Mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com obesidade, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O cenário global reforça que a condição não pode ser compreendida como uma falha de disciplina individual, mas como um importante desafio de saúde pública. Seus impactos vão muito além da aparência, comprometendo a qualidade de vida, a mobilidade e o bem-estar diário, além de aumentar o risco de diversas outras complicações de saúde.
Historicamente, a obesidade costuma ser discutida
sob a ótica da estética, do peso e da imagem. Essa abordagem simplista ajudou a
consolidar uma ideia equivocada e nociva: a de que o emagrecimento seria apenas
uma escolha individual, baseada em força de vontade ou em padrões de beleza. A
ciência, no entanto, aponta para outra realidade. A obesidade é uma doença
crônica, complexa e multifatorial, influenciada por fatores metabólicos,
genéticos, ambientais e sociais.
Segundo a Dra. Karla Bandeira, médica
endocrinologista e consultora da Voy, empresa de
gestão de saúde que fornece acesso a jornadas de emagrecimento, reconhecer a
obesidade como uma doença crônica é fundamental para ampliar o acesso ao
diagnóstico, à prevenção e ao tratamento adequado. “Deslocar essa visão do
campo estético para o campo da saúde é mais do que um ajuste terminológico; é
uma mudança urgente de paradigma. Quando reduzimos a condição ao número na
balança, enfraquecemos a importância do diagnóstico correto, da prevenção e do
cuidado contínuo”, afirma a médica.
Superar essa visão também é um passo fundamental no
combate ao estigma associado à obesidade. Culpabilizar o indivíduo ignora a
complexidade da doença e pode afastar as pessoas do acompanhamento adequado.
Segundo a World Obesity Federation, a resposta ao problema deve ser pautada em
evidências científicas, escuta empática, dignidade e acolhimento livre de
julgamentos.
Isso não significa retirar do indivíduo a
responsabilidade sobre seus hábitos e escolhas. Significa oferecer o suporte
necessário para que essa responsabilidade possa ser exercida com acesso à
informação de qualidade e acompanhamento profissional. “A mudança de
mentalidade que precisamos promover substitui uma pergunta ultrapassada, sobre
como perder peso rapidamente, por um questionamento institucional e humano
muito mais relevante: como garantir saúde e qualidade de vida para quem vive
com obesidade?”, completa a Dra. Karla.
À medida que afastamos o tema do debate puramente
estético, abrimos espaço para uma conversa mais madura, responsável e eficaz.
Tratar a obesidade como doença não significa perseguir um padrão estético
ideal, mas garantir às pessoas que vivem com a condição acesso a um cuidado
digno, preventivo e baseado na ciência.
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