Vírus
pouco conhecido pode permanecer sem sintomas por anos, mas está associado a
doenças neurológicas e hematológicas; diagnóstico durante a gestação permite
adotar medidas para reduzir o risco de transmissão
O vírus linfotrópico de
células T humanas (HTLV) ainda é pouco conhecido pela população, apesar de sua
relevância para a saúde pública. Segundo estimativas do Ministério da Saúde,
cerca de 800 mil pessoas vivem com o vírus no Brasil. A maioria dos infectados
não desenvolve sintomas, mas a infecção pode estar associada a doenças graves,
como a leucemia/linfoma de células T do adulto e a mielopatia associada ao
HTLV-1, uma doença neurológica que pode comprometer os movimentos e a
mobilidade.
O HTLV pode ser transmitido
pelo contato com sangue contaminado, por relações sexuais sem preservativo e da
mãe para o bebê, principalmente durante a amamentação. No caso das gestantes,
estudos analisados pelo Ministério da Saúde apontam prevalências que variam de
0% a 1,05%, com taxas mais elevadas em determinadas áreas das regiões Norte e
Nordeste.
A identificação da infecção
durante o pré-natal é uma medida importante para prevenir a transmissão
vertical. Em dezembro de 2025, o Ministério da Saúde publicou orientações que
recomendam a testagem para HTLV-1/2 no primeiro trimestre da gestação,
preferencialmente na primeira consulta do pré-natal, conforme a disponibilidade
dos testes necessários.
“O HTLV é uma infecção crônica
que pode permanecer silenciosa por muitos anos. Por isso, muitas pessoas
desconhecem que vivem com o vírus. Embora a maioria não desenvolva
manifestações clínicas, existe o risco de doenças neurológicas e hematológicas
graves. Na gestação, identificar a infecção é fundamental para orientar a
assistência e reduzir o risco de transmissão para o bebê”, afirma a Dra. Flávia
Falci, infectologista do Grupo Santa Joana.
A transmissão de mãe para filho é uma das principais vias de disseminação do HTLV. Quando a infecção materna é confirmada, a amamentação não é recomendada, conforme as orientações do Ministério da Saúde. Nesses casos, deve ser garantida uma alternativa segura de alimentação para o recém-nascido, como fórmula infantil, com orientação e acompanhamento da equipe de saúde. O diagnóstico permite que a família receba as orientações necessárias para reduzir o risco de transmissão e garantir os cuidados adequados à mãe e ao bebê.
Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br
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