Novos campos de
IBS e CBS exigem ajustes em notas fiscais, integrações e rotinas financeiras
antes das próximas fases do cronograma
Uma mudança fiscal pode travar uma operação antes
mesmo de alterar o valor de um imposto. Basta que o sistema não reconheça um
campo, gere a nota no formato errado ou envie ao financeiro informações
incompatíveis. Esse risco entrou no calendário das empresas de turismo com a
implantação gradual dos documentos fiscais adaptados ao IBS e à CBS, tributos
criados pela Reforma Tributária do Consumo.
Bruno Bazoti, fundador e CEO da Larian AI, empresa de tecnologia no
ramo do turismo, afirma que a transição também precisa ser tratada como um
projeto de tecnologia. Plataformas de atendimento, vendas, reservas,
pagamentos, financeiro e contabilidade trocam informações durante uma mesma
operação. Quando uma delas muda, as demais precisam interpretar os novos dados
sem interromper o fluxo.
O cronograma oficial da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS mostra a dimensão técnica da implantação. A página é a principal
referência pública sobre as datas e os leiautes dos documentos eletrônicos. Em
1º de outubro de 2026, começou a obrigatoriedade para a NFS-e de serviços em
geral sujeitos ao ISS. Em 1º de dezembro, o calendário alcança documentos
destinados a plataformas digitais e a serviços intermediados em hipóteses
específicas. Para contribuintes do Simples Nacional, os efeitos previstos sobre
NF-e, NFC-e, CT-e, NFS-e e outros documentos começam em 1º de janeiro de 2027.
As exigências variam conforme o regime tributário,
a atividade e o documento utilizado, o que demanda validação com as áreas
fiscal e contábil. Do ponto de vista tecnológico, a primeira providência é
identificar onde as informações nascem e por quais sistemas passam. Um dado
inserido na venda pode alimentar a reserva, a cobrança, a nota, a conciliação e
o relatório gerencial. Se os campos forem tratados de maneiras diferentes, o
erro percorre toda a cadeia.
“A reforma precisa chegar à estrutura de dados e às
integrações, e não somente à tela de emissão da nota. Quando o ajuste fica
concentrado no fim do processo, a divergência retorna em forma de retrabalho,
falhas de conciliação e conferências manuais”, explica Bazoti.
A adaptação envolve atualizar leiautes, revisar
regras de preenchimento e testar a comunicação com emissores fiscais, ERPs,
sistemas financeiros e plataformas de terceiros. Também será necessário
verificar cancelamentos, reembolsos, comissões e operações intermediadas,
situações comuns no turismo que podem percorrer fornecedores diferentes até a
conclusão da venda.
O calendário em fases reduz a concentração das
mudanças em uma única data, mas cria um período de convivência entre
documentos, regras e versões distintas. Empresas que atendem operações de
portes e regimes tributários variados precisarão reconhecer qual tratamento
deve ser aplicado a cada transação. Nesse ponto, testes em ambiente de
homologação, registros das alterações e planos de contingência ajudam a evitar
que uma falha fiscal paralise atendimento e faturamento.
“A empresa precisa saber qual sistema é responsável
por cada informação e onde ela será conferida. Sem esse mapa, uma atualização
aparentemente simples pode quebrar uma integração ou produzir números
diferentes entre venda, nota fiscal e contabilidade”, afirma o
executivo.
A preparação pode começar pelo inventário dos
documentos emitidos, das integrações ativas e dos fornecedores responsáveis por
atualizações. Em seguida, áreas de tecnologia, financeiro e contabilidade devem
testar jornadas completas, desde o registro da operação até a conciliação. O
objetivo prático é fazer com que a mudança tributária avance nos bastidores sem
transformar a rotina do cliente ou da equipe em uma sequência de correções
manuais.
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