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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Capoeira leva mais de 4 mil praticantes à Avenida Paulista em encontro estadual


A Avenida Paulista será tomada pela capoeira neste domingo, 20 de setembro, quando mais de 4 mil capoeiristas de diferentes regiões do estado de São Paulo estarão reunidos em um grande encontro da ABADÁ-Capoeira. Mestres, professores, atletas, crianças, jovens e praticantes de diferentes gerações participarão da mobilização, que pretende mostrar a força da modalidade e sua capacidade de reunir pessoas por meio do esporte e da cultura.

 

ESPORTE COMO FERRAMENTA DE INCLUSÃO

A história da capoeira também se conecta diretamente à luta contra o racismo. Nascida como uma manifestação de resistência da população negra no Brasil, a modalidade carrega uma história que precisa ser conhecida pelas novas gerações. 

A ideia do grupo é que a capoeira seja utilizada cada vez mais como ferramenta de educação e inclusão, especialmente entre crianças e adolescentes. O contato com a modalidade permite trabalhar não apenas movimentos e condicionamento físico, mas também a história e a cultura afro-brasileira. 

“Ensinar capoeira para uma criança é também ensinar a história do nosso país. Ela precisa entender de onde veio essa cultura, por que ela foi perseguida e como se transformou em uma das maiores expressões brasileiras reconhecidas no mundo”, explica Bruno Moura, um dos representantes da modalidade que estarão na Paulista. 

Praticante da modalidade há mais de duas décadas e professor desde os 17 anos, Bruno Moura acredita que a modalidade pode ser uma ferramenta para ensinar crianças sobre a história do Brasil, enfrentando preconceitos antes que eles sejam reproduzidos. A proposta parte de uma preocupação: a polarização e os estigmas relacionados à cultura afro-brasileira já estão presentes em parte da sociedade e muitas vezes são transmitidos dentro das próprias famílias. 

A capoeira está prevista na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) entre os conteúdos que podem ser trabalhados nas aulas de Educação Física. A defesa de Bruno é que esse potencial seja melhor aproveitado, aproximando esporte, cultura, educação e formação cidadã, artesã e musical.

 

DO PROJETO SOCIAL AO ALTO RENDIMENTO

A experiência de Bruno também mostra como projetos de base podem funcionar como porta de entrada para o esporte de alto rendimento. Atletas como Eduardo “Chapolin” (UFC), Xicão (UFC), Coxinha (Pancrease), Edgar Pigmeu (LFA) e Joelson Demente (LFA) passaram por ambientes de formação ligados ao trabalho desenvolvido por ele no interior do estado de São Paulo, em São José do Rio Preto.

 

Sobre a Abadá 

Fundada em 1988 por Mestre Camisa, discípulo de Mestre Bimba, a ABADÁ é considerada a maior e mais capilarizada organização de capoeira do mundo, com atuação internacional e núcleos distribuídos por comunidades, escolas, academias e projetos sociais.


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