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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Altas temperaturas aumentam atenção à conservação de medicamentos termolábeis

Magnific 
Com previsão de calor acima da média em outubro, Grupo Polar alerta para os riscos de variações térmicas durante armazenamento e transporte de produtos sensíveis à temperatura

 

As altas temperaturas previstas para outubro colocam a conservação de medicamentos termolábeis no centro das atenções da logística farmacêutica. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o mês deve registrar temperaturas acima da média em grande parte do país, com destaque para áreas do Centro-Oeste e do Sudeste. A primavera também pode concentrar picos extremos de temperatura no país, enquanto o verão costuma reunir períodos mais prolongados de calor. Com a atuação do El Niño, esse cenário pode se tornar ainda mais desafiador. O quadro reforça a necessidade de cuidados com produtos que dependem de condições específicas de temperatura para preservar sua qualidade, eficácia e segurança. 

Vacinas, insulinas, medicamentos biológicos e outros produtos sensíveis à temperatura precisam ser mantidos de acordo com as condições estabelecidas pelo fabricante durante todas as etapas da cadeia do frio. Em períodos de calor intenso, a exposição a temperaturas inadequadas pode aumentar os riscos de excursões térmicas, especialmente durante operações de recebimento, armazenamento, transporte e entrega. 

Especializado em soluções térmicas para a cadeia fria, o Grupo Polar destaca que o aumento da temperatura externa exige maior atenção à infraestrutura utilizada para a conservação desses produtos. A farmacêutica e diretora técnica do Grupo Polar, Liana Montemor, explica que o calor não representa apenas um desafio para o transporte, mas para toda a operação logística. 

“Quando as temperaturas externas sobem, os equipamentos de refrigeração passam a trabalhar sob uma condição de maior demanda para manter os produtos dentro da faixa recomendada. Por isso, é fundamental que câmaras frias, refrigeradores, veículos e embalagens térmicas estejam adequadamente dimensionados e qualificados para as condições às quais serão submetidos”, explica. 

A especialista ressalta ainda que o período de calor exige atenção especial às etapas de movimentação dos medicamentos. A exposição prolongada ao ambiente durante carregamentos, descarregamentos e transferências pode representar um ponto de vulnerabilidade. 

“Não basta garantir a temperatura adequada durante o armazenamento. É necessário controlar também os momentos de movimentação do medicamento, reduzindo o tempo de exposição ao ambiente e utilizando soluções térmicas adequadas para cada operação. Pequenos intervalos, quando recorrentes, podem representar um risco ao longo de toda a cadeia”, afirma Liana. 

Outro ponto de atenção está relacionado às falhas de energia. Em períodos de temperaturas elevadas, a manutenção das condições adequadas de armazenamento pode depender diretamente do funcionamento contínuo dos equipamentos de refrigeração. Por isso, a regulamentação sanitária estabelece a necessidade de fonte alternativa de energia e de planos de contingência para situações de falha. 

“Em um cenário de temperaturas elevadas, qualquer interrupção no sistema de refrigeração precisa ser tratada com rapidez. Ter fontes alternativas de energia, alarmes, monitoramento contínuo e protocolos previamente definidos permite identificar um desvio e agir antes que ele comprometa a integridade do produto”, destaca. 

O monitoramento da temperatura também ganha relevância durante o transporte. De acordo com as boas práticas estabelecidas pela Anvisa, o controle deve acompanhar as condições de armazenamento e transporte dos medicamentos termolábeis, com mecanismos que possibilitem a rastreabilidade das informações. O planejamento também precisa considerar possíveis impactos de eventos climáticos extremos, como enchentes que atrasam cargas e condições meteorológicas adversas que impedem pousos de aeronaves, provocando interrupções e mudanças nas rotas. 

Para Liana, o planejamento deve considerar não apenas a temperatura média prevista, mas também as condições específicas de cada rota, veículo, embalagem e operação. “É preciso conhecer o comportamento térmico da operação e antecipar os pontos mais críticos. A qualificação das embalagens, o monitoramento da temperatura, o planejamento das rotas e a definição de planos de contingência são medidas que aumentam a segurança da cadeia fria, especialmente diante de atrasos e mudanças de percurso causados pelo clima”, afirma. 

Além da operação entre fabricantes, distribuidores, transportadores e estabelecimentos de saúde, os cuidados também se estendem à etapa final, quando o medicamento chega ao paciente. Produtos que precisam permanecer refrigerados não devem ser transportados de qualquer maneira, já que a exposição ao calor pode comprometer as condições de conservação determinadas pelo fabricante. A forma de dispensação nas drogarias também merece atenção: nem sempre o medicamento é entregue em uma embalagem térmica apropriada, com elementos refrigerantes adequados, e o uso de sacolas plásticas com gelo comum não garante a manutenção da temperatura recomendada. 

“O cuidado com a temperatura precisa continuar depois que o medicamento sai da farmácia. A dispensação deve considerar as necessidades de conservação de cada produto, com embalagem térmica e elementos refrigerantes apropriados quando indicados. Ao chegar em casa, o paciente também deve seguir as orientações fornecidas e evitar exposições desnecessárias ao calor”, orienta Liana. 

Com a tendência de temperaturas elevadas durante a primavera — período em que podem ocorrer picos extremos de calor —, a atuação do El Niño e os impactos de eventos climáticos sobre a logística reforçam a importância de uma cadeia fria estruturada não apenas para responder a emergências, mas para antecipar riscos e preservar as condições adequadas dos medicamentos. 

“Temperaturas extremas fazem parte de uma realidade que precisa ser considerada no planejamento logístico. Garantir a estabilidade térmica dos medicamentos ao longo de toda a jornada é uma etapa essencial para preservar sua qualidade e, principalmente, a segurança do paciente”, conclui.

 

Grupo Polar

 

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