Acordar
com linhas marcadas na bochecha ou perto dos olhos justamente do lado em que
passou a noite dormindo. Algumas desaparecem rapidamente, outras demoram um
pouco mais. Segundo a enfermeira estética e biomédica estética Daiany Rodrigues
Freire, a pressão e a compressão repetidas do rosto contra o travesseiro podem
contribuir para a formação das chamadas “rugas do sono”, especialmente ao longo
dos anos.
“Quando
dormimos de lado ou de bruços, algumas regiões do rosto ficam pressionadas
contra o travesseiro durante horas. A pele é dobrada e comprimida
repetidamente. Quando somos mais jovens, ela tende a retornar rapidamente à
posição original, mas, conforme há perda de colágeno e elasticidade, essas
marcas podem demorar mais para desaparecer e se tornar mais evidentes”,
explica.
Nem
toda linha do rosto surge pelo mesmo mecanismo. As rugas de expressão estão
relacionadas principalmente à movimentação repetitiva da musculatura facial —
como acontece ao sorrir, franzir a testa ou apertar os olhos.
Já
as rugas do sono estão associadas à compressão e às dobras da pele durante
períodos prolongados em determinadas posições. Por isso, podem aparecer em regiões
como bochechas, lateral dos olhos, testa e colo.
“Uma
pista é observar a direção e o local dessas marcas. Nem sempre elas acompanham
exatamente os movimentos que fazemos quando sorrimos ou franzimos o rosto”,
explica Daiany.
O jeito de dormir evita o envelhecimento?
Não
é tão simples. Embora dormir com o rosto sem pressioná-lo contra o travesseiro
reduza a compressão da pele, a posição escolhida para dormir está longe de ser
o principal fator responsável pelo envelhecimento facial.
Exposição
solar acumulada, genética, tabagismo, perda de colágeno, alterações hormonais,
mudanças na estrutura óssea e nos compartimentos de gordura, oscilações
importantes de peso e o próprio passar dos anos têm impacto muito maior na
aparência do rosto.
“Não
adianta perder qualidade de sono tentando permanecer a noite inteira em uma
posição desconfortável apenas por medo de rugas. Dormir bem também é importante
para a saúde e para a própria qualidade da pele”, ressalta.
Aquela
marca que aos 20 anos desaparecia poucos minutos depois de levantar pode
permanecer por mais tempo conforme a pele envelhece.
Segundo
Daiany, isso acontece porque o envelhecimento não ocorre apenas na superfície.
Ao longo dos anos, há alterações na produção de colágeno e elastina, na
hidratação e espessura da pele e também em estruturas mais profundas do rosto.
“É
por isso que não podemos olhar para uma ruga isoladamente. Muitas vezes, a
linha que incomoda é apenas uma manifestação visível de um processo que está
acontecendo em diferentes camadas”, afirma.
Fronhas
e travesseiros que prometem evitar rugas se popularizaram nas redes sociais,
mas Daiany recomenda cautela com promessas de efeito antienvelhecimento.
Diminuir
o atrito e evitar compressão excessiva pode contribuir para o conforto da pele,
mas nenhuma fronha é capaz de impedir as mudanças naturais que acontecem com o
passar dos anos.
“Não
existe um único hábito, produto ou procedimento responsável por envelhecer ou
rejuvenescer o rosto. O resultado mais natural vem justamente de compreender
como cada pessoa está envelhecendo e quais estruturas realmente precisam de
atenção”, explica.
Para
a especialista, cuidados básicos continuam tendo grande importância: proteção
solar, sono adequado, evitar o tabagismo, manter hábitos saudáveis e cuidar da
pele de maneira consistente. Quando já existem alterações que incomodam, uma
avaliação individualizada permite entender se a questão está predominantemente
na superfície da pele, na perda de colágeno, na flacidez, na redução de volume
ou na combinação desses fatores.
“Antes de culpar o lado do travesseiro, precisamos lembrar que envelhecer é um processo muito mais complexo. A estética atual não deveria tentar apagar cada linha, mas compreender o rosto como um todo e preservar suas características”, conclui Daiany Rodrigues Freire.
Daiany Rodrigues Freire - enfermeira estética e biomédica. Conselho Regional de Enfermagem (Coren) nº 72548. Conselho Regional de Biomedicina (CRBM nº 64.089. Enfermeira e biomédica com pós-graduação em Enfermagem Estética.
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