Manter a saúde cardiovascular depende de uma combinação de hábitos,
entre eles, o consumo de determinados alimentos. A ingestão diária de mais de 7
gramas de azeite de oliva por dia — quantidade próxima a meia colher de sopa —
foi associada a uma redução de 19% no risco de morte por doenças
cardiovasculares, em comparação com pessoas que não consumiam o alimento ou o
utilizavam raramente. O dado faz parte de um estudo publicado no Journal of
the American College of Cardiology, que acompanhou mais de 90 mil adultos nos Estados Unidos ao longo de
28 anos.
Os pesquisadores também observaram que a substituição de margarina,
manteiga, maionese e gordura láctea por azeite esteve associada a um menor
risco de mortalidade. Os resultados reforçam que seu benefício está relacionado
não apenas à presença do alimento no cardápio, mas ao lugar que ele ocupa na
alimentação, especialmente quando substitui fontes de gordura saturada.
No Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, a nutricionista
Dra. Aline Maldonado, consultada pela
marca de azeite Nova Oliva, explica como incorporar o alimento às
refeições cotidianas sem perder de vista o conjunto das escolhas feitas à
mesa.
“O azeite de oliva é fonte de gorduras monoinsaturadas e contém
compostos antioxidantes, especialmente quando na versão extravirgem. Sua
presença na alimentação pode contribuir para um perfil de gorduras mais
favorável à saúde cardiovascular, principalmente quando substitui alimentos
ricos em gordura saturada. Isso não significa simplesmente acrescentar azeite
ao que já se consome, mas observar a composição da refeição como um todo”,
explica Aline.
A importância do tema fica evidente diante da frequência com que as
doenças cardiovasculares afetam a população brasileira. Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que ocorram entre 300 mil e 400
mil casos de infarto por ano no Brasil, com um óbito a cada cinco a sete casos.
A Organização Mundial da Saúde ressalta, porém, que a maioria das doenças
cardiovasculares pode ser prevenida pelo controle de fatores de risco como
alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo, consumo prejudicial de álcool
e obesidade.
Quanto azeite consumir por dia?
Não existe uma recomendação universal da OMS que determine uma
quantidade diária específica de azeite. O Guia Alimentar para a População
Brasileira orienta que óleos e
gorduras sejam utilizados em pequenas quantidades para temperar e cozinhar
alimentos e preparar refeições.
Como referência prática, o azeite de oliva pode ser distribuído entre
diferentes preparações ao longo do dia, desde que a quantidade seja compatível
com as necessidades individuais e com as demais fontes de gordura presentes na
alimentação. A indicação pode variar conforme idade, condições de saúde, nível
de atividade física e composição do cardápio.
A utilização não precisa ficar restrita às saladas. O azeite de oliva
pode ser empregado para refogar legumes, preparar arroz e feijão, finalizar
sopas, acompanhar pães e compor molhos. Também pode aparecer em bolos e outras
sobremesas como alternativa a determinadas gorduras, desde que sejam
respeitadas as características e as proporções de cada receita.
Azeite de oliva faz parte de um prato variado e equilibrado
Ainda de acordo com Dra. Aline Maldonado, a alimentação interfere em
diferentes fatores relacionados ao risco cardiovascular. O excesso de gordura
saturada pode contribuir para a elevação do colesterol LDL, conhecido como
“colesterol ruim”, que pode se acumular nas paredes das artérias e favorecer a
formação de placas.
Triglicérides elevados, níveis reduzidos de HDL, pressão arterial alta,
glicemia alterada e excesso de gordura abdominal também merecem atenção. Quando
combinadas, essas condições aumentam a probabilidade de doenças como infarto e
acidente vascular cerebral.
Nesse contexto, o papel do azeite de oliva está principalmente
relacionado à qualidade da gordura presente na alimentação. Por ser fonte de
gorduras monoinsaturadas, ele pode substituir manteiga e outras fontes de
gordura saturada em diferentes preparações. Essa troca, porém, deve estar
inserida em um padrão alimentar que inclua frutas, verduras, legumes, grãos,
leguminosas, castanhas e fontes adequadas de proteína.
“Proteger o coração não exige eliminar os alimentos que fazem parte da cultura brasileira. Arroz e feijão, por exemplo, podem e devem permanecer no prato. O mais importante é observar a variedade, as proporções, a frequência de consumo dos alimentos ultraprocessados e as quantidades de sal, açúcar e gordura saturada consumidas ao longo do dia”, orienta Aline.
Saúde cardiovascular também depende de hábitos fora da cozinha
A alimentação integra um conjunto mais amplo de medidas preventivas.
Praticar atividade física regularmente, não fumar, evitar o consumo excessivo
de bebidas alcoólicas, dormir adequadamente, administrar o estresse e
acompanhar a pressão arterial, a glicemia e o colesterol são cuidados
importantes para reduzir fatores de risco.
Quanto à prática de exercícios, a OMS aponta que a atividade física regular está
associada a uma redução de 19% no risco de doenças cardíacas e acidente
vascular cerebral (AVC). Para adultos, a organização recomenda entre 150 e 300
minutos semanais de atividade aeróbica moderada ou de 75 a 150 minutos de
atividade intensa, além de exercícios de fortalecimento muscular.
“O cuidado cardiovascular é construído pela repetição de escolhas
possíveis. Uma refeição equilibrada, o uso adequado do azeite de oliva, a
prática de atividade física e o acompanhamento da saúde produzem resultados
quando deixam de ser ações ocasionais e passam a fazer parte da rotina”,
conclui a nutricionista.

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