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sábado, 19 de setembro de 2026

Do preenchimento ao “despreenchimento”: por que famosas estão voltando atrás em procedimentos faciais?

Scheila Carvalho, Deborah Secco e Gracyanne Barbosa
 pós remoções de harmonizações faciais.
Reprodução Internet


Scheila Carvalho, Gabi Martins, Deborah Secco, Gkay e outras celebridades já reduziram ou retiraram intervenções; especialista explica por que a estética facial vive uma busca maior por naturalidade 

 

Scheila Carvalho retirou parte do ácido hialurônico do rosto depois de perceber que o preenchimento estava interferindo em suas expressões. Michelle Barros dissolveu procedimentos após dizer que já não se reconhecia diante do espelho. Gabi Martins admitiu que exagerou nas intervenções e decidiu reduzir os preenchimentos. Deborah Secco chegou a desfazer aplicações de ácido hialurônico no mesmo dia por não ter gostado do resultado. Gkay, por sua vez, começou a reverter procedimentos depois de perceber que o excesso de preenchimento afetava até o seu sorriso. 

Os casos têm um ponto em comum: depois de anos em que rostos mais marcados, lábios volumosos e contornos muito definidos ganharam espaço, algumas famosas passaram a buscar justamente o caminho contrário. O chamado “despreenchimento” não significa necessariamente abandonar a estética, mas rever a quantidade, a indicação e o resultado desejado.

 Para a médica Dra. Fernanda Nichelle, que atua exclusivamente na área de estética, a mudança acompanha uma percepção cada vez maior de que um procedimento bem-sucedido não precisa ser evidente. 

“A estética não precisa apagar características para proporcionar uma melhora. Hoje existe uma procura muito maior por resultados que preservem a identidade e a expressão de cada pessoa. O objetivo não é deixar todo mundo com o mesmo rosto, mas trabalhar aquilo que realmente incomoda o paciente”, explica. 

Segundo a especialista, o excesso de preenchimento pode alterar proporções e até comprometer movimentos naturais da face. É justamente por isso que uma avaliação individualizada é fundamental antes de qualquer intervenção. 

“Quando há excesso de produto, podemos ter alteração de contorno, proporção e, dependendo da região, até da dinâmica facial. O rosto não é estático. Ele se movimenta, sorri, fala e demonstra emoções. Preservar essa movimentação também faz parte de um resultado bonito”, afirma Fernanda.

 

O caso de Gkay é um exemplo disso. A influenciadora contou que percebeu que não conseguia mais enxergar o próprio sorriso por causa do volume nos lábios e decidiu procurar o médico para remover os preenchimentos. 

Para Fernanda, situações como essa mostram a importância de não transformar uma referência estética em uma regra. 

“Uma pessoa pode olhar para uma celebridade e gostar daquele resultado, mas isso não significa que o mesmo volume, o mesmo contorno ou a mesma técnica sejam adequados para o seu rosto. A indicação precisa partir da anatomia e das características individuais”, explica. 

Outro ponto é que reverter um procedimento também exige avaliação médica. No caso dos preenchedores de ácido hialurônico, por exemplo, existem situações em que pode ser utilizada uma enzima para dissolver o produto, mas a conduta depende do material aplicado, da região, da quantidade e do quadro apresentado pelo paciente. 

“Não existe uma receita única para o ‘despreenchimento’. Primeiro precisamos entender o que foi aplicado e por que o paciente está insatisfeito. Em alguns casos, é possível dissolver parte do produto; em outros, podemos simplesmente aguardar a absorção ou trabalhar uma correção mais pontual”, explica. 

A médica destaca ainda que a nova busca pela naturalidade não deve ser confundida com uma rejeição aos procedimentos estéticos. A tendência, na avaliação dela, é de um planejamento mais cuidadoso e menos baseado em padrões. 

“Fazer um procedimento não é o problema. O problema é quando a pessoa deixa de considerar o próprio rosto e passa a perseguir um padrão. A estética pode ser muito positiva quando existe indicação, bom senso e um planejamento que respeite a individualidade”, afirma. 

Nesse cenário, a especialista acredita que a principal mudança está justamente na relação entre procedimento e identidade. 

“Estamos saindo de uma ideia de que o resultado precisa ser percebido para uma estética em que o paciente quer continuar sendo reconhecido por ele mesmo. É possível melhorar a aparência sem perder aquilo que torna aquele rosto único”, conclui.


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