Mesmo com a expansão, presença
feminina segue em minoria. Para presidente do CMEC, bancada precisa atuar em
pautas de importância econômica
IMAGEM: Kayo Magalhães
Agência Câmara
Em 2027, a bancada feminina no
Congresso Nacional terá a maior representatividade da história. Com as eleições
deste ano, o Senado passa de 15 para 18 o número de cadeiras ocupadas por
mulheres e a Câmara terá o número recorde de 109 deputadas, 19 a mais do que na
atual legislatura.
Mesmo com a expansão da
presença feminina no Congresso, o número de mulheres, que representam 51,5% da
população, segue em minoria nos dois parlamentos. Na Câmara, a bancada feminina
vai representar 21,2% dos 513 deputados da próxima legislatura.
Para o Senado, os brasileiros
elegeram, no último domingo, 12 mulheres para 54 vagas em disputa, que
representam dois terços da Casa. Com o resultado, somado o número de eleitas no
um terço de 2022, a quantidade de senadoras a partir do ano que vem chegará a
22,2% das 81 cadeiras.
A socióloga e professora de
Sociologia Política da Universidade de Brasília (UnB), Débora Messenberg,
considera fundamental para um eleitorado majoritariamente feminino, como no
Brasil, ter representatividade das mulheres.
“Mas ainda estamos muito aquém
de outros países. Na política não há uma participação tão ativa das mulheres. O
espaço público não é o lugar que as mulheres vejam como algo que possam
ocupar”, analisa.
Além disso, segundo ela, as
pautas das mulheres continuam sendo a reprodução do cuidado e da assistência.”
Elas não participam de comissões mais relevantes, como Justiça, e são eleitas,
inclusive, por que o eleitorado reproduz o cuidado e assistência no parlamento,
e não de temas ditos “masculinos”, destaca.
Para Débora, mesmo com
divergência partidária entre as parlamentares, há pautas que as mulheres
conseguem encontrar um consenso.
Participação
feminina não pode ficar restrita às chamadas pautas de mulheres, diz presidente
do CMEC
Na avaliação da presidente nacional
do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), Ana Claudia Badra
Cotait, o avanço é relevante, mas o aumento no número de cadeiras não conta
toda a história.
“No Congresso, influência se
mede pela capacidade de participar das decisões, ocupar espaços de liderança,
presidir comissões, relatar projetos importantes e construir maiorias. É nesse
terreno que a nova bancada feminina terá de atuar”, argumenta.
Para Ana Claudia, a
participação feminina não pode ficar restrita às chamadas pautas de mulheres.
“Essa mudança de perspectiva é especialmente importante na economia. Milhões de
brasileiras são empreendedoras, empregadoras e responsáveis por pequenos
negócios. Enfrentam juros altos, burocracia, dificuldade de acesso ao crédito e
obstáculos para crescer. São problemas econômicos, não questões de gênero. Uma
política que favoreça o crescimento dessas empresas beneficia toda a economia”,
afirma a presidente do CMEC, conselho ligado à Confederação das Associações
Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).
As parlamentares eleitas neste
ano tomam posse em fevereiro, com mandatos até 2035 no caso do Senado, e 2031
para a Câmara. O Distrito Federal elegeu duas mulheres para o Senado. Como já
tem uma representante, passa a ser a única unidade da Federação com três
senadoras.
O Piauí é a única unidade da
Federação que nunca elegeu uma mulher para o Senado. As primeiras mulheres
eleitas diretamente para a Casa foram Júnia Marise (MG) e Marluce Pinto (RR),
em 1990.
Eleita em 2022, a senadora
Damares Alves (Republicanos- DF) destaca que temas relevantes e de consenso
como a política do cuidado para mães atípicas, o empreendedorismo feminino, a
mulher no mercado de trabalho e o combate à violência serão tratados como
prioridade.
“Hoje temos muitas mulheres no
Brasil diagnosticadas como mães atípicas. É um tema que vai unir toda a bancada
feminina. Aprovamos nessa legislatura a política do cuidado, vamos ter de
torná-la realidade em todo país e lutar por orçamento.”
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/congresso-tera-numero-recorde-de-mulheres-em-2027-18-no-senado-e-109-na-camara
Nenhum comentário:
Postar um comentário