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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Quebra de tabu acelera diagnóstico de infertilidade masculina e transforma abordagem no consultório

 Homens representam 30% dos casos de infertilidade do casal de forma isolada e em até 50% das situações quando combinado a fatores femininos

 

Historicamente cercada por estigmas e pelo machismo estrutural, a investigação da infertilidade conjugal passava, quase que exclusivamente, pela saúde da mulher em suas etapas iniciais. No entanto, a quebra de tabus sociais e o avanço da medicina baseada em evidências têm transformado essa realidade na prática clínica. Atualmente, a diretriz médica é que homens sejam examinados simultaneamente no início do processo. 

Segundo dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), a infertilidade afeta cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva, sendo o fator masculino responsável por aproximadamente 30% dos casos de forma isolada e presente em até 50% das situações quando combinado a fatores femininos. 

Essa mudança de paradigma reflete um entendimento mais amplo e responsável sobre a saúde do homem. A dificuldade de engravidar após 12 meses de tentativas regulares é o gatilho convencional para acender o alerta em um casal. Contudo, médicos de família e comunidade apontam que não se deve esperar esse prazo de forma rígida para investigar o homem, especialmente se o paciente possuir histórico de cirurgias testiculares, infecções, alterações sexuais ou fizer uso de substâncias de risco. 

Para o médico de família e comunidade Pedro Pina Coelho, da Amparo Saúde — rede de atenção primária e gestão de saúde populacional pertencente ao ecossistema do Grupo Sabin —, a abordagem atual é muito mais precisa. “Houve uma mudança importante na forma de compreender a infertilidade. Hoje sabemos que o fator masculino está presente em uma parcela significativa dos casos e, portanto, não faz sentido começar automaticamente pela investigação da mulher”, explica o especialista.

 

Crise na fertilidade masculina 

A urgência na investigação da saúde reprodutiva masculina encontra respaldo em robustas evidências científicas globais. A extensa revisão sistemática citada por Pedro Pina Coelho, liderada pelo pesquisador Hagai Levine e publicada em 2022 na renomada revista Human Reproduction Update, comprovou uma redução significativa e progressiva da concentração e da contagem total de espermatozoides em homens avaliados ao redor do mundo entre 1973 e 2018. 

Embora não signifique que todos esses homens sejam clinicamente inférteis, o fenômeno serve de alerta. Fatores diretamente ligados ao estilo de vida atual são os principais alvos de preocupação: obesidade, tabagismo, sedentarismo, poluição ambiental e, de maneira crítica, o uso indiscriminado de esteroides anabolizantes, que podem suspender temporária ou definitivamente a produção de espermatozoides. 

Para atender a essa demanda crescente por diagnósticos rigorosos e precoces, o Sabin consolidou um portfólio completo voltado à saúde masculina. A linha de cuidado usualmente começa com o espermograma, considerado o exame de excelência para avaliar volume, concentração, motilidade e morfologia do sêmen. Essa análise é frequentemente apoiada por exames hormonais de sangue, como as dosagens de Testosterona e de FSH (Hormônio Folículo-Estimulante), essenciais para o mapeamento da função reprodutiva. 

Além das análises clínicas e de diagnóstico por imagem (como a ultrassonografia para detecção de varicocele), o Grupo investiu em genética. Por meio da área de Genômica, o Sabin disponibiliza os inovadores painéis genéticos por Sequenciamento de Nova Geração (NGS) para investigação de infertilidade masculina, que permitem detectar alterações genéticas profundas, viabilizando tratamentos altamente personalizados e assertivos.

 

Lado psicossocial 

A eficácia do diagnóstico, porém, depende da adesão e do bem-estar do paciente. A infertilidade masculina frequentemente afeta a esfera psicossocial, já que, culturalmente, muitos homens ainda atrelam fertilidade à masculinidade e à potência sexual, conceitos que não têm a menor relação. Um homem pode apresentar função sexual plena, com ereção e libido adequadas, e, ainda assim, enfrentar anomalias severas na produção de espermatozoides. 

É neste cenário que o primeiro médico a ser procurado pelo casal pode aproveitar a oportunidade para investigar mais a fundo a saúde do paciente. “A infertilidade pode ser o motivo pelo qual o homem procura o serviço de saúde, mas não precisa ser o único problema que investigamos”, ressalta Pedro Pina.


Grupo Sabin
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