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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

5 perguntas que todo empreendedor precisa responder antes de fazer sua empresa crescer em 2027

 

Para Nelson Lins, fundador da Selfit e da Face Doctor, crescer não significa apenas abrir novas unidades, contratar mais pessoas ou investir mais dinheiro: antes de acelerar, é preciso entender se o negócio está realmente preparado para sustentar o próximo passo


 

 

O Brasil vive um momento de forte empreendedorismo. Apenas nos primeiros sete meses de 2026, foram abertos 3,6 milhões de novos negócios no país, número quase 14% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, segundo dados do Sebrae. Mas entrar no mercado é apenas o primeiro passo. O desafio seguinte é construir um negócio capaz de sustentar uma nova fase de expansão.

 

O último trimestre do ano costuma concentrar discussões sobre planejamento, metas e orçamento para os próximos meses. É nesse período que muitos empresários começam a desenhar o crescimento que esperam alcançar em 2027, seja aumentando o faturamento, abrindo novas unidades, conquistando mercados ou ampliando equipes. Antes disso, porém, existe uma pergunta ainda mais importante: a empresa está realmente preparada para crescer?

 

Para Nelson Lins, empresário e fundador da Selfit e da Face Doctor, um dos erros mais comuns é tratar a expansão apenas como uma questão financeira. “Não adianta vender mais se a operação não acompanha, abrir novas unidades se você não consegue manter o padrão ou contratar mais pessoas sem ter lideranças preparadas. Crescer é muito mais complexo do que simplesmente aumentar de tamanho”, afirma.

 

Com experiência na construção e expansão de negócios, Nelson acredita que o planejamento para um novo ciclo precisa começar com uma análise honesta sobre o momento atual da empresa. Antes de acelerar em 2027, ele sugere que todo empreendedor responda a cinco perguntas:


 

1. Minha operação consegue crescer sem perder qualidade?

Um negócio pode funcionar muito bem em determinada escala e apresentar problemas quando cresce rapidamente. Processos informais deixam de funcionar, a comunicação se torna mais complexa e a experiência do cliente pode ser comprometida.

 

“Enquanto a empresa é pequena, muitas coisas dependem diretamente do fundador. Mas chega um momento em que isso deixa de ser possível. Se o negócio depende de uma pessoa para tudo funcionar, ele ainda não está preparado para escalar. Para mim, a pergunta é simples: se a empresa dobrar de tamanho amanhã, aquilo que funciona hoje continuará funcionando?”, explica Nelson.


 

2. Tenho as pessoas e lideranças certas para o próximo ciclo?

Crescer também aumenta a complexidade da gestão. Novas unidades e equipes maiores exigem líderes capazes de tomar decisões sem depender do fundador a todo momento.

 

“Não existe crescimento sustentável quando tudo precisa passar por uma única pessoa. Em algum momento, o papel do empreendedor muda. Você deixa de fazer tudo e passa a construir uma empresa capaz de funcionar com boas pessoas e boas lideranças. Acredito que investir em gente não significa apenas contratar mais. É preciso desenvolver líderes, delegar responsabilidades e criar clareza sobre quem toma cada decisão”, afirma.


 

3. Meu caixa suporta os desafios que vêm junto com a expansão?

A expansão costuma ser associada ao aumento de receita, mas também aumenta custos, riscos e a necessidade de capital. Abrir uma unidade, entrar em uma nova cidade ou ampliar uma operação exige investimento antes que os resultados apareçam.

 

“O faturamento não é um sinônimo de saúde financeira. A empresa pode vender muito e, ainda assim, enfrentar problemas de caixa. Crescer sem planejamento financeiro pode transformar uma oportunidade em um problema. Por isso, sempre recomendo olhar além da expectativa de retorno e avaliar quanto custa crescer, quanto tempo a nova operação leva para amadurecer e qual margem de segurança existe caso os resultados não aconteçam como o planejado.”, alerta.


 

4. A cultura da empresa acompanha esse crescimento?

Quanto maior a empresa, mais difícil é manter o alinhamento apenas pela proximidade. Valores, comportamentos e formas de trabalhar precisam estar claros para que a cultura não se perca durante a expansão.

 

“Quando a empresa cresce, você não consegue mais estar em todas as conversas. É aí que a cultura se torna fundamental. As pessoas precisam saber o que a empresa acredita e o que é inegociável. A cultura de uma empresa não pode ser só discurso. cultura não é apenas discurso. Ela precisa aparecer nas contratações, nas decisões dos líderes e na forma como a empresa se relaciona com clientes e equipes”, explica Nelson.


 

5. Estou crescendo por estratégia ou apenas porque surgiu uma oportunidade?

Nem toda oportunidade precisa ser aproveitada. Uma nova cidade, um novo produto ou uma possibilidade de investimento podem parecer boas ideias, mas precisam fazer sentido dentro da estratégia do negócio.

 

“Empreendedor é muito movido por oportunidade, e isso faz parte. O problema é quando a empresa começa a dizer sim para tudo. Crescer também exige saber o que não fazer. Antes de definir metas para 2027, é preciso entender não apenas onde a empresa quer chegar, mas por que quer chegar lá e o que precisa preservar durante o caminho”, afirma.

 

No fim, o empresário acredita que o planejamento de crescimento deveria começar menos com uma meta de faturamento e mais com um diagnóstico do negócio. “Todo mundo gosta de falar sobre acelerar, mas pouca gente fala sobre preparação. Antes de colocar o pé no acelerador, você precisa ter certeza de que a empresa tem estrutura para sustentar a velocidade”, finaliza.

 

 

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