Conhecida pela cor amarela vibrante, especiaria concentra compostos bioativos estudados por seu potencial antioxidante e de modulação de processos inflamatórios
Talvez
você conheça a cúrcuma pelo amarelo intenso que ela deixa no arroz, no curry ou
naquele “leite dourado” que ganhou espaço nas redes sociais. Mas a especiaria,
também conhecida como açafrão-da-terra, está deixando de ser apenas um
ingrediente da cozinha para ocupar um novo lugar na rotina de quem busca mais
saúde e bem-estar.
Esse
movimento acompanha uma mudança maior no comportamento do consumidor. Um
levantamento divulgado em agosto de 2026 mostrou que Millennials e Geração Z já
respondem por mais de 65% das compras de suplementos no Brasil. O mercado
cresceu 26% desde a pandemia, enquanto 28% desse público apresenta consumo
frequente de produtos de beleza e emagrecimento no e-commerce de farmácias. O
cenário reforça que a suplementação passou a fazer parte de uma rotina de
autocuidado que vai muito além do universo dos esportes de alta performance.
É
nesse contexto que ingredientes conhecidos há séculos pela alimentação, como a
cúrcuma, ganham novos olhares. Mas, afinal, para que serve a cúrcuma? A cúrcuma
(Curcuma
longa) é uma especiaria rica em compostos bioativos chamados
curcuminoides, entre eles a curcumina. Esses componentes são estudados
principalmente por suas propriedades antioxidantes e pela capacidade de
participar da modulação de processos inflamatórios no organismo.
“Quando
falamos em cúrcuma, estamos falando de um alimento que reúne compostos
bioativos interessantes e que pode fazer parte de uma alimentação equilibrada.
A curcumina é estudada principalmente por sua relação com processos
inflamatórios e estresse oxidativo. O benefício está dentro de um contexto de
alimentação e estilo de vida saudáveis”, explica Valquíria Soares,
nutricionista da Mundo Verde.
A
cúrcuma pode fazer parte da alimentação como tempero ou ser encontrada na forma
de suplemento, mas essas duas formas de consumo não são equivalentes. Na
cozinha, ela é utilizada em pequenas quantidades e pode ser adicionada a arroz,
legumes, sopas, molhos, carnes e outras preparações, contribuindo com cor,
sabor e compostos bioativos à alimentação. Já os suplementos concentram e
padronizam os curcuminoides, permitindo uma ingestão mais controlada desses
compostos.
“A suplementação pode fazer sentido quando existe um objetivo nutricional
específico e quando a alimentação não é suficiente para a estratégia definida.
Nesse caso, é importante avaliar não apenas a quantidade de curcuminoides, mas
também a formulação e a biodisponibilidade do produto”, explica Valquíria.
Isso
porque a curcumina pode apresentar baixa biodisponibilidade quando consumida
isoladamente. Na alimentação, associar a cúrcuma a uma refeição com fonte de
gordura pode favorecer seu aproveitamento. Já os suplementos podem utilizar
tecnologias como formulações micelares, lipossomais ou associações com
fosfolipídios para melhorar a absorção.
Não
existe uma quantidade universal de cúrcuma que possa ser indicada para todas as
pessoas. A dose depende do tipo de ingrediente, da concentração de
curcuminoides e da formulação utilizada. No Brasil, a regulamentação estabelece
limites específicos para ingredientes derivados de Curcuma longa, o
limite máximo estabelecido é de 130 mg de curcuminoides totais para adultos.
“Antes
de iniciar uma suplementação, é importante buscar orientação de um profissional
de saúde, principalmente no caso de pessoas que fazem uso contínuo de
medicamentos ou apresentam alguma condição de saúde”, finaliza a nutricionista.

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