Da influência hormonal aos cuidados diários, Christian Fagundes, técnico em terapia capilar e Keune Talent, esclarece o que muda no cabelo e quais hábitos podem ajudar a fortalecer a saúde capilar
A menopausa marca uma nova fase na vida da mulher e traz mudanças que vão além dos sintomas mais conhecidos, como as ondas de calor e alterações no sono. As transformações hormonais desse período também podem se refletir nos cabelos, que tendem a ficar mais finos, perder densidade e apresentar mudanças de textura.
Estudos estimam que até 50% das mulheres podem apresentar alterações capilares durante a transição menopausal, incluindo a redução do volume dos fios. O assunto também vem ganhando espaço nas conversas públicas, com celebridades como Claudia Raia, Fernanda Lima, Eliana e Angélica compartilhando suas experiências e ajudando a ampliar o debate sobre as modificações que acompanham essa fase.
Para mulheres que notam essas diferenças nas madeixas
durante a menopausa, entender o que acontece com os fios e buscar orientação
especializada são passos importantes. A seguir, o técnico em terapia capilar e
Keune Talent, Christian Fagundes explica os principais pontos sobre o afinamento
capilar nessa fase.
Por que o cabelo muda depois dos 40?
A partir dos 40 anos, durante o climatério e a menopausa, muitas mulheres percebem oscilações na qualidade da fibra, como afinamento, ressecamento e diminuição do brilho.
Grande parte disso está relacionada à baixa do estrogênio, hormônio que participa da regulação do ciclo de desenvolvimento do folículo capilar. Com esse declínio, sua fase de crescimento tende a ficar mais curta e pode passar a produzir estruturas mais finas e menos resistentes.
Mas as alterações hormonais não explicam tudo. O envelhecimento natural do couro cabeludo também faz parte desse processo e pode ser potencializado por fatores acumulados ao longo da vida.
"Com o passar dos anos, a renovação celular da raiz se torna mais lenta e os folículos passam a funcionar de forma menos eficiente. Este fator cria um ambiente menos favorável à formação de fios fortes, tornando-os mais suscetíveis ao afinamento, especialmente quando somados à predisposição genética, estresse, procedimentos químicos e falta de cuidado", comenta o Keune Talent.
Por isso, o profissional reforça que o bem estar do local deve ser encarado como uma prática contínua, e não apenas como uma resposta quando os indícios iniciais de menor espessura aparecem.
“É aí que o conceito de longevidade capilar surge como
prevenção, não só como tratamento após os primeiros sinais de afinamento e
perda de densidade surgem. Essa é uma tendência crescente, que foca no cuidado
da região
cutânea e da fibra de forma contínua. O envelhecimento é
um processo natural, mas a qualidade do cabelo ao longo dos anos também é
influenciada pelo histórico de cuidados. Por isso, quanto antes adotamos uma
rotina adequada, melhores são as condições para preservar a vitalidade e sua
qualidade no futuro”, complementa.
O que realmente faz diferença nos cuidados diários
Quando o assunto é a diminuição da espessura, a
constância costuma ser mais importante do que soluções pontuais. Pequenas
atitudes adotadas no dia a dia ajudam a criar condições mais favoráveis para a
vitalidade dos fios. Higienizar com frequência adequada, massagear
delicadamente a raiz ao longo da lavagem, evitar água muito quente e prevenir o
acúmulo de resíduos de finalizadores estão entre as melhores escolhas.
"Hoje sabemos que um couro cabeludo saudável é a base para madeixas mais fortes. Quando essa região apresenta excesso de oleosidade, inflamação, descamação ou produto, todo o ciclo pode ser prejudicado. Cuidar dessa área deve fazer parte da rotina tanto quanto hidratar o comprimento”, explica o especialista.
A decisão dos produtos também faz diferença. "Para
cabelos que perderam densidade, costumo indicar o investimento em fórmulas
fortalecedoras. O uso de séruns e de leave-ins também é essencial, principalmente
aqueles que proporcionam uma sensação de maior corpo. Outra dica é reduzir a
frequência de procedimentos químicos e ter cuidado com o uso de ferramentas
térmicas", recomenda.
Como a cosmetologia acompanha as novas necessidades dos fios
À medida que a compreensão sobre o envelhecimento capilar
evoluiu, os cuidados também passaram a olhar além da superfície. Hoje,
pesquisadores têm ampliado seus estudos para o espaço em que a raiz se
desenvolve, buscando
tecnologias que complementam a jornada do tratamento. Entre essas inovações estão os peptídeos biomiméticos, pequenas cadeias de aminoácidos desenvolvidas para reproduzir sinais biológicos naturalmente presentes no organismo.
Diferentemente de ingredientes focados apenas para a aparência da fibra, esses ativos são estudados por sua interação com a base e seu potencial de auxiliar no fortalecimento do ecossistema do ciclo de crescimento.
"Os peptídeos biomiméticos reproduzem sinais semelhantes aos encontrados naturalmente no corpo. Eles atuam como mensageiros, ajudando a criar um ambiente propício para a longevidade dos folículos", esclarece Christian.
Esse ativo já é encontrado em tônicos e séruns voltados à
aplicação no couro cabeludo. O especialista ressalta, no entanto, que eles
fazem parte de uma estratégia mais ampla. "Fórmulas com peptídeos
biomiméticos representam um avanço importante na cosmetologia, mas possuem
melhor desempenho quando associados a uma rotina consistente e acompanhamento
especializado", finaliza.

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