Dados da OMS revelam que 40% dos brasileiros sofrem com o bruxismo. Especialista em bucomaxilo do Hospital CEMA explica por que a articulação da mandíbula “engana” o paciente, quais sinais merecem atenção e como evitar a peregrinação entre consultórios
Quem sente dor no
ouvido e ouve do otorrino que “está tudo normal” pode estar diante de outro
problema: o bruxismo, hábito de ranger ou apertar os dentes. Estimativas
indicam que o distúrbio atinge cerca de 40% das pessoas, segundo a OMS, ou ao
menos 80 milhões de brasileiros, segundo a Associação Brasileira de
Odontologia. E o número vem subindo: um levantamento ligado ao Einstein apontou
que 7 em cada 10 adultos relataram episódios de bruxismo durante a pandemia,
com dor de ouvido entre os sintomas citados.
A articulação
temporomandibular (ATM), que une a mandíbula ao crânio, fica a milímetros do
canal auditivo. Quando os músculos da mastigação trabalham em excesso, a dor
pode irradiar para o ouvido, sem que haja infecção ou lesão ali. Segundo o Dr.
Erico Vlasic Campello, cirurgião bucomaxilofacial do Hospital CEMA,
referência no atendimento e há 50 anos com atuação no Brasil, é comum o
paciente chegar ao consultório depois de passar por outros especialistas, sem
uma resposta clara e um diagnóstico que lhe entregue solução.
“Muitos pacientes
chegam a nós depois de meses tratando um ouvido que não tem problema. A dor é
real, mas a origem está na articulação e na musculatura da mandíbula.”, afirma
o Dr. Erico.
Os números por trás do alerta
● Cerca
de 40% das pessoas têm o distúrbio, segundo a OMS, e ao menos 80 milhões de
brasileiros, segundo a Associação Brasileira de Odontologia (ABO).
● 84,8%
dos ortodontistas e odontopediatras ouvidos em estudo da UFPel relataram
aumento nos diagnósticos de bruxismo em crianças e adolescentes durante a
pandemia.
O que quase ninguém sabe
● Nem
sempre acontece à noite: existe o bruxismo de vigília: apertar os
dentes sem perceber durante o trabalho, no trânsito ou diante do celular e do
computador.
● A
posição de repouso correta da boca: é com lábios fechados e
dentes separados. Dente com dente o dia todo já é sinal de sobrecarga.
● Os
sintomas vão além da boca: há relatos de dores de cabeça
constantes, dores na região do ouvido, zumbido, tontura, dores no pescoço,
nuca, ombros e na coluna.
● O
desgaste é silencioso: o bruxismo pode causar desgaste do
esmalte e da dentina, quebra de dentes e próteses, sensibilidade e mobilidade
dos dentes.
Sinais de alerta
● Dor
ou pressão no ouvido sem diagnóstico de infecção
● Mandíbula
travada ou dolorida ao acordar
● Estalos
ao abrir a boca
● Dor
de cabeça frequente, especialmente nas têmporas
● Dentes
desgastados, lascados ou sensíveis
● Zumbido
ou sensação de ouvido tampado
Como tratar
O tratamento é individualizado. Entre as
opções estão a placa de proteção para dormir e a melhora da qualidade do sono,
além de fisioterapia, controle do estresse e, em casos selecionados, toxina
botulínica ou laserterapia.
“Quanto antes o
diagnóstico, mais simples o tratamento. Esperar o dente quebrar ou a dor virar
crônica só complica o caminho”, orienta o Dr. Erico.
Hospital CEMA
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