Levantamento da Soul HR Consulting aponta os principais fatores que impactam os executivos em movimentação de carreira, como inteligência artificial, presença digital, falta de networking, cenário global, atualização profissional além de questões financeiras.
A transição de carreira nunca foi um momento simples para
executivos, o processo envolve desafios que vão muito além da busca por uma
nova posição. Inteligência artificial, presença digital, cenário geopolítico,
mudanças regulatórias, networking, idade e questões financeiras estão entre os
fatores que hoje mais tiram o sono desses profissionais.
Um levantamento da divisão de Carreiras & Outplacement da Soul HR
Consulting, consultoria de RH especializada em executivos
C-Level, mostra esse cenário. A área registrou crescimento de 45% na demanda no
último ano, acompanhando o aumento da procura por um apoio estratégico durante
os processos de transição profissional.
Presença digital: como ser relevante em meio a tantos
profissionais?
Um dos principais desafios está na construção da presença digital.
O LinkedIn se consolidou como uma importante ferramenta de visibilidade e
relacionamento profissional, mas muitos executivos ainda encontram dificuldades
para transformar sua trajetória em um posicionamento claro e relevante na rede.
“Produção de conteúdo, relacionamento com diferentes públicos e definição de um posicionamento profissional coerente estão entre os principais desafios dos executivos que acompanhamos”, afirma Lucia Costa, sócia da Soul HR Consulting e responsável pela área de Outplacement.
Segundo ela, existe também uma preocupação em encontrar o
equilíbrio entre exposição e autenticidade. “Muitos profissionais ainda
demonstram insegurança sobre como comunicar sua trajetória, marca e seus
diferenciais de forma estratégica.”
Inteligência artificial: uma camada extra de atualização
A inteligência artificial acrescenta uma nova camada a esse
processo. Mais do que aprender a utilizar novas ferramentas de AI, os
executivos precisam compreender como a tecnologia avançada está transformando
processos, modelos de negócio e competências exigidas pelo mercado. “A questão
central deixa de ser apenas dominar novas ferramentas e passa a envolver a
capacidade de compreender como essas tecnologias modificam potencializam os
negócios”, ressalta Lucia.
Contexto de mercado:
As condições do mercado também têm impacto direto na recolocação.
Instabilidades geopolíticas, mudanças econômicas e regulatórias e o
desaquecimento de determinados setores ou até áreas funcionais podem reduzir o
número de oportunidades e aumentar a concorrência nas posições executivas.
Nesse contexto, profissionais podem precisar considerar novas funções, setores,
modelos de contratação e até diferentes localidades. “Um boa análise do cenário
e a flexibilidade em se ajustar ao mesmo, passaram a ser componentes
importantes da estratégia de transição”, explica a sócia da Soul.
Longevidade como oportunidade?
Outro ponto recorrente é a preocupação com a idade. Profissionais
com longa experiência questionam como suas trajetórias serão percebidas em um
mercado que valoriza o mais novo, inovação, velocidade e domínio tecnológico. A
atualização de conhecimentos aparece, assim, como uma forma de aproximar a
ampla experiência acumulada das novas demandas das empresas.
Networking: como ter uma rede de contatos relevante
O networking sempre teve um peso especial nesse processo. Uma rede
pouco ativa pode restringir o acesso a informações, indicações e novas
oportunidades. Para Lucia, entretanto, o objetivo não deve ser simplesmente
aumentar o número de contatos.
“Mais importante do que quantidade é construir relacionamentos
profissionais consistentes, que possam gerar boas trocas, conexões e
oportunidades ao longo do tempo.”
Finanças
Por fim a questão financeira completa o cenário, mesmo sendo a
faixa de remuneração alta e os pacotes de saída normalmente, também, o período
de transição é por si só, um tempo sem renda ou com redução temporária de
renda, o que leva o executivo a rever os seus planos e prioridades. Além disso,
investir em uma nova formação, aceitar uma posição com remuneração menor e / ou
iniciar um negócio próprio são decisões que exigem planejamento e avaliação
financeira dos riscos.
De acordo com Lucia, esse conjunto de fatores mostra que a
transição de carreira necessita de um olhar cada vez mais estratégico e
assertivo. “Trata-se de um processo de reposicionamento que exige dos
executivos clareza sobre seus diferenciais, atualização constante, capacidade
de adaptação e uma estratégia consistente de relacionamento com o mercado”,
completa.
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