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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Casos de bruxismo crescem e podem ser a causa de dores, zumbido e até perda de dentes

Dados da OMS revelam que 40% dos brasileiros sofrem com o bruxismo. Especialista em bucomaxilo do Hospital CEMA explica por que a articulação da mandíbula “engana” o paciente, quais sinais merecem atenção e como evitar a peregrinação entre consultórios

 

Quem sente dor no ouvido e ouve do otorrino que “está tudo normal” pode estar diante de outro problema: o bruxismo, hábito de ranger ou apertar os dentes. Estimativas indicam que o distúrbio atinge cerca de 40% das pessoas, segundo a OMS, ou ao menos 80 milhões de brasileiros, segundo a Associação Brasileira de Odontologia. E o número vem subindo: um levantamento ligado ao Einstein apontou que 7 em cada 10 adultos relataram episódios de bruxismo durante a pandemia, com dor de ouvido entre os sintomas citados.

A articulação temporomandibular (ATM), que une a mandíbula ao crânio, fica a milímetros do canal auditivo. Quando os músculos da mastigação trabalham em excesso, a dor pode irradiar para o ouvido, sem que haja infecção ou lesão ali. Segundo o Dr. Erico Vlasic Campello, cirurgião bucomaxilofacial do Hospital CEMA, referência no atendimento e há 50 anos com atuação no Brasil, é comum o paciente chegar ao consultório depois de passar por outros especialistas, sem uma resposta clara e um diagnóstico que lhe entregue solução.

“Muitos pacientes chegam a nós depois de meses tratando um ouvido que não tem problema. A dor é real, mas a origem está na articulação e na musculatura da mandíbula.”, afirma o Dr. Erico.


Os números por trás do alerta

●     Cerca de 40% das pessoas têm o distúrbio, segundo a OMS, e ao menos 80 milhões de brasileiros, segundo a Associação Brasileira de Odontologia (ABO).

●     84,8% dos ortodontistas e odontopediatras ouvidos em estudo da UFPel relataram aumento nos diagnósticos de bruxismo em crianças e adolescentes durante a pandemia.


O que quase ninguém sabe

●     Nem sempre acontece à noite: existe o bruxismo de vigília: apertar os dentes sem perceber durante o trabalho, no trânsito ou diante do celular e do computador.

●     A posição de repouso correta da boca: é com lábios fechados e dentes separados. Dente com dente o dia todo já é sinal de sobrecarga.

●     Os sintomas vão além da boca: há relatos de dores de cabeça constantes, dores na região do ouvido, zumbido, tontura, dores no pescoço, nuca, ombros e na coluna.

●     O desgaste é silencioso: o bruxismo pode causar desgaste do esmalte e da dentina, quebra de dentes e próteses, sensibilidade e mobilidade dos dentes.


Sinais de alerta

●     Dor ou pressão no ouvido sem diagnóstico de infecção

●     Mandíbula travada ou dolorida ao acordar

●     Estalos ao abrir a boca

●     Dor de cabeça frequente, especialmente nas têmporas

●     Dentes desgastados, lascados ou sensíveis

●     Zumbido ou sensação de ouvido tampado


Como tratar
 O tratamento é individualizado. Entre as opções estão a placa de proteção para dormir e a melhora da qualidade do sono, além de fisioterapia, controle do estresse e, em casos selecionados, toxina botulínica ou laserterapia.

“Quanto antes o diagnóstico, mais simples o tratamento. Esperar o dente quebrar ou a dor virar crônica só complica o caminho”, orienta o Dr. Erico.

 

Hospital CEMA


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