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sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Câncer de próstata: por que se sentir saudável nem sempre é suficiente?

Urologista do Hospital Vitória Apart explica por que a doença pode permanecer silenciosa por anos e como a avaliação médica contribui para o diagnóstico precoce

 

Não sentir dor, manter a rotina normalmente e não perceber nenhuma alteração no corpo. Para muitos homens, esses são sinais de que está tudo bem com a saúde. Mas, quando se trata do câncer de próstata, a ausência de sintomas pode esconder um problema que evolui silenciosamente por anos. É justamente essa característica que torna a atenção à doença tão importante e reforça o alerta do Novembro Azul: esperar o corpo dar sinais de que algo está errado pode significar descobrir o câncer em uma fase mais avançada. 

O urologista Felipe Magioni, do Hospital Vitória Apart, explica que na maioria dos casos, o tumor começa a se desenvolver na parte mais externa da próstata, distante do canal por onde passa a urina. Por isso, enquanto permanece pequeno, não costuma provocar alterações perceptíveis. “O homem pode ter câncer de próstata e se sentir perfeitamente bem. Esse é um dos grandes desafios da doença. Não devemos esperar o aparecimento de sintomas para procurar orientação médica. A avaliação precisa considerar a idade e os fatores de risco de cada paciente”, alerta.
 

Alterações urinárias merecem atenção

Quando aparecem, os sinais mais comuns incluem dificuldade para começar a urinar, jato fraco ou interrompido, vontade frequente de ir ao banheiro, principalmente durante a noite, e sensação de que a bexiga não esvaziou completamente. Essas manifestações, porém, não significam necessariamente câncer. 

“Na maioria das vezes, estão relacionadas ao aumento benigno da próstata, comum com o avanço da idade, ou a inflamações e infecções. Sangue na urina ou no sêmen, incapacidade de urinar, dor persistente nos ossos e perda de peso sem explicação também exigem avaliação médica”, explica Magioni.
 

Idade e histórico familiar aumentam os riscos

A idade é o principal fator de risco para o câncer de próstata. A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que os homens conversem com o médico sobre a avaliação a partir dos 50 anos. Para aqueles com maior predisposição, a orientação é antecipar essa conversa para os 45 anos. 

“É o caso de homens negros e daqueles que têm pai ou irmão com histórico da doença, especialmente quando o diagnóstico ocorreu antes dos 60 anos. Alterações genéticas hereditárias e obesidade também estão associadas ao aumento do risco. A realização dos exames deve ser discutida individualmente com o médico, considerando o histórico e as características de cada paciente”, orienta o urologista do Hospital Vitória Apart.
 

PSA e toque retal são exames complementares

Entre os principais recursos utilizados na avaliação estão o PSA, exame de sangue que mede uma substância produzida pela próstata, e o toque retal, que permite identificar possíveis nódulos ou áreas endurecidas na glândula. Um PSA alterado não significa necessariamente câncer, pois o resultado também pode sofrer influência de condições benignas, inflamações e infecções. Da mesma forma, um resultado normal não descarta completamente a doença. 

“Os exames se complementam e precisam ser interpretados dentro de uma avaliação médica. Quando existe alguma suspeita, podemos avançar na investigação com exames de imagem, como a ressonância magnética. A confirmação do câncer é feita por meio da biópsia”, esclarece Felipe Magioni.
 

Diagnóstico precoce amplia as chances de cura

Identificar o câncer antes que ele se espalhe para outros órgãos faz diferença nas possibilidades de tratamento. Quando o tumor ainda está restrito à próstata, as chances de cura são muito altas, e as principais alternativas incluem cirurgia e radioterapia. 

Em alguns casos, quando são identificados tumores pequenos e de crescimento lento, o médico pode recomendar a vigilância ativa, que consiste no acompanhamento periódico da doença, sem necessidade de tratamento imediato. A estratégia evita intervenções desnecessárias e possíveis efeitos colaterais, como incontinência urinária e dificuldades de ereção. 

“Cada caso precisa ser avaliado individualmente. Existem tumores que exigem tratamento, mas também há situações em que acompanhar a evolução da doença é a melhor escolha. Quando o diagnóstico acontece cedo, temos mais possibilidades de intervenção e maiores chances de cura”, conclui o urologista. 

No Novembro Azul, a mensagem é clara: cuidar da saúde não deve depender do aparecimento de sintomas. Conhecer os fatores de risco, conversar com um especialista e avaliar a necessidade de exames são atitudes que podem fazer a diferença.


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