadas ao estudo científico “Técnicas para memorização:
sobre as células de engramas”, publicado em 2021 na revista
internacional Ciencia Latina Revista Científica Multidisciplinar. O
artigo analisa mecanismos da memória, neuroplasticidade, atenção e influência
da ansiedade na aprendizagem.
Entre os
jovens que relatam utilizar essas técnicas está Caio Temponi, reconhecido pelo
RankBrasil após conquistar 18 aprovações em vestibulares aos 14 anos, incluindo
uma aprovação no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
Segundo
Fabiano, memorizar envolve a formação e a reativação de redes neuronais
associadas às experiências, conhecidas como engramas. O hipocampo participa da
formação de novas memórias, enquanto processos de plasticidade sináptica
contribuem para sua consolidação.
“A memória
não é um ato de força, mas um processo. Para ser eficaz, a informação precisa
despertar interesse e criar conexões, respeitando os processos biológicos do
cérebro”, explica o neurocientista.
As 10 técnicas recomendadas
- Entenda antes de memorizar: Compreender o significado de um conteúdo facilita sua
associação a conhecimentos anteriores e permite recuperá-lo em situações
diferentes.
- Ensine o que aprendeu:
Explicar uma matéria sem consultar anotações exige recuperar informações
da memória e ajuda a identificar dificuldades de compreensão.
- Divida o estudo em blocos:
Organize períodos de concentração de aproximadamente 20 a 30 minutos, com
pequenas pausas. O intervalo reduz a fadiga mental.
- Utilize mapas mentais:
Organize conceitos por meio de palavras-chave, imagens e conexões visuais.
Essa estrutura facilita a identificação das relações entre assuntos.
- Associe novas informações:
Relacione fórmulas, datas e conceitos a conhecimentos familiares. A
associação cria pistas que facilitam a recordação.
- Utilize a emoção e a criatividade: Histórias, imagens inusitadas e associações pessoais
podem tornar determinadas informações mais fáceis de recuperar.
- Priorize o sono:
Durante o descanso, o cérebro participa da consolidação das memórias.
Reduzir o sono para estudar pode prejudicar a atenção e a aprendizagem.
- Cuide da alimentação:
Uma dieta equilibrada, com fontes de ômega 3, vitaminas e compostos
antioxidantes, contribui para a saúde cerebral, embora nenhum alimento
isolado garanta melhora da memória.
- Leia, escreva e teste sua memória: Produza resumos com as próprias palavras, explique
conceitos em voz alta e tente reproduzir o conteúdo sem consultar o
material.
- Elimine distrações e revise: Afaste o celular e as notificações durante o estudo.
Revise os conteúdos em dias diferentes, utilizando a repetição espaçada
para fortalecer a retenção.
O estudo de
Fabiano também discute a relação entre ansiedade, atenção e memória. Estados de
estresse intenso podem comprometer o controle atencional e dificultar a
recuperação de informações, mesmo quando o estudante já conhece o conteúdo.
Para o
neurocientista, o candidato precisa reconhecer que aprender e conseguir
recuperar o conhecimento durante uma prova são processos relacionados, mas
distintos. A preparação deve combinar compreensão, revisões e exercícios que
exijam recordar o conteúdo sem auxílio.
A pesquisa
apresenta uma análise teórica e orientações práticas sobre memorização, sem
medir diretamente o desempenho de candidatos no ENEM.
Fabiano de Abreu Rodrigues (2021). Técnicas para memorização: sobre as células de engramas. Ciencia Latina Revista Científica Multidisciplinar, 5(5), 9873–9888.
DOI: https://doi.org/10.37811/cl_rcm.v5i5.1037
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