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| Créditos: @dancunha1984 | Shutterstock | CO ASSESSORIA |
“Tem coisa que no
Brasil parece normal, mas aqui chama atenção imediatamente”, afirma Dan Cunha,
que vive há 25 anos fora do país
O atraso está entre os exemplos mais claros. Nos materiais destinados a estrangeiros, a pontualidade aparece como uma expectativa importante principalmente em reuniões, entrevistas, consultas e compromissos profissionais. Chegar depois do horário sem avisar pode ser interpretado como falta de consideração. O mesmo vale para mudanças de última hora: cancelar um encontro, alterar um horário já combinado ou aparecer sem avisar tende a provocar mais desconforto quando interfere na agenda de outra pessoa.
Depois de cerca de 25 anos vivendo fora do Brasil, o empresário e influenciador Dan Cunha diz que algumas dessas diferenças só ficam evidentes com o tempo. “Tem coisa que no Brasil parece normal, mas aqui chama atenção imediatamente. Você percebe que chegar atrasado, falar mais alto ou criar intimidade rapidamente pode ter uma leitura completamente diferente. Não significa que alguém esteja certo ou errado, mas você precisa entender o ambiente em que está”, afirma.
O volume de voz é outro ponto citado em orientações para estrangeiros. Em lugares fechados ou compartilhados, como transporte público, salas de espera, bibliotecas e ambientes de trabalho, conversar ou falar ao telefone em voz alta pode chamar atenção. A questão não é que americanos sejam necessariamente mais silenciosos, mas que determinados espaços carregam uma expectativa maior de discrição.
A intimidade também funciona de maneira diferente. Perguntar quanto alguém ganha, a idade, situação amorosa, religião ou outros assuntos pessoais logo no início de uma relação pode soar invasivo. O mesmo ocorre com a distância física e o toque. Abraçar uma pessoa que acabou de conhecer ou se aproximar demais durante uma conversa pode ser natural para alguém e desconfortável para outra. A informalidade americana, com conversas rápidas e tratamento pelo primeiro nome, nem sempre significa proximidade pessoal.
Outro hábito que pode exigir adaptação é o improviso. Mudar planos na última hora, chegar sem combinar ou esperar que alguém encontre um encaixe na agenda costuma funcionar pior em situações nas quais horários e compromissos foram definidos previamente. Nos Estados Unidos, especialmente no ambiente profissional, a expectativa de planejamento costuma ser maior e encerrar uma conversa porque existe outro compromisso marcado não é necessariamente interpretado como falta de educação.
A relação com regras explícitas completa a lista. Placas de estacionamento, filas, horários de atendimento, normas de condomínio, políticas de empresas e procedimentos de escolas costumam deixar menos espaço para negociação individual. Tentar conseguir uma exceção pode simplesmente não funcionar, inclusive porque muitas vezes o funcionário que está atendendo não tem autonomia para alterar aquela regra.
Dan afirma que compreender essas diferenças ajudou a evitar interpretações equivocadas ao longo dos anos. “Não quer dizer que um jeito seja melhor do que o outro. Você não precisa abandonar sua forma de ser porque mudou de país, mas precisa entender como determinadas atitudes são recebidas naquele lugar. Quando você percebe isso, evita vários conflitos desnecessários”.

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