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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Espirro é um mecanismo de defesa do organismo para expulsar agentes que irritam o nariz; quando as crises são frequentes e vêm acompanhadas de coceira, coriza e obstrução nasal, vale investigar

 

Para algumas pessoas, basta acordar, abrir uma janela, entrar em um ambiente com ar-condicionado, mexer em uma roupa guardada ou começar a limpar a casa para surgir uma verdadeira crise de espirros. Mas, afinal, por que espirramos? Por que algumas pessoas dão apenas um espirro enquanto outras parecem não conseguir parar? E existe uma quantidade considerada normal?

Segundo o Dr. Bruno Borges de Carvalho Barros, otorrinolaringologista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, não existe um número exato de espirros que, isoladamente, determine se há ou não uma doença.

“Espirrar dez vezes seguidas pode chamar atenção, mas o número sozinho diz pouco. Precisamos observar com que frequência isso acontece, em quais situações e, principalmente, se existem outros sintomas associados”, explica.
 

Por que espirramos?

Apesar de muitas vezes ser associado imediatamente à gripe ou à alergia, o espirro é, antes de tudo, um reflexo de proteção do organismo.

O interior do nariz é revestido por uma mucosa sensível. Quando partículas ou substâncias irritantes entram em contato com essa região, terminações nervosas podem ser estimuladas. Essa informação chega ao sistema nervoso e desencadeia uma resposta automática: uma inspiração seguida por uma expulsão rápida e intensa de ar pelo nariz e pela boca.

“Podemos entender o espirro como um mecanismo que tenta eliminar aquilo que está irritando a mucosa nasal. Poeira, ácaros, pólen, fumaça e outros agentes podem desencadear essa resposta. É uma reação involuntária, ou seja, acontece antes mesmo de decidirmos espirrar”, explica Bruno.

É justamente por isso que tentar segurar um espirro pode ser desconfortável. O organismo já iniciou uma resposta reflexa destinada a expelir o ar.
 

Por que algumas pessoas espirram uma vez e outras dez?

A sensibilidade da mucosa nasal varia de pessoa para pessoa. Quem tem rinite, por exemplo, pode apresentar uma resposta mais intensa diante de determinados gatilhos.

Além disso, se o agente irritante continua presente, novos espirros podem ser desencadeados em sequência.

“Não existe uma regra dizendo que um espirro é normal e dez são doença. Algumas pessoas naturalmente apresentam espirros em sequência. O que chama atenção é quando essas crises passam a acontecer com muita frequência ou aparecem acompanhadas de outros sintomas”, afirma o médico.

Poeira, ácaros, pólen, pelos de animais, fumaça, poluição e perfumes intensos podem desencadear sintomas em pessoas mais sensíveis. Mudanças de temperatura também podem provocar sintomas nasais em determinados indivíduos.

“Nem todo espirro é uma reação alérgica. Existem irritações e outros tipos de rinite que também podem provocar crises. Por isso, é importante analisar o contexto”, ressalta.
 

Quando muitos espirros podem indicar rinite ou gripe?

Mais importante do que contar quantas vezes você espirrou é observar o conjunto dos sintomas.

Crises recorrentes de espirros, especialmente quando acompanhadas de coceira no nariz, coriza aquosa, obstrução nasal e, em alguns casos, coceira ou lacrimejamento dos olhos, podem estar relacionadas à rinite alérgica.

Outro indício é perceber um padrão: os sintomas aparecem quando a pessoa limpa a casa? Ao entrar em contato com poeira? Quando dorme em determinado quarto? Ao mexer em roupas guardadas? Em determinadas épocas do ano?

“Quando os episódios são repetitivos e começam a interferir no sono, no trabalho, na concentração ou na rotina, não faz sentido simplesmente se acostumar a viver espirrando. É importante descobrir o que está por trás do sintoma”, orienta Bruno.

O médico ainda conta que infecções respiratórias também podem causar espirros, mas costumam apresentar uma evolução e um conjunto de sintomas diferentes. Dependendo da infecção, podem surgir dor de garganta, mal-estar, tosse, febre e outros sinais.

Já na rinite alérgica, sintomas como coceira, espirros em sequência, coriza clara e obstrução nasal costumam ganhar destaque.

“Um erro comum é tratar todo nariz que escorre como gripe ou todo nariz entupido como sinusite. Sintomas parecidos podem ter causas diferentes e, consequentemente, tratamentos diferentes”, explica.
 

Tem como diminuir as crises de espirro?

O primeiro passo é identificar os possíveis gatilhos. Se houver suspeita de rinite alérgica, medidas de controle ambiental podem fazer parte do cuidado, especialmente quando há exposição a poeira e ácaros.

Manter o ambiente ventilado, reduzir o acúmulo de poeira, higienizar adequadamente roupas de cama e evitar exposição aos gatilhos já conhecidos pode ajudar. A lavagem nasal com solução salina também pode ser recomendada em diferentes situações, desde que realizada de maneira adequada.

Quando as crises são frequentes, porém, a avaliação médica é importante para determinar a causa e definir se existe necessidade de tratamento específico.

“Não precisamos contar cada espirro. Precisamos prestar atenção no padrão. Espirrar várias vezes em uma situação isolada pode acontecer. Espirrar todos os dias, acordar constantemente com o nariz obstruído ou conviver com coceira e coriza merece investigação”, conclui o otorrinolaringologista.
 

 

FONTE:

Bruno Borges de Carvalho Barros - Médico especialista em otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e cirurgia cervico-facial. Mestre e fellow pela Universidade Federal de São Paulo.

 

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