Pesquisar no Blog

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Bactéria presente na boca é investigada na progressão do câncer de mam

Estudo de pesquisadores ligados à Johns Hopkins investiga como a Fusobacterium nucleatum pode influenciar a progressão de tumores mamários em modelos experimentais 

 

O Brasil estima 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no Brasil para o triênio de 2026 a 2028, de acordo com Instituto Nacional do Câncer  (INCA). Em meio ao Outubro Rosa, um estudo publicado neste ano por pesquisadores ligados à Johns Hopkins chama atenção para uma possível relação entre uma bactéria associada à doença periodontal e a progressão do câncer de mama em modelos experimentais. 

A bactéria investigada é a Fusobacterium nucleatum, microrganismo encontrado na cavidade oral e associado principalmente a doenças periodontais. A pesquisa analisou mecanismos pelos quais a presença da bactéria pode interferir no ambiente ao redor das células tumorais e favorecer características relacionadas à progressão do câncer. 

Os resultados fazem parte de uma linha de investigação que busca compreender a relação entre microbiota, processos inflamatórios e tumores. Por ter sido realizada em modelos experimentais, a pesquisa ainda não permite estabelecer que a bactéria cause ou determine a progressão do câncer de mama em seres humanos. 

Para o cirurgião-dentista Dr. Davi Cunha, o trabalho chama atenção para a crescente investigação científica sobre a interação entre os microrganismos da cavidade oral e diferentes processos do organismo. 

“A pesquisa é interessante porque amplia a discussão sobre como os microrganismos presentes na boca podem interagir com outros sistemas. A microbiota oral participa de diversos processos biológicos, e compreender essas relações pode contribuir para novas linhas de investigação”, explica.

 

Bactéria é associada a doenças periodontais

A Fusobacterium nucleatum pode fazer parte da microbiota oral e está associada a processos relacionados à doença periodontal. O problema ocorre quando o acúmulo de placa bacteriana provoca uma resposta inflamatória nos tecidos que sustentam os dentes. 

Entre os sinais que podem indicar problemas periodontais estão sangramento durante a escovação ou ao utilizar o fio dental, gengivas inchadas e avermelhadas, mau hálito persistente, retração gengival e mobilidade dos dentes. 

Em quadros mais avançados, a inflamação pode comprometer os tecidos e o suporte ósseo dos dentes, aumentando o risco de perda dentária. 

“Independentemente das pesquisas que estão sendo realizadas, a doença periodontal precisa ser tratada. Sangramento gengival, alterações na gengiva e mau hálito persistente não devem ser encarados como algo normal. A avaliação odontológica ajuda a identificar o problema e evitar sua evolução”, afirma Davi.

 

O papel da microbiota na saúde

A investigação sobre a Fusobacterium nucleatum acompanha uma área que vem ganhando espaço na ciência: o estudo da microbiota humana e de sua interação com o sistema imunológico e diferentes processos fisiológicos. 

A cavidade oral abriga uma grande diversidade de microrganismos. Quando ocorre um desequilíbrio nessa comunidade, podem surgir condições como cárie e doença periodontal. Por isso, pesquisadores também investigam como as alterações na microbiota podem se relacionar com outras condições de saúde. 

“Hoje temos uma compreensão muito maior de que os microrganismos que vivem no nosso corpo participam de diferentes processos. Isso reforça a importância de cuidar da boca não apenas pensando nos dentes, mas dentro de uma perspectiva mais ampla de saúde”, explica o cirurgião-dentista. 

Na prática, medidas como higiene adequada, uso de fio dental e consultas odontológicas periódicas continuam sendo fundamentais para prevenir e controlar doenças da cavidade oral.


Atenção durante o tratamento contra o câncer

O cuidado odontológico também pode ser importante para pacientes que já receberam o diagnóstico de câncer e estão passando por tratamento. Dependendo da terapia utilizada, podem ocorrer alterações na cavidade oral, como boca seca, feridas, inflamações, alterações no paladar, sensibilidade e maior predisposição a infecções.

A avaliação odontológica pode integrar o acompanhamento multidisciplinar desses pacientes, especialmente para prevenir e controlar complicações que possam surgir durante o tratamento. 

“O paciente oncológico pode apresentar alterações importantes na boca durante o tratamento. Por isso, uma avaliação odontológica adequada permite antecipar problemas, orientar os cuidados necessários e contribuir para a qualidade de vida durante essa fase”, afirma Davi.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados