As canetas emagrecedoras transformaram a relação de
milhões de pessoas com a balança. Elas ganharam espaço no tratamento do sobrepeso
e da obesidade e, com a rápida redução de peso, também trouxeram uma nova
questão para os consultórios dermatológicos: o que acontece com a pele e os
cabelos quando o corpo emagrece em ritmo acelerado?
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Segundo o dermatologista Antonio Lui, do Hospital Santa Casa de Mauá, a caneta não prejudica a pele e não provoca diretamente a queda dos fios. Esses problemas ocorrem pela maneira como o organismo reage a uma perda importante de peso. “Quando há uma redução rápida de gordura corporal, a pele perde parte do suporte e do volume que ajudavam a mantê-la esticada. Ao mesmo tempo, mudanças na alimentação podem diminuir a ingestão de proteínas, vitaminas e outros nutrientes importantes para a manutenção dos cabelos”, explica.
Essas consequências não devem ser colocadas simplesmente na conta da caneta. O principal fator é a velocidade com que o organismo está perdendo peso. Quando existe uma mudança corporal muito rápida, o cabelo pode entrar em uma espécie de modo de economia e aumentar a queda, enquanto a pele precisa lidar com a redução do volume que antes dava sustentação aos tecidos.
No cabelo, esse fenômeno pode aparecer como eflúvio telógeno, uma alteração temporária do ciclo capilar. O aumento da queda geralmente não acontece imediatamente e pode surgir algumas semanas ou meses depois do período de maior perda de peso. É uma resposta conhecida do organismo a situações de estresse físico.
“A literatura médica também associa o quadro a dietas muito restritivas e à deficiência de determinados nutrientes. O cabelo não é uma estrutura prioritária para o organismo. Em uma situação de grande mudança metabólica, o corpo direciona seus recursos para funções essenciais. Se, além da perda de peso, a pessoa passa a consumir pouca proteína ou apresenta alguma deficiência nutricional, o ciclo do cabelo pode ser ainda mais afetado”, explica Antonio Lui.
A mesma transformação pode ser percebida no contorno corporal. Com a redução do tecido adiposo, regiões que antes tinham maior volume podem apresentar sobras de pele, perda de sustentação e flacidez. No rosto, a diminuição do tecido adiposo pode deixar as feições menos preenchidas, evidenciando sulcos, rugas e um aspecto mais envelhecido.
“É como se o corpo tivesse emagrecido em uma velocidade maior do que a capacidade de adaptação dos tecidos. A gordura diminui, mas a pele não desaparece na mesma proporção. Por isso, algumas pessoas percebem que determinadas áreas parecem ter ‘despencado’. Não significa que o medicamento tenha destruído a pele, mas que houve uma mudança de volume expressiva em pouco tempo”, compara o dermatologista.
O impacto também pode ser diferente de uma pessoa para outra. Idade, genética, quantidade de peso eliminada, tempo em que a pessoa permaneceu acima do peso, qualidade da alimentação e quantidade de massa muscular influenciam a capacidade de acomodação da pele. Além disso, a própria perda de massa muscular pode contribuir para uma aparência corporal menos firme.
Para Antonio Lui, é preciso entender que emagrecer não significa apenas ver um número menor na balança. “Quando o peso muda rapidamente, todo o organismo precisa se reorganizar. A pele, o cabelo, os músculos e até os contornos do rosto fazem parte dessa transformação. Por isso, o resultado estético do emagrecimento não deve ser avaliado apenas pelo peso perdido, mas pela qualidade dessa mudança corporal”, afirma.
Hospital Santa Casa de Mauá
Avenida Dom José Gaspar, nº 1.374, Vila Assis, Mauá.
Telefone (11) 2198-8300
https://santacasamaua.org.br/
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