Com mais
brasileiros incorporando exercícios à rotina, roupas esportivas ganham novas
ocasiões de uso e passam a combinar desempenho, conforto e estilo
A atividade física vem ganhando espaço na rotina
dos brasileiros e, junto a esse movimento, também muda a relação com a moda.
Antes restritas à academia ou a modalidades específicas, as roupas esportivas
passam a acompanhar diferentes momentos do dia, uma prática que já tem nome, é
a athleisure, tendência que aproxima esse tipo vestuário do cotidiano e
valoriza peças que combinam conforto, funcionalidade e estética. Segundo levantamento
da Brain Inteligência Estratégica, realizado em 2026, 56% dos brasileiros
praticam atividade física regularmente. Já outro dado mostra que o mercado de
vestuário esportivo movimentou US$ 4,8 bilhões em 2025, de acordo com a IMARC,
que projeta chegar a US$ 6,8 bilhões até 2034.
Para Camila Hathy, cofundadora e diretora de
comunicação da Baunny, confecção especializada em moda fitness premium e
produção em modelo White Label, essa mudança de comportamento e o potencial do
mercado já influenciam na forma como os produtos são pensados. Com a atividade
física mais presente no cotidiano, a empresa observa uma demanda por peças que
não atendam apenas às necessidades de uma modalidade, mas também acompanhe
diferentes perfis de consumidores e ocasiões de uso.
“O crescimento da prática de atividades físicas
mostra que o consumidor está incorporando o movimento à rotina de uma forma
mais natural e diversa. Isso também muda a relação com a roupa, a peça precisa
acompanhar o treino, mas pode estar presente em outros momentos do dia. Para as
marcas, o desafio passa a ser desenvolver produtos que equilibrem conforto,
funcionalidade, tecnologia e estética, sem deixar de lado a identidade de cada
coleção”, afirma Camila.
A diversificação das modalidades reforça essa
transformação. Corrida, caminhada, ciclismo, funcional, pilates e atividades ao
ar livre apresentam necessidades diferentes em relação a modelagem, tecido e
desempenho. Ao mesmo tempo, a popularização de treinos fora das academias
amplia as situações em que a roupa esportiva é utilizada e aproxima ainda mais
a moda fitness do lifestyle.
Esse movimento também influencia as características
buscadas nas peças. Tecidos respiráveis, modelagens que favorecem a mobilidade,
proteção UV, conforto térmico e versatilidade ganham relevância à medida que os
consumidores passam a transitar entre diferentes atividades e ambientes. Para
as marcas, entender essas necessidades se torna parte importante do
desenvolvimento de novas coleções.
O cenário encontra respaldo na própria evolução da
indústria. Estudo do IEMI lançado em 2026 que acompanha a evolução da oferta e
da demanda de moda esportiva e fitness no Brasil, aponta um mercado
influenciado por fatores como inovação em materiais e modelagens. O instituto
também destaca que o Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de
academias, atrás apenas dos Estados Unidos, mantendo uma demanda relevante por
vestuário de performance.
Mais do que acompanhar o crescimento do número de
pessoas fisicamente ativas, a moda fitness passa, portanto, a acompanhar uma
mudança de estilo de vida. Para empresas do setor, a oportunidade está em
entender que o consumidor não busca apenas uma roupa para praticar determinada
atividade, mas peças capazes de combinar desempenho e estética e se encaixar em
uma rotina cada vez mais dinâmica.
Baunny
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