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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Olhos lacrimejando e secreção em bebês nem sempre são conjuntivite

No Mês das Crianças, a obstrução do canal lacrimal chama atenção para sintomas que podem aparecer desde as primeiras semanas de vida. O acompanhamento oftalmológico orienta os cuidados e identifica quando a persistência do quadro exige intervenção.

 

Nos primeiros meses de vida, é comum observar o recém-nascido com acúmulo contínuo de lágrimas em um ou em ambos os olhos. Esse cenário costuma vir acompanhado por uma secreção clara ou levemente amarelada, o que costuma acender o alerta na rotina da família.

Embora a suspeita inicial de quem cuida quase sempre recaia sobre uma infecção ocular, em uma parcela significativa dos casos a explicação é outra. Trata-se da obstrução congênita do canal lacrimal, condição bastante frequente na infância que inspira atenção, mas apresenta resolução simples quando identificada cedo.

A alteração acontece porque a via responsável por escoar as lágrimas em direção ao nariz permanece selada por uma fina membrana ao nascimento. Sem essa drenagem natural, o fluido não encontra saída, acumulando-se na superfície ocular e gerando o lacrimejamento constante.

"Muitas famílias chegam ao consultório aflitas, acreditando tratar-se de conjuntivite de repetição e recorrendo a colírios por conta própria. Na verdade, a lágrima parada facilita o acúmulo de secreção sem que haja uma infecção ativa, o que exige uma conduta totalmente diferente", esclarece Mariana Rezende, oftalmologista especialista em plástica ocular.

A identificação precisa do quadro evita o uso desnecessário de medicamentos e direciona para o manejo adequado. Nos primeiros meses, o cuidado fundamenta-se na massagem de drenagem realizada no canto interno do olho, entre a pálpebra e o nariz.

Essa manobra de compressão estimula a ruptura espontânea da membrana e resolve a grande maioria dos casos antes de a criança completar um ano. A orientação médica é indispensável para ensinar o movimento exato e monitorar a evolução clínica.

O alerta deve ser ligado quando os sintomas ultrapassam os 12 meses ou quando aparecem sinais de complicação. Inchaço no canto pálpebral, vermelhidão intensa, febre ou incômodo exagerado com a luz demandam reavaliação imediata.

Nessas situações específicas, o especialista avalia a necessidade de procedimentos simples para desobstruir a via e evitar infecções secundárias. "O acompanhamento preventivo traz tranquilidade aos pais e garante que o desenvolvimento da visão ocorra sem intercorrências", conclui a médica. 



Fonte: Dra. Mariana Rezende — Oftalmologista | Especialista em Plástica Ocular.
Instagram: @dramariana.rezende

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