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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Dia das Crianças: qual é a hora certa para ensinar crianças e adolescentes a lidar com dinheiro?

Da primeira mesada à primeira conta, educação financeira desde cedo pode ajudar jovens a desenvolver autonomia e tomar decisões mais conscientes sobre o dinheiro

 

Às vésperas do Dia das Crianças, o aumento do consumo voltado ao público infantil também chama atenção para uma mudança na forma como crianças e adolescentes entram em contato com o dinheiro. Se para as gerações anteriores lidar com dinheiro significava, muitas vezes, acompanhar o saldo da conta, contar cédulas e pensar duas vezes antes de uma compra, hoje o consumo está a poucos cliques de distância. Pix, cartões, aplicativos e pagamentos instantâneos tornaram as transações mais simples, mas também podem tornar os gastos menos perceptíveis. 

Nesse cenário, a educação financeira precisa começar antes mesmo da adolescência. Para Daiane Alves, educadora financeira da Neon, o contato com o universo financeiro e a noção sobre o valor do dinheiro podem ser introduzidos ainda na infância, a partir das escolhas e experiências do cotidiano e, principalmente, do exemplo dado pelos adultos.

“É desde cedo que as crianças começam a construir sua relação com o dinheiro. Na adolescência, quando passam a ter mais autonomia e começam a perceber que suas escolhas financeiras têm consequências, esse aprendizado pode ser aprofundado”, explica. 

Segundo a especialista, entre 12 e 14 anos pode ser um momento adequado para começar a utilizar uma conta supervisionada e ampliar gradualmente a autonomia financeira. A ideia é permitir que o jovem faça escolhas, inclusive erre, mas ainda conte com o acompanhamento da família para transformar essas experiências em aprendizado.

Confira cinco orientações para ajudar crianças e adolescentes a desenvolver uma relação mais consciente com o dinheiro:


  1. Comece antes da primeira conta

A educação financeira não precisa esperar a chegada da mesada ou da primeira conta bancária. A criança já pode começar a entender o valor do dinheiro a partir de situações cotidianas: escolhas de consumo, comparação entre produtos e percepção de que os recursos são limitados.

Na adolescência, uma conta supervisionada pode ser uma ferramenta para ampliar essa autonomia. Entre 12 e 14 anos, o jovem começa a compreender melhor que suas decisões financeiras podem gerar consequências positivas ou negativas, criando uma oportunidade para aprender a administrar o próprio dinheiro antes de chegar à vida adulta.


  1. Ensine a diferença entre querer e precisar

A facilidade dos pagamentos digitais trouxe um novo desafio para as famílias: o dinheiro pode ser gasto sem que o jovem sequer tenha a sensação de que está deixando de ter aquele recurso. 

“Os pagamentos instantâneos e as compras com um clique tornaram o consumo mais invisível. Como não vemos o dinheiro saindo da carteira, o gasto pode parecer menos real e favorecer compras por impulso”, afirma Daiane. 

Uma estratégia simples é adotar a regra das 24 horas: diante de uma compra não planejada, esperar um dia antes de decidir. O intervalo pode ajudar a diferenciar uma necessidade de uma vontade momentânea. 

Outra possibilidade é ensinar o chamado “cálculo do esforço”: transformar o preço de um produto em horas de trabalho, no caso de um bico, ou em semanas de mesada. Perceber quanto esforço é necessário para pagar por determinado item pode ajudar o jovem a avaliar melhor se aquela compra realmente vale a pena.


  1. Dê um destino para o dinheiro

Receber uma mesada ou ganhar dinheiro com pequenos trabalhos não significa que o jovem precise gastar tudo de uma vez. Uma maneira simples de ensinar organização é estabelecer metas e separar o dinheiro de acordo com diferentes objetivos.

Uma divisão sugerida pela especialista é a das “três caixinhas”:

  • 50% para os gastos do mês ou da semana;
  • 30% para metas, como um curso, uma viagem ou a compra de um produto de maior valor;
  • 20% para o futuro, que pode ser destinado a uma reserva ou a um investimento de longo prazo.

As proporções podem ser adaptadas à realidade e aos objetivos de cada jovem. O mais importante é criar o hábito de dar uma finalidade ao dinheiro antes de gastá-lo.

A reserva também pode ensinar que nem todo recurso guardado precisa estar relacionado a uma emergência grave. Um dinheiro separado pode ser utilizado para situações não planejadas, como uma oportunidade de fazer um curso ou comprar algo desejado em uma promoção.


  1. Troque a fiscalização pela conversa

Dar autonomia não significa deixar o jovem sozinho. Para Daiane, uma das formas mais eficientes de acompanhar a vida financeira dos filhos é estabelecer previamente os limites e permitir que eles experimentem as consequências de suas próprias escolhas.

Se existe um valor definido para a semana ou para o mês e o dinheiro acaba antes do prazo, por exemplo, os pais podem evitar fazer um novo aporte imediatamente. A experiência de ficar sem recursos até o próximo ciclo pode ensinar mais do que uma repreensão.

Nesse processo, o diálogo é fundamental. Em vez de fiscalizar cada gasto, os pais podem conversar ao final do mês sobre o que funcionou, o que poderia ter sido diferente e quais são os objetivos para o período seguinte.

“É nessa fase, enquanto ainda contam com o apoio dos pais, que os jovens podem errar e aprender com os próprios erros sem pagar um preço tão alto por isso na vida adulta”, destaca a educadora financeira.


  1. Educação financeira também é segurança digital

A relação dos jovens com o dinheiro acontece cada vez mais no ambiente digital. E, junto com a evolução dos meios de pagamento, também surgem novas formas de golpes e fraudes.

Embora sejam altamente conectados, adolescentes podem ser mais vulneráveis a abordagens fraudulentas justamente pela falta de experiência e conhecimento sobre segurança financeira.

Por isso, alguns cuidados devem fazer parte da educação financeira desde cedo:

  • Desconfiar de promessas de dinheiro rápido ou de jogos que prometem ganhos fáceis;
  • Nunca compartilhar senhas ou códigos de verificação, nem mesmo com amigos;
  • Manter a verificação em duas etapas ativada em redes sociais e contas de e-mail;
  • Conversar abertamente sobre golpes que circulam no ambiente digital e sobre como eles funcionam.

“Os jovens já nasceram em uma era tecnológica. Para acompanhá-la, é necessário não apenas conhecer os novos serviços, mas também entender que os golpes se reinventam junto com eles”, afirma Daiane.

Mais do que ensinar a guardar dinheiro, a especialista afirma que educação financeira na infância e na adolescência pode ajudar a formar adultos mais conscientes sobre escolhas, consumo, planejamento e segurança. Em um cenário em que comprar ficou cada vez mais fácil, aprender quando não comprar pode ser uma das primeiras grandes lições.
 

Neon


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