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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

HTLV pode ser transmitido da mãe para o bebê; testagem no pré-natal ajuda a prevenir a infecção

Vírus pouco conhecido pode permanecer sem sintomas por anos, mas está associado a doenças neurológicas e hematológicas; diagnóstico durante a gestação permite adotar medidas para reduzir o risco de transmissão
 

O vírus linfotrópico de células T humanas (HTLV) ainda é pouco conhecido pela população, apesar de sua relevância para a saúde pública. Segundo estimativas do Ministério da Saúde, cerca de 800 mil pessoas vivem com o vírus no Brasil. A maioria dos infectados não desenvolve sintomas, mas a infecção pode estar associada a doenças graves, como a leucemia/linfoma de células T do adulto e a mielopatia associada ao HTLV-1, uma doença neurológica que pode comprometer os movimentos e a mobilidade. 

O HTLV pode ser transmitido pelo contato com sangue contaminado, por relações sexuais sem preservativo e da mãe para o bebê, principalmente durante a amamentação. No caso das gestantes, estudos analisados pelo Ministério da Saúde apontam prevalências que variam de 0% a 1,05%, com taxas mais elevadas em determinadas áreas das regiões Norte e Nordeste. 

A identificação da infecção durante o pré-natal é uma medida importante para prevenir a transmissão vertical. Em dezembro de 2025, o Ministério da Saúde publicou orientações que recomendam a testagem para HTLV-1/2 no primeiro trimestre da gestação, preferencialmente na primeira consulta do pré-natal, conforme a disponibilidade dos testes necessários. 

“O HTLV é uma infecção crônica que pode permanecer silenciosa por muitos anos. Por isso, muitas pessoas desconhecem que vivem com o vírus. Embora a maioria não desenvolva manifestações clínicas, existe o risco de doenças neurológicas e hematológicas graves. Na gestação, identificar a infecção é fundamental para orientar a assistência e reduzir o risco de transmissão para o bebê”, afirma a Dra. Flávia Falci, infectologista do Grupo Santa Joana. 

A transmissão de mãe para filho é uma das principais vias de disseminação do HTLV. Quando a infecção materna é confirmada, a amamentação não é recomendada, conforme as orientações do Ministério da Saúde. Nesses casos, deve ser garantida uma alternativa segura de alimentação para o recém-nascido, como fórmula infantil, com orientação e acompanhamento da equipe de saúde. O diagnóstico permite que a família receba as orientações necessárias para reduzir o risco de transmissão e garantir os cuidados adequados à mãe e ao bebê. 



Hospital e Maternidade Santa Joana
www.santajoana.com.br


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