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sábado, 19 de setembro de 2026

Marcas que desaparecem pela manhã podem, com o passar dos anos, se tornar mais persistentes, mas posição de dormir está longe de ser a única responsável pelo envelhecimento facial

 

Acordar com linhas marcadas na bochecha ou perto dos olhos justamente do lado em que passou a noite dormindo. Algumas desaparecem rapidamente, outras demoram um pouco mais. Segundo a enfermeira estética e biomédica estética Daiany Rodrigues Freire, a pressão e a compressão repetidas do rosto contra o travesseiro podem contribuir para a formação das chamadas “rugas do sono”, especialmente ao longo dos anos.

“Quando dormimos de lado ou de bruços, algumas regiões do rosto ficam pressionadas contra o travesseiro durante horas. A pele é dobrada e comprimida repetidamente. Quando somos mais jovens, ela tende a retornar rapidamente à posição original, mas, conforme há perda de colágeno e elasticidade, essas marcas podem demorar mais para desaparecer e se tornar mais evidentes”, explica.

Nem toda linha do rosto surge pelo mesmo mecanismo. As rugas de expressão estão relacionadas principalmente à movimentação repetitiva da musculatura facial — como acontece ao sorrir, franzir a testa ou apertar os olhos.

Já as rugas do sono estão associadas à compressão e às dobras da pele durante períodos prolongados em determinadas posições. Por isso, podem aparecer em regiões como bochechas, lateral dos olhos, testa e colo.

“Uma pista é observar a direção e o local dessas marcas. Nem sempre elas acompanham exatamente os movimentos que fazemos quando sorrimos ou franzimos o rosto”, explica Daiany.
 

O jeito de dormir evita o envelhecimento?

Não é tão simples. Embora dormir com o rosto sem pressioná-lo contra o travesseiro reduza a compressão da pele, a posição escolhida para dormir está longe de ser o principal fator responsável pelo envelhecimento facial.

Exposição solar acumulada, genética, tabagismo, perda de colágeno, alterações hormonais, mudanças na estrutura óssea e nos compartimentos de gordura, oscilações importantes de peso e o próprio passar dos anos têm impacto muito maior na aparência do rosto.

“Não adianta perder qualidade de sono tentando permanecer a noite inteira em uma posição desconfortável apenas por medo de rugas. Dormir bem também é importante para a saúde e para a própria qualidade da pele”, ressalta.

Aquela marca que aos 20 anos desaparecia poucos minutos depois de levantar pode permanecer por mais tempo conforme a pele envelhece.

Segundo Daiany, isso acontece porque o envelhecimento não ocorre apenas na superfície. Ao longo dos anos, há alterações na produção de colágeno e elastina, na hidratação e espessura da pele e também em estruturas mais profundas do rosto.

“É por isso que não podemos olhar para uma ruga isoladamente. Muitas vezes, a linha que incomoda é apenas uma manifestação visível de um processo que está acontecendo em diferentes camadas”, afirma.

Fronhas e travesseiros que prometem evitar rugas se popularizaram nas redes sociais, mas Daiany recomenda cautela com promessas de efeito antienvelhecimento.

Diminuir o atrito e evitar compressão excessiva pode contribuir para o conforto da pele, mas nenhuma fronha é capaz de impedir as mudanças naturais que acontecem com o passar dos anos.

“Não existe um único hábito, produto ou procedimento responsável por envelhecer ou rejuvenescer o rosto. O resultado mais natural vem justamente de compreender como cada pessoa está envelhecendo e quais estruturas realmente precisam de atenção”, explica.

Para a especialista, cuidados básicos continuam tendo grande importância: proteção solar, sono adequado, evitar o tabagismo, manter hábitos saudáveis e cuidar da pele de maneira consistente. Quando já existem alterações que incomodam, uma avaliação individualizada permite entender se a questão está predominantemente na superfície da pele, na perda de colágeno, na flacidez, na redução de volume ou na combinação desses fatores.

“Antes de culpar o lado do travesseiro, precisamos lembrar que envelhecer é um processo muito mais complexo. A estética atual não deveria tentar apagar cada linha, mas compreender o rosto como um todo e preservar suas características”, conclui Daiany Rodrigues Freire. 



Daiany Rodrigues Freire - enfermeira estética e biomédica. Conselho Regional de Enfermagem (Coren) nº 72548. Conselho Regional de Biomedicina (CRBM nº 64.089. Enfermeira e biomédica com pós-graduação em Enfermagem Estética.
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