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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Novembro Azul: especialista alerta para sinais de câncer de próstata e importância da avaliação médica

O mapeamento aponta que, entre os 93,8 mil homens de 50 a 75 anos atendidos no último ano, 20,5% saíram da consulta com pedido de PSA e 19,2% passaram por um urologista 


O aumento benigno da próstata é o diagnóstico mais frequente entre homens com 40 anos ou mais atendidos na rede dr.consulta. No período de outubro de 2025 a outubro de 2026, foram registrados 11.386 diagnósticos da condição entre os pacientes dessa faixa etária, à frente de problemas como pressão alta, que contabilizou 8.676 registros. Os dados fazem parte de um levantamento proprietário da empresa e ajudam a ampliar a discussão sobre a saúde masculina durante o Novembro Azul, campanha de conscientização sobre o câncer de próstata.

O estudo também mostra que, entre os pacientes da rede com diagnóstico registrado de câncer de próstata, oito em cada dez têm 60 anos ou mais. Para Bruno Briggs, urologista do dr.consulta, os dados reforçam a importância de olhar para a saúde masculina de forma contínua, sem restringir os cuidados ao período da campanha. “A saúde da próstata precisa fazer parte da conversa sobre o cuidado integral do homem. O aumento benigno da próstata e o câncer são condições diferentes, embora possam envolver sintomas semelhantes. Por isso, a avaliação médica é fundamental para investigar cada caso e orientar a conduta mais adequada”, explica.

A seguir, o especialista explica sobre a detecção precoce, a importância dos fatores de risco, as diretrizes para exames e a necessidade de cuidados contínuos com a saúde do homem.



Câncer de próstata pode não apresentar sintomas no início

O câncer de próstata é o mais frequente entre os homens no Brasil, excetuando-se os tumores de pele não melanoma. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 77.920 novos casos por ano no país entre 2026 e 2028. Em 2024, foram registradas 17.587 mortes pela doença, o equivalente a aproximadamente 48 por dia.

Um dos desafios para o diagnóstico é que o câncer de próstata pode não apresentar sintomas nas fases iniciais. Quando surgem, manifestações como dificuldade para urinar, jato urinário fraco, necessidade de urinar com maior frequência ou presença de sangue na urina exigem avaliação médica, independentemente da idade.

“Não apresentar sintomas não significa, necessariamente, que não exista uma alteração. Ao mesmo tempo, sintomas urinários não indicam, por si só, a presença de câncer, pois também podem estar relacionados a condições benignas. A investigação deve considerar o histórico, os fatores de risco e as características de cada paciente”, orienta o especialista.



Idade e histórico familiar merecem atenção

A idade é um fator importante na avaliação do risco de câncer de próstata. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda avaliação individual com urologista a partir dos 50 anos. Para homens negros, obesos ou com histórico familiar da doença como pai, avô ou irmão diagnosticado, a recomendação é antecipar essa conversa para os 45 anos.

O histórico familiar merece atenção porque pode influenciar o risco individual. A presença desses fatores, porém, não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a doença. Por isso, a orientação é discutir com um profissional de saúde o histórico pessoal e familiar, os possíveis benefícios da investigação e seus riscos.



PSA: indicação deve ser discutida com o médico

Os dados do dr.consulta mostram que, entre os 93,8 mil homens de 50 a 75 anos atendidos pela rede entre outubro de 2025 a outubro de 2026, 20,5% saíram da consulta com pedido de PSA, exame de sangue que mede o antígeno prostático específico. No mesmo grupo, 19,2% passaram por consulta com urologista.

A indicação de exames para investigar o câncer de próstata deve ser discutida individualmente entre médico e paciente. O Ministério da Saúde não recomenda a realização de PSA ou toque retal de rotina para todos os homens sem sintomas, considerando os possíveis benefícios e riscos da investigação.

“Mais importante do que realizar exames de forma indiscriminada é ter acesso à orientação médica para entender os riscos e benefícios de cada investigação”, pontua o especialista.



Homens procuram menos atendimento médico

O levantamento também chama a atenção para a continuidade do cuidado: quatro em cada dez adultos atendidos na rede são homens e, em média, eles realizam 3,5 atendimentos por ano, ante quatro entre as mulheres.

Para Bruno, o Novembro Azul é uma oportunidade para estimular conversas sobre prevenção e acompanhamento, mas o cuidado com a saúde masculina precisa acontecer durante todo o ano. “Olhar para um conjunto de fatores que vão de hábitos e check-ups à identificação precoce de doenças silenciosas também integra esse cuidado. Quando a conversa acontece no momento certo, o tratamento tende a ser menos invasivo e os resultados melhores”.



Hábitos saudáveis também fazem parte da saúde do homem

Além da atenção à saúde da próstata, o cuidado masculino deve contemplar hábitos que contribuam para o bem-estar e a prevenção de doenças ao longo da vida. Manter uma alimentação equilibrada, priorizando fibras, frutas, legumes, grãos integrais e fontes magras de proteína, praticar atividade física regularmente e ter uma rotina de sono adequada são medidas importantes para a saúde geral. Reduzir o consumo de álcool e evitar o tabaco também fazem parte desse cuidado.

Outro ponto fundamental é manter a vacinação em dia e realizar consultas e exames conforme a orientação médica, considerando a idade, o histórico familiar e as necessidades individuais. “A saúde masculina vai além da próstata e não deve ser prioridade apenas durante o Novembro Azul. A prevenção começa com hábitos cotidianos e com a busca regular por orientação profissional”, conclui Bruno.

 

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