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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Congresso terá número recorde de mulheres em 2027: 18 no Senado e 109 na Câmara

IMAGEM: Kayo Magalhães
Agência Câmara
Mesmo com a expansão, presença feminina segue em minoria. Para presidente do CMEC, bancada precisa atuar em pautas de importância econômica

 

Em 2027, a bancada feminina no Congresso Nacional terá a maior representatividade da história. Com as eleições deste ano, o Senado passa de 15 para 18 o número de cadeiras ocupadas por mulheres e a Câmara terá o número recorde de 109 deputadas, 19 a mais do que na atual legislatura.  

Mesmo com a expansão da presença feminina no Congresso, o número de mulheres, que representam 51,5% da população, segue em minoria nos dois parlamentos. Na Câmara, a bancada feminina vai representar 21,2% dos 513 deputados da próxima legislatura.

Para o Senado, os brasileiros elegeram, no último domingo, 12 mulheres para 54 vagas em disputa, que representam dois terços da Casa. Com o resultado, somado o número de eleitas no um terço de 2022, a quantidade de senadoras a partir do ano que vem chegará a 22,2% das 81 cadeiras. 

A socióloga e professora de Sociologia Política da Universidade de Brasília (UnB), Débora Messenberg, considera fundamental para um eleitorado majoritariamente feminino, como no Brasil, ter representatividade das mulheres.

“Mas ainda estamos muito aquém de outros países. Na política não há uma participação tão ativa das mulheres. O espaço público não é o lugar que as mulheres vejam como algo que possam ocupar”, analisa.

Além disso, segundo ela, as pautas das mulheres continuam sendo a reprodução do cuidado e da assistência.” Elas não participam de comissões mais relevantes, como Justiça, e são eleitas, inclusive, por que o eleitorado reproduz o cuidado e assistência no parlamento, e não de temas ditos “masculinos”, destaca.

Para Débora, mesmo com divergência partidária entre as parlamentares, há pautas que as mulheres conseguem encontrar um consenso.


Participação feminina não pode ficar restrita às chamadas pautas de mulheres, diz presidente do CMEC

Na avaliação da presidente nacional do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), Ana Claudia Badra Cotait, o avanço é relevante, mas o aumento no número de cadeiras não conta toda a história.

“No Congresso, influência se mede pela capacidade de participar das decisões, ocupar espaços de liderança, presidir comissões, relatar projetos importantes e construir maiorias. É nesse terreno que a nova bancada feminina terá de atuar”, argumenta.

Para Ana Claudia, a participação feminina não pode ficar restrita às chamadas pautas de mulheres. “Essa mudança de perspectiva é especialmente importante na economia. Milhões de brasileiras são empreendedoras, empregadoras e responsáveis por pequenos negócios. Enfrentam juros altos, burocracia, dificuldade de acesso ao crédito e obstáculos para crescer. São problemas econômicos, não questões de gênero. Uma política que favoreça o crescimento dessas empresas beneficia toda a economia”, afirma a presidente do CMEC, conselho ligado à Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).

As parlamentares eleitas neste ano tomam posse em fevereiro, com mandatos até 2035 no caso do Senado, e 2031 para a Câmara. O Distrito Federal elegeu duas mulheres para o Senado. Como já tem uma representante, passa a ser a única unidade da Federação com três senadoras.

O Piauí é a única unidade da Federação que nunca elegeu uma mulher para o Senado. As primeiras mulheres eleitas diretamente para a Casa foram Júnia Marise (MG) e Marluce Pinto (RR), em 1990.

Eleita em 2022, a senadora Damares Alves (Republicanos- DF) destaca que temas relevantes e de consenso como a política do cuidado para mães atípicas, o empreendedorismo feminino, a mulher no mercado de trabalho e o combate à violência serão tratados como prioridade.

“Hoje temos muitas mulheres no Brasil diagnosticadas como mães atípicas. É um tema que vai unir toda a bancada feminina. Aprovamos nessa legislatura a política do cuidado, vamos ter de torná-la realidade em todo país e lutar por orçamento.”

 

João Mendes, de Brasília

https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/congresso-tera-numero-recorde-de-mulheres-em-2027-18-no-senado-e-109-na-camara


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