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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Muito além da balança: Por que a obesidade precisa ser encarada como uma doença

Mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com obesidade, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O cenário global reforça que a condição não pode ser compreendida como uma falha de disciplina individual, mas como um importante desafio de saúde pública. Seus impactos vão muito além da aparência, comprometendo a qualidade de vida, a mobilidade e o bem-estar diário, além de aumentar o risco de diversas outras complicações de saúde.

Historicamente, a obesidade costuma ser discutida sob a ótica da estética, do peso e da imagem. Essa abordagem simplista ajudou a consolidar uma ideia equivocada e nociva: a de que o emagrecimento seria apenas uma escolha individual, baseada em força de vontade ou em padrões de beleza. A ciência, no entanto, aponta para outra realidade. A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial, influenciada por fatores metabólicos, genéticos, ambientais e sociais.

Segundo a Dra. Karla Bandeira, médica endocrinologista e consultora da Voy, empresa de gestão de saúde que fornece acesso a jornadas de emagrecimento, reconhecer a obesidade como uma doença crônica é fundamental para ampliar o acesso ao diagnóstico, à prevenção e ao tratamento adequado. “Deslocar essa visão do campo estético para o campo da saúde é mais do que um ajuste terminológico; é uma mudança urgente de paradigma. Quando reduzimos a condição ao número na balança, enfraquecemos a importância do diagnóstico correto, da prevenção e do cuidado contínuo”, afirma a médica.

Superar essa visão também é um passo fundamental no combate ao estigma associado à obesidade. Culpabilizar o indivíduo ignora a complexidade da doença e pode afastar as pessoas do acompanhamento adequado. Segundo a World Obesity Federation, a resposta ao problema deve ser pautada em evidências científicas, escuta empática, dignidade e acolhimento livre de julgamentos.

Isso não significa retirar do indivíduo a responsabilidade sobre seus hábitos e escolhas. Significa oferecer o suporte necessário para que essa responsabilidade possa ser exercida com acesso à informação de qualidade e acompanhamento profissional. “A mudança de mentalidade que precisamos promover substitui uma pergunta ultrapassada, sobre como perder peso rapidamente, por um questionamento institucional e humano muito mais relevante: como garantir saúde e qualidade de vida para quem vive com obesidade?”, completa a Dra. Karla.

À medida que afastamos o tema do debate puramente estético, abrimos espaço para uma conversa mais madura, responsável e eficaz. Tratar a obesidade como doença não significa perseguir um padrão estético ideal, mas garantir às pessoas que vivem com a condição acesso a um cuidado digno, preventivo e baseado na ciência.


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