O mapeamento aponta que, entre os 93,8
mil homens de 50 a 75 anos atendidos no último ano, 20,5% saíram da consulta
com pedido de PSA e 19,2% passaram por um urologista
O aumento benigno da próstata é o diagnóstico mais
frequente entre homens com 40 anos ou mais atendidos na rede dr.consulta. No
período de outubro de 2025 a outubro de 2026, foram registrados 11.386
diagnósticos da condição entre os pacientes dessa faixa etária, à frente de
problemas como pressão alta, que contabilizou 8.676 registros. Os dados fazem
parte de um levantamento proprietário da empresa e ajudam a ampliar a discussão
sobre a saúde masculina durante o Novembro Azul, campanha de conscientização
sobre o câncer de próstata.
O estudo também mostra que, entre os pacientes da
rede com diagnóstico registrado de câncer de próstata, oito em cada dez têm 60
anos ou mais. Para Bruno Briggs, urologista do dr.consulta, os dados reforçam a
importância de olhar para a saúde masculina de forma contínua, sem restringir
os cuidados ao período da campanha. “A saúde da próstata precisa fazer parte da
conversa sobre o cuidado integral do homem. O aumento benigno da próstata e o
câncer são condições diferentes, embora possam envolver sintomas semelhantes.
Por isso, a avaliação médica é fundamental para investigar cada caso e orientar
a conduta mais adequada”, explica.
A seguir, o especialista explica sobre a detecção
precoce, a importância dos fatores de risco, as diretrizes para exames e a
necessidade de cuidados contínuos com a saúde do homem.
Câncer de próstata pode não apresentar sintomas no início
O câncer de próstata é o mais frequente entre os
homens no Brasil, excetuando-se os tumores de pele não melanoma. De acordo com
estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 77.920 novos
casos por ano no país entre 2026 e 2028. Em 2024, foram registradas 17.587
mortes pela doença, o equivalente a aproximadamente 48 por dia.
Um dos desafios para o diagnóstico é que o câncer de
próstata pode não apresentar sintomas nas fases iniciais. Quando surgem,
manifestações como dificuldade para urinar, jato urinário fraco, necessidade de
urinar com maior frequência ou presença de sangue na urina exigem avaliação
médica, independentemente da idade.
“Não apresentar sintomas não significa,
necessariamente, que não exista uma alteração. Ao mesmo tempo, sintomas urinários
não indicam, por si só, a presença de câncer, pois também podem estar
relacionados a condições benignas. A investigação deve considerar o histórico,
os fatores de risco e as características de cada paciente”, orienta o
especialista.
Idade e histórico familiar merecem atenção
A idade é um fator importante na avaliação do risco
de câncer de próstata. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda
avaliação individual com urologista a partir dos 50 anos. Para homens negros,
obesos ou com histórico familiar da doença como pai, avô ou irmão
diagnosticado, a recomendação é antecipar essa conversa para os 45 anos.
O histórico familiar merece atenção porque pode
influenciar o risco individual. A presença desses fatores, porém, não significa
que a pessoa necessariamente desenvolverá a doença. Por isso, a orientação é
discutir com um profissional de saúde o histórico pessoal e familiar, os
possíveis benefícios da investigação e seus riscos.
PSA: indicação deve ser discutida com o médico
Os dados do dr.consulta mostram que, entre os 93,8
mil homens de 50 a 75 anos atendidos pela rede entre outubro de 2025 a outubro
de 2026, 20,5% saíram da consulta com pedido de PSA, exame de sangue que mede o
antígeno prostático específico. No mesmo grupo, 19,2% passaram por consulta com
urologista.
A indicação de exames para investigar o câncer de
próstata deve ser discutida individualmente entre médico e paciente. O
Ministério da Saúde não recomenda a realização de PSA ou toque retal de rotina
para todos os homens sem sintomas, considerando os possíveis benefícios e
riscos da investigação.
“Mais importante do que realizar exames de forma
indiscriminada é ter acesso à orientação médica para entender os riscos e
benefícios de cada investigação”, pontua o especialista.
Homens procuram menos atendimento médico
O levantamento também chama a atenção para a
continuidade do cuidado: quatro em cada dez adultos atendidos na rede são
homens e, em média, eles realizam 3,5 atendimentos por ano, ante quatro entre
as mulheres.
Para Bruno, o Novembro Azul é uma oportunidade para
estimular conversas sobre prevenção e acompanhamento, mas o cuidado com a saúde
masculina precisa acontecer durante todo o ano. “Olhar para um conjunto de
fatores que vão de hábitos e check-ups à identificação precoce de doenças
silenciosas também integra esse cuidado. Quando a conversa acontece no momento
certo, o tratamento tende a ser menos invasivo e os resultados melhores”.
Hábitos saudáveis também fazem parte da saúde do homem
Além da atenção à saúde da próstata, o cuidado
masculino deve contemplar hábitos que contribuam para o bem-estar e a prevenção
de doenças ao longo da vida. Manter uma alimentação equilibrada, priorizando
fibras, frutas, legumes, grãos integrais e fontes magras de proteína, praticar
atividade física regularmente e ter uma rotina de sono adequada são medidas
importantes para a saúde geral. Reduzir o consumo de álcool e evitar o tabaco
também fazem parte desse cuidado.
Outro ponto fundamental é manter a vacinação em dia e
realizar consultas e exames conforme a orientação médica, considerando a idade,
o histórico familiar e as necessidades individuais. “A saúde masculina vai além
da próstata e não deve ser prioridade apenas durante o Novembro Azul. A
prevenção começa com hábitos cotidianos e com a busca regular por orientação
profissional”, conclui Bruno.
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