Hematologista explica por que a persistência e a combinação de sinais fazem a diferença
Cansaço ao fim do dia, uma mancha roxa que aparece sem que a pessoa se lembre de ter batido e infecções que se repetem são situações comuns e, muitas vezes, têm explicações simples. Mas, quando duram semanas, pioram com o passar dos dias ou aparecem juntos, podem ser sinais de alerta para doenças do sangue, como leucemias e linfomas.
Segundo a hematologista
Camila Gonzaga, médica do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), o que
separa um incômodo passageiro de um alerta é o conjunto dos sintomas. “Uma
mancha roxa, isoladamente, ou cansaço, raramente definem um diagnóstico. O que
pesa é a persistência, a intensidade desproporcional e a presença de outros
sinais juntos”, explica.
Quando o descanso não resolve
Se o cansaço não é igual ao de uma noite mal dormida, não passa com descanso e limita atividades simples do dia a dia, também é um sinal de atenção. “A fadiga ligada a doenças onco-hematológicas é diferente e resulta de vários mecanismos ao mesmo tempo, como a anemia e a liberação de substâncias inflamatórias, que alteram o transporte de oxigênio e a comunicação com o sistema nervoso central. Na leucemia mieloide crônica, por exemplo, a fadiga ocorre em até 80% dos pacientes e frequentemente é a única pista antes de um hemograma de rotina revelar a doença”, diz a médica.
“Palidez, falta de ar ao
esforço, palpitações ou intolerância ao exercício também podem ser indicativos,
quando associados ao mesmo quadro clínico”, complementa.
Manchas roxas sem explicação
As manchas roxas podem surgir com maior facilidade quando há redução no número de plaquetas, células que participam da coagulação e ajudam a conter pequenos sangramentos, mas nem todas são motivo de preocupação. “Quando a medula óssea produz menos plaquetas, ou plaquetas que não funcionam bem, pequenos sangramentos deixam de ser contidos e aparecem na pele e nas mucosas. Já uma mancha isolada, em locais comuns como coxas e antebraços e sem outros sintomas, geralmente é causada por trauma ou fragilidade dos vasos com o avanço da idade”, explica Dra. Camila.
“Os sinais de alerta em
relação às manchas roxas incluem sangramentos espontâneos ou desproporcionais
ao trauma, como na gengiva e no nariz, além de fluxo menstrual excessivo
(menorragia). Também merecem atenção as petéquias, pequenos pontos avermelhados
ou arroxeados na pele, e manchas que surgem sem causa aparente, especialmente
em regiões incomuns, como tronco e costas”, orienta.
Infecções recorrentes
Quando as infecções se
repetem com frequência, merecem atenção. “Infecções recorrentes ou de repetição
podem refletir neutropenia funcional, que é uma queda das defesas do
organismo, ou níveis baixos de imunoglobulinas (anticorpos). Sinais na pele e
na boca, como nódulos arroxeados, gengivas aumentadas ou sangramento
espontâneo, também ajudam na averiguação das doenças do sangue”, detalha a
médica.
Um hemograma é o primeiro passo
De acordo com a médica, o hemograma é um dos primeiros exames utilizados para identificar alterações que podem exigir uma investigação mais aprofundada. “Ele é uma janela para a função da medula óssea e pode detectar alterações que apontam para leucemias ou outras doenças onco-hematológicas”, explica.
Se houver alterações, novos
exames são solicitados. “A investigação segue algumas etapas: o esfregaço de
sangue periférico é o primeiro exame complementar e permite identificar
características de células doentes. Também são feitas a avaliação direta da
medula óssea e análises genéticas. Cada um responde a uma pergunta diferente e
ajuda a definir o tipo de doença e o melhor tratamento”, ressalta Dra. Camila.
Quando procurar ajuda
Para a médica, sintomas que
persistem por mais de duas a quatro semanas, pioram progressivamente ou aparecem
associados a outros sinais merecem investigação. Cansaço persistente, manchas
roxas sem causa aparente ou infecções recorrentes, sobretudo quando ocorrem em
conjunto, justificam uma avaliação médica.
Instituto de Oncologia de Sorocaba

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