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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Dores e inchaço após cirurgia de siso reduzem em até 50% com o uso de ozonioterapia, aponta estudo

  

Para transformar essa experiência, procedimentos integrativos
 e fundamentados cientificamente vêm ganhando espaço
 na rotina dos consultórios.
 Envato
Estudo conduzido no âmbito do Mestrado Profissional em Ciências Odontológicas destaca que a aplicação do ozônio medicinal auxilia a regeneração tecidual e diminui a necessidade de administração de medicação analgésica no pós-operatório

 

A remoção dos terceiros molares, popularmente conhecidos como dentes do siso, é uma das cirurgias bucais mais realizadas no mundo, mas costuma vir acompanhada do receio do desconforto pós-operatório. Para transformar essa experiência, procedimentos integrativos e fundamentados cientificamente vêm ganhando espaço na rotina dos consultórios. É o caso da ozonioterapia, que se consolida como uma aliada estratégica para acelerar a cicatrização e proporcionar um pós-operatório mais confortável e seguro para os pacientes. 

A técnica é tema de pesquisa de Mestrado Profissional em Ciências Odontológicas desenvolvida por Daniela Celli Amalfi e colaboradores. O estudo foca no impacto direto da aplicação do ozônio medicinal, uma molécula triatômica de oxigênio, durante e após a exodontia dos sisos. 

Estudos clínicos indexados em publicações renomadas, como o Journal of Cranio-Maxillofacial Surgery e a base do National Institutes of Health (NIH), sobre a aplicação do ozônio na odontologia indicam uma redução significativa nos escores de dor pós-operatória e no edema (inchaço), com quedas que variam entre 30% e 50% nos primeiros três dias pós-cirurgia. Além disso, a bioestimulação promovida pelo ozônio atua diretamente na diminuição da necessidade do uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e analgésicos opióides. 

O ozônio medicinal atua de forma multifatorial no organismo. Quando aplicado na cavidade alveolar após a extração do dente, ele promove a modificação imediata do local e estimula a microcirculação sanguínea, elevando a oxigenação dos tecidos. "O ozônio atua com ação antimicrobiana, anti-inflamatória e bioestimuladora. Na cirurgia do siso, ele estimula a angiogênese, favorece a oxigenação tecidual, modula a resposta inflamatória e promove a liberação de fatores de crescimento, o que contribui diretamente para o reparo tecidual e estimula a atividade dos fibroblastos, células essenciais na síntese de colágeno. Isso faz com que a fase inflamatória aguda seja mais rápida e controlada", explica Daniela Celli. 

Outra complicação frequente e temida nas extrações de siso é a alveolite seca, uma dor intensa provocada pela perda ou não formação do coágulo sanguíneo no alvéolo. A aplicação do gás auxilia na estabilização do coágulo e na prevenção desse quadro. 

"Muitos pacientes adiam a remoção do siso por medo do pós-operatório. Com a introdução da ozonioterapia, conseguimos não apenas diminuir significativamente o risco de infecções secundárias, mas também oferecer um retorno muito mais rápido e tranquilo às atividades do dia a dia, reduzindo o consumo de medicamentos sintéticos prolongados", pontua a especialista. 

A aplicação é simples e rápida, sendo realizada sob anestesia local para garantir o total conforto do paciente. Ela pode ser feita através do gás injetado localmente no alvéolo cirúrgico, da irrigação com água ozonizada durante o ato operatório ou pela aplicação de óleos ozonizados no acompanhamento do paciente. 

Reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO), a ozonioterapia exige capacitação adequada do profissional para o manuseio dos geradores e a definição exata das dosagens terapêuticas. Com os avanços das pesquisas científicas na área, a prática se estabelece como um padrão de qualidade na odontologia moderna e minimamente invasiva.
  
 

Dra. Daniela Celli - Cirurgiã-Dentista especialista em Implantodontia com sólida trajetória na área da saúde, integrando conhecimentos de Odontologia e Fisioterapia em sua prática clínica e acadêmica. Graduada em Odontologia e Fisioterapia pela Universidade de Araraquara (UNIARA), cursa Mestrado Profissional em Ciências Odontológicas na mesma instituição, com foco de pesquisa no uso de Ozonioterapia em exodontia de terceiros molares. Atua em reabilitação oral e procedimentos cirúrgicos complexos, com aperfeiçoamentos em Dentística, Cirurgia, L-PRF, venopunção, facetas em resina e reabilitação em maxilas atróficas. Defende que a integração de técnicas cirúrgicas avançadas, biomateriais e terapias complementares é essencial para garantir previsibilidade, rápida recuperação e a excelência funcional e estética no tratamento dos pacientes.


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