No Dia das Crianças, jogos, blocos de montar e brincadeiras de faz de conta mostram como diversão e aprendizagem caminham juntas. Escolhas adequadas à idade podem favorecer linguagem, raciocínio e criatividade, sem transformar o tempo livre em mais uma obrigação escolar.
Na hora de escolher um presente para o
Dia das Crianças, embalagens que prometem ensinar letras, números ou palavras
em outro idioma podem chamar a atenção das famílias. Mas as possibilidades de
aprendizagem não estão restritas aos brinquedos apresentados como educativos.
Montar uma cidade com blocos, inventar uma história com bonecos ou participar
de um jogo também permite explorar ideias, enfrentar desafios e descobrir
diferentes formas de se comunicar.
Para a pedagoga e especialista em
Neuropsicopedagogia Shirley Taborda, observar o que a criança pode fazer com o
brinquedo é mais importante do que procurar uma promessa de desempenho escolar
na embalagem. A diversão não precisa ter uma tarefa escondida para ser uma
experiência valiosa.
“Quando a criança brinca de mercado,
por exemplo, ela conversa, combina papéis, organiza objetos e cria situações.
Não precisa existir uma atividade de alfabetização para que haja oportunidades
de aprender. A brincadeira tem valor por aquilo que permite experimentar”,
explica.
Blocos de montar e peças de encaixe
oferecem possibilidades de construção, comparação de tamanhos e busca por
soluções. Quando uma torre cai, a criança pode tentar outra base ou mudar a
posição das peças. Já no faz de conta, objetos ganham novos significados: uma
caixa vira casa, um tecido se transforma em capa e uma cadeira pode representar
um ônibus.
Jogos compartilhados também criam
situações de negociação. Esperar a vez, compreender regras e lidar com um
resultado diferente do desejado fazem parte da experiência. O adulto pode
acompanhar essas descobertas, ajudando quando necessário, sem exigir que a
criança saiba administrar todas as dificuldades sozinha.
“O desafio precisa ser possível para
aquela criança. Se o brinquedo exige habilidades que ela ainda não desenvolveu,
a experiência pode se tornar frustrante. Por outro lado, quando existem
diferentes maneiras de explorar, ela encontra espaço para tentar, criar e
participar no próprio ritmo”, afirma Shirley.
A escolha deve considerar a criança,
além da faixa etária
A indicação de idade e as orientações
de segurança são pontos importantes na compra. Também vale observar interesses,
habilidades e formas de participação. Duas crianças da mesma idade podem
preferir experiências diferentes, e uma escolha adequada deve considerar essas
particularidades.
Nem sempre é necessário adquirir um
produto elaborado. Materiais simples e seguros podem ampliar as possibilidades
de brincar, desde que sejam apropriados à idade e utilizados com a supervisão
necessária. O excesso de funções prontas também não garante maior interesse:
vale observar se há espaço para a criança inventar usos e conduzir a atividade.
A participação dos responsáveis pode
enriquecer esse momento. Entrar na história, ouvir as explicações e aceitar um
convite para brincar são formas de compartilhar atenção. Isso não significa
corrigir cada construção ou transformar a conversa em uma sequência de
perguntas para testar conhecimentos.
“Às vezes, o adulto interrompe a
brincadeira para perguntar a cor, contar as peças ou cobrar uma resposta certa.
Essas conversas podem acontecer naturalmente, mas não precisam dominar o
momento. Também é importante acompanhar o que a criança propõe e deixar que ela
conduza parte da experiência”, orienta a pedagoga.
Para Shirley, o Dia das Crianças é uma
oportunidade de olhar para o brincar como parte da infância, com espaço para
prazer, convivência e descobertas. “O brinquedo não precisa antecipar conteúdos
da escola para ser uma boa escolha. Quando permite imaginar, explorar e
compartilhar experiências, ele já oferece possibilidades importantes. A criança
também precisa de tempo livre para brincar sem ter que demonstrar um resultado
ao final”, conclui.
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