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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

O brinquedo não precisa ensinar letras para ajudar a criança a aprender

No Dia das Crianças, jogos, blocos de montar e brincadeiras de faz de conta mostram como diversão e aprendizagem caminham juntas. Escolhas adequadas à idade podem favorecer linguagem, raciocínio e criatividade, sem transformar o tempo livre em mais uma obrigação escolar.

 

Na hora de escolher um presente para o Dia das Crianças, embalagens que prometem ensinar letras, números ou palavras em outro idioma podem chamar a atenção das famílias. Mas as possibilidades de aprendizagem não estão restritas aos brinquedos apresentados como educativos. Montar uma cidade com blocos, inventar uma história com bonecos ou participar de um jogo também permite explorar ideias, enfrentar desafios e descobrir diferentes formas de se comunicar.

Para a pedagoga e especialista em Neuropsicopedagogia Shirley Taborda, observar o que a criança pode fazer com o brinquedo é mais importante do que procurar uma promessa de desempenho escolar na embalagem. A diversão não precisa ter uma tarefa escondida para ser uma experiência valiosa.

“Quando a criança brinca de mercado, por exemplo, ela conversa, combina papéis, organiza objetos e cria situações. Não precisa existir uma atividade de alfabetização para que haja oportunidades de aprender. A brincadeira tem valor por aquilo que permite experimentar”, explica.

Blocos de montar e peças de encaixe oferecem possibilidades de construção, comparação de tamanhos e busca por soluções. Quando uma torre cai, a criança pode tentar outra base ou mudar a posição das peças. Já no faz de conta, objetos ganham novos significados: uma caixa vira casa, um tecido se transforma em capa e uma cadeira pode representar um ônibus.

Jogos compartilhados também criam situações de negociação. Esperar a vez, compreender regras e lidar com um resultado diferente do desejado fazem parte da experiência. O adulto pode acompanhar essas descobertas, ajudando quando necessário, sem exigir que a criança saiba administrar todas as dificuldades sozinha.

“O desafio precisa ser possível para aquela criança. Se o brinquedo exige habilidades que ela ainda não desenvolveu, a experiência pode se tornar frustrante. Por outro lado, quando existem diferentes maneiras de explorar, ela encontra espaço para tentar, criar e participar no próprio ritmo”, afirma Shirley.


A escolha deve considerar a criança, além da faixa etária

A indicação de idade e as orientações de segurança são pontos importantes na compra. Também vale observar interesses, habilidades e formas de participação. Duas crianças da mesma idade podem preferir experiências diferentes, e uma escolha adequada deve considerar essas particularidades.

Nem sempre é necessário adquirir um produto elaborado. Materiais simples e seguros podem ampliar as possibilidades de brincar, desde que sejam apropriados à idade e utilizados com a supervisão necessária. O excesso de funções prontas também não garante maior interesse: vale observar se há espaço para a criança inventar usos e conduzir a atividade.

A participação dos responsáveis pode enriquecer esse momento. Entrar na história, ouvir as explicações e aceitar um convite para brincar são formas de compartilhar atenção. Isso não significa corrigir cada construção ou transformar a conversa em uma sequência de perguntas para testar conhecimentos.

“Às vezes, o adulto interrompe a brincadeira para perguntar a cor, contar as peças ou cobrar uma resposta certa. Essas conversas podem acontecer naturalmente, mas não precisam dominar o momento. Também é importante acompanhar o que a criança propõe e deixar que ela conduza parte da experiência”, orienta a pedagoga.

Para Shirley, o Dia das Crianças é uma oportunidade de olhar para o brincar como parte da infância, com espaço para prazer, convivência e descobertas. “O brinquedo não precisa antecipar conteúdos da escola para ser uma boa escolha. Quando permite imaginar, explorar e compartilhar experiências, ele já oferece possibilidades importantes. A criança também precisa de tempo livre para brincar sem ter que demonstrar um resultado ao final”, conclui.

 

Fonte: Shirley Taborda — pedagoga e especialista em Neuropsicopedagogia.

 

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